Visita à Rússia. Presidente da China saúda o "melhor amigo" Putin

No primeiro de três dias de uma visita de Estado à Rússia, o Presidente chinês descreveu o homólogo anfitrião como o seu “melhor amigo”. Xi Jinping e Vladimir Putin carimbaram um pacote de acordos comerciais entre os dois países, num apertar de laços enquadrado pelo contexto da guerra comercial travada entre Pequim e Washington.

Carlos Santos Neves - RTP /
O reforço de laços com o Presidente russo, por parte de Xi Jinping, acontece no contexto da guerra comercial movida à China pela Administração Trump Alexei Druzhinin - Sputnik/ Reuters

O Presidente da China chegou na quarta-feira a Moscovo com a caneta pronta a assinar um conjunto de convénios para potenciar as trocas comerciais com os russos, num momento em que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continua a fazer subir a muralha protecionista por via do agravamento das tarifas sobre importações de produtos chineses. Com as respetivas retaliações.Xi Jinping é esta quinta-feira esperado no Fórum Económico de São Petersburgo.



O líder chinês fez questão de mostrar pessoalmente uma outra oferta já enviada em abril a Moscovo: um par de pandas para o jardim zoológico da capital russa.

Xi Jinping apressou-se a assinalar, uma vez em Moscovo, a “profunda amizade pessoal” que o liga ao Presidente russo.

“Nos últimos seis anos, encontrámo-nos cerca de 30 vezes. A Rússia é o país que mais visitei e o Presidente Putin é o meu melhor amigo e colega”, clamou o Presidente chinês, que de imediato colheu a reciprocidade do interlocutor russo.

Putin quis sublinhar que “as relações sino-russas atingiram um nível sem precedentes”. Trata-se, nas palavras do Chefe de Estado russo, de “uma parceria global e uma cooperação estratégica”.

A cooperação entre os dois países é também militar. Mas foi no domínio comercial que as diplomacias russa e chinesa mais investiram na preparação da visita de Estado de Xi Jinping. A Rússia é hoje o 10.º maior parceiro comercial da China. Mas esta é a primeira na tabela russa.

Um dos acordos mais significativos agora assinados envolve a empresa russa de telecomunicações MTS e a gigante tecnológica chinesa Huawei, alvo preferencial das restrições impostas pelo Presidente norte-americano. Ao abrigo deste entendimento, a segunda poderá desenvolver uma rede 5G na Rússia.
Retrato da América a tinta da China

A convergência entre a Rússia e a segunda maior economia do mundo tem sido amplamente potenciada pela guerra comercial movida pela Administração Trump. Mas também pelo gelo que separa a Presidência de Putin e o Ocidente desde o espoletar do conflito na Ucrânia, há cinco anos, um quadro agravado pelo apoio do Kremlin ao regime sírio de Bashar al-Assad.

Esta amizade cimentada tem tradução em números. As trocas comerciais entre russos e chineses expandiram-se em 25 por cento só no ano passado. Atingiram um montante equivalente a 95,9 mil milhões de euros.

Enquanto Xi Jinping consolida as relações com os russos, a retórica de Pequim para com os Estados Unidos continua a ganhar contornos ásperos. Esta semana, o Governo chinês emitiu dois avisos para os cidadãos que pretendam deslocar-se à América.

O Ministério da Cultura e do Turismo advertia na terça-feira para crónicas ocorrências de “tiroteios e roubos” nos Estados Unidos. E o Ministério dos Negócios Estrangeiros incumbiu as embaixadas e consulados em território norte-americano de alertar para situações “repetido assédio” de cidadãos chineses por parte de forças de segurança naquele país.

Na véspera, já o Ministério chinês da Educação havia avisado estudantes e académicos chineses para os riscos do trabalho nos Estados Unidos, invocando crescentes problemas com vistos.

c/ agências
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