Alexandre Brito

Netflix. Assalto à La Casa de televisão...e cinema...

Os números revelados esta semana relacionados com o Netflix são impressionantes. A empresa vai investir na Europa mil milhões de dólares em produção própria. E oito mil milhões em conteúdo em todo o mundo. Conseguiram o que poucos, há 10 anos, achavam possível. Escala. Atualmente há 125 milhões de subscritores deste serviço de streaming.

Ainda nos números. Quem em 2007 teve a visão de investir 1000 dólares no Netflix, hoje teria cerca de 100 mil. A valorização da empresa tem sido extraordinária nos últimos anos.

Perante isto, não será difícil perceber que os media tradicionais vão sentir ainda mais dificuldades nos próximos tempos. A geração nativa digital está crescer, habituada a viver com estes serviços, ao mesmo tempo que estas empresas nativas digitais começam a injetar milhões e milhões para produzir conteúdos de qualidade.

É o que o Netflix vai fazer ainda durante este ano na Europa. Vai investir mil milhões de dólares para produzir conteúdos. O que isto vai provocar nos meios tradicionais é ainda incerto. Mas arrisco dizer que se o caminho já era difícil, vai tornar-se ainda mais complicado.

Verdade seja dita, em paralelo com este assalto à casa da televisão, o Netflix criou uma oportunidade. Veja-se o exemplo de La Casa de Papel. Há uns anos seria provavelmente um produto local (ao nível global um país é local) que nunca ganharia a dimensão que tem hoje. La Casa de Papel é atualmente um dos maiores sucessos de séries em todo o mundo, e isso deve-se ao Netflix.

Regresso aos números para acrescentar que esta semana o valor de mercado do Netflix chegou aos 144 mil milhões de dólares. Vale mais do que gigantes como a General Electric ou a IBM. E vale pouco menos do que a Walt Disney.

E isto ainda agora está a começar.

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