Paulo Dentinho

Paulo Dentinho

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Talvez tenha visto num filme, talvez alguém me tenha dito, talvez tenha lido num livro. Não sei. Mas sei que a frase me ficou, essa onde alguém refere que ter uma arma e sacar dela implica sempre estar disposto a levar o gesto até às últimas consequências, isto é: disparar. Matar o outro. Ou ser ...

    Mesmo que, por hipótese pouco plausível, fosse possível derrotar num futuro próximo o "Estado Islâmico" - a AlQaeda e outros seus derivados, do Boko Haram ao Al Shabab - haverá sempre metáteses (outras organizações, outros tantos nomes) enquanto a fonte ideológica de onde emergem continuar a ...

      Marine Le Pen já ganhou. Mesmo que perca as eleições. Porque mesmo perdendo-as vai conseguir tornar a extrema-direita que ela representa numa força inquestionável no seu país e na Europa.

        Navegou, ou assim se supõe, durante vários meses. Não sabia muito bem onde estava, nem estaria mal nem bem - aliás, sobre isso ele nada consegue dizer. O certo certo é ter chegado num dia qualquer, num ano qualquer. Estava esgotado e mal conseguia articular um som que fosse. Alguém lhe bateu e ele ...

          Hicham ensinou-me todos os palavrões que conhecia em árabe (nunca mais me esqueci como se diz "filhos da p..."). Também em hebraico. Na volta da moeda, referi-lhe o puro e duro vernáculo português. Vivemos sempre dias tensos deambulando por Jerusalém, Ramallah, Hebron, Belém, Gaza. E riamos sempre ...

            Começou com um rumor, uma palavra dúbia lançada aqui, retomada ali, divulgada acolá. E assim, a pouco e pouco, a lama da insinuação foi-se instalando, atingindo a sexualidade do candidato à presidência da república francesa, Emmanuel Macron.

              Quem é o outro? Quem é esse outro que tem uma cor de pele diferente da minha? Que pessoa é essa que pensa de modo diferente do meu? Que estranho é esse que venera um Deus que desconheço? Que ser é esse que sente o que eu não sinto? Quero entender o que ele é ou ficar seguro apenas no que eu sou?

                Donald Trump entrou nas nossas vidas com uma atitude de bullying. Ele é notícia diária à escala do planeta. Há um permanente "chega para lá" a tudo e todos, dos vizinhos mexicanos às Nações Unidas.

                  A América de Trump começa oficialmente esta semana, mas já foi dando alguns ares da sua graça nestas últimas semanas, como uma espécie de prenúncio do que por aí vêm. E o que lá vêm parece ser uma alteração muita significativa na complexidade dos jogos que se fazem na arena internacional.

                    Os jornalistas estão reunidos em congresso, um tempo de reflexão sobre a profissão, sobre o lugar onde estamos, como estamos, sobre o lugar para onde queremos ir ou, talvez melhor, para onde podemos ir. Porque o exercício da nossa profissão muda a cada salto tecnológico.

                      Qual a diferença entre uma família de oito pessoas, civis anónimos, entre elas algumas crianças, que seja dizimada em Alepo na sequência de um bombardeamento aéreo, e uma outra família, mais ou menos idêntica, chacinada em Mosul pela mesma via? De um ponto de vista humanista, nenhum. De um ponto de ...

                        Na gestão dos conflitos no Médio Oriente, andamos de ressaca em ressaca há décadas. Ela é terrível, uma consequência inevitável das decisões e actos sobre as quais nunca se avalia globalmente os efeitos. Recuperamos, não a primeira, porque essa anda lá pelos anos 20 de século passado (quando ...

                          Enquanto nos EUA as massas se entretêm com o circo em que se transformou a eleição para o próximo presidente, avaliando e indignando-se com as performances macho alfa Trump face ao universo feminino, um outro macho alfa vai criando as condições para tornar muito mais difícil a vida do próximo ...

                            E Trump tropeçou. Em si mesmo. Ele que sempre quis ser o que foi, genuíno, autêntico, numa mistura clara entre o arrivista e o carroceiro, foi apanhado por Trump, ele próprio. Foi sexo a mais na campanha...

                              Animados por ideais humanistas, determinados em preservar a paz, países e povos mostraram ter aprendido com a devastação que o mundo tinha vivido após duas guerras mundiais - milhões de mortos numa carnificina nunca vista, um número igualmente inaceitável de deslocados, destruição de bens públicos ...

                                Salvo uma guerra nuclear (e não estamos livres dela) não será possível interromper o progresso científico e tecnológico. Ele avança a uma velocidade quase vertiginosa, surpreendendo e inquietando.

                                  A identidade nacional regressou com estrondo à ordem do dia. As diatribes contra o estrangeiro multiplicam-se, tornaram-se argumento prioritário em eleições, dos Estados Unidos à Alemanha.

                                    No Ocidente há quem olhe para o Islão como uma entidade monolítica. É um erro crasso. Desde logo pela rutura entre sunitas e xiitas, os dois principais ramos da religião. E associar o Islão às práticas rígidas, ortodoxas e brutais que são propaladas pelo “Estado Islâmico” leva-nos a diabolizar toda ...

                                      A Europa está doente e não é de hoje. Esteve em risco, está em risco. As crises do passado ajudaram à construção da União, as crises do presente estão a destruí-la. Juncker referiu neste último estado da União a necessidade de uma visão a longo prazo, suficientemente galvanizadora e que leve os ...

                                        A procura de transparência foi o principal motivo que levou a Assembleia Geral das Nações Unidas a afinar o processo para a escolha do próximo secretário-geral da organização. Foram criadas condições para um largo escrutínio de todos aqueles e aquelas que se apresentaram para ocupar um dos cargos ...

                                          A laicidade é um valor. Um estado laico é um estado neutral no que às opções individuais diz respeito. Não impõe a fé a ninguém, não privilegia crença alguma, tampouco o ateísmo.

                                            A bomba explode. É o início do horror, o tempo da carnificina, dos corpos inertes, dos gemidos... E em minutos, a reacção, a luta pela vida: sirenes, hospitais... Procura-se ordenar o caos. Em simulâneo, a caça ao homem, aos homens... Há notícias em catadupa, o frenesim de tentar compreender o ...

                                              Éramos portugueses, espanhóis, franceses ou alemães, éramos diferentes mas animava-nos a ideia de podermos ser todos cidadãos europeus. Não era um amanhã que canta mas era uma ideia que encantava: um espaço de liberdade, uma moeda comum, uma união de estabilidade e crescimento, o atenuar de ...

                                                No filme "Cabaret", de Bob Fosse, Liza Minnelli e Joel Grey cantam que o "dinheiro faz o mundo rodar". A enredo passa-se na república de Weimar quando o partido nazi começa a surgir em força na Alemanha. E se os clientes do cabaré são uns no início do filme, dão lugar aos camisas castanhas nazis no ...

                                                  São centenas. Homens, mulheres e crianças, alguns com malas enormes às costas, outros arrastando-nas na terra seca, extenuados pela fuga, pelo temor do que estão a conseguir deixar para trás. O ar carrega-se de pó e torna-se quase irrespirável. Mas ninguém pára até atingir a estrada segura onde se ...