Portugal e nuestros hermanos, los españoles

Em vésperas da visita do novo Presidente da República a Espanha, estas são algumas das manchetes portuguesas a que a imprensa espanhola dá eco, ao pormenor.

“Combustíveis: Portugueses deixam um milhão por dia em Espanha”

“Ministro apela ao civismo de quem vive na fronteira”

“El ministro de Economía luso pide a los portugueses que no echen gasolina en España”

“Acordo entre La Caixa e Isabel dos Santos sobre controlo do BPI”

“Marcelo quer equilíbrio na banca entre espanhóis e angolanos”

“Rebelo de Sousa quiere evitar el domínio español en la banca portuguesa”


Marcelo Rebelo de Sousa escolheu o Vaticano e Espanha para primeiros destinos a pisar como Chefe do Estado. Num dia de viagens relâmpago, pela manhã, reúne-se com o Papa, à noite com um rei. Marcelo, habituado a dias frenéticos, divididos pela Universidade, comentário e análise política e todos os eventos que as 24 horas do dia lhe permitiam, não podia desenhar uma agenda mais sossegada. Toma o pequeno-almoço em Roma e é recebido por Francisco. À noite janta no Palácio Real de Madrid, com Filipe VI, o único monarca presente na tomada de posse em Lisboa, há uma semana.

Numa entrevista ao católico, monárquico e conservador ABC, Marcelo assegura que as relações de Portugal com Espanha são tão boas que "quase não podem melhorar". Pouco mais de 24 horas antes de aterrar em Madrid, o jornal revela que o Presidente gostaria que "existisse mais relacionamento cultural, mais solidariedade entre universidades, mais cooperação no mundo económico, especialmente no setor financeiro".

Marcelo Rebelo de Sousa teme o domínio espanhol da banca portuguesa, escreve a imprensa em Lisboa, a "espanholização" assusta-o, considera que pode retirar a soberania ao país. Conhecedor da política internacional, diplomata de mão cheia, antecipa críticas, respostas e discursos porque sabe que o tema não deverá ficar à margem do encontro com o rei.

Ao periódico espanhol ABC, sublinha que Espanha sempre teve uma posição muito forte no setor financeiro, "mas que não pode ser exclusiva" e adianta-se, assim, às explicações que, decerto, dará a Filipe VI, ao afirmar "sei que Espanha compreende muito bem".

O Presidente assegura que existe cumplicidade com o Rei e, seguramente, na política de afetos e consensos que defende, e domina, não deixará de esclarecer o assunto com o Chefe do Estado Espanhol. Espanha é um dos mercados mais importantes para a economia portuguesa, um dos principais clientes das exportações nacionais, onde muitas empresas lusas se implantaram e cresceram; um dos maiores mercados emissores de turistas, Portugal é o segundo destino turístico mais procurado pelos espanhóis, em todo o Mundo. As receitas subiram mais de 15% no ano passado.

Aqui, em Espanha, vivem 120 mil portugueses que, todos os dias, lutam por uma vida melhor, investem, divulgam, promovem a "marca Portugal". Entretanto, o ministro da economia critica os que cruzam a fronteira para Espanha à procura de gasóleo ou gasolina mais baratos, tal como se fazia há trinta anos com os caramelos, bananas, material escolar e outros produtos. Assim, diz o governante, não deixam os impostos em Portugal... e Espanha reproduz as declarações.

Tanto haveria para escrever, tantos exemplos para dar. Limito-me a rematar, com uma opinião. Os que, insistentemente, repetem o ditado "De Espanha nem bom vento, nem bom casamento", um provérbio nacionalista e anti Espanha, como escreve Arnaldo Saraiva, que resulta de uma mistura entre "o maldito vento suão" de José Régio e o "Quem ao longe vai casar ou vai enganado ou vai enganar"... deviam prestar mais atenção ao dito popular castelhano "Camarón que se duerme, se lo lleva la corriente". 

PUB