Paulo Dentinho

"Angola é nossa". Angola é deles

"Angola é nossa", a música acompanhava as palavras de Salazar e o início da resposta à luta dos angolanos contra a colonização portuguesa. E lá fomos, de armas na mão, iludindo-nos em cantos e risos, para uma guerra que não era nossa. Era deles. Sendo que a deles chegou quando nós saímos.

E não era bem a deles, era a daqueles que os usaram (e já os estavam a usar quando ainda nós lá estávamos) para definir quem manda no mundo. Mas o mundo mudou. E eles também.

Tentaram a paz e voltaram à guerra. Mataram e foram mortos. Compraram a paz como tinham comprado a guerra. Privatizaram o país. Para alguns. Têm corrupção e abusam dela. Têm restrições na imprensa. Há alguns poucos muito ricos e muitos muito pobres. Têm deficiências brutais na saúde. Vivem há anos da renda do petróleo.

Mas são um país novo. Dar-lhes lições do alto da cátedra de quem se acha legitimado por séculos de história, numa Europa com ministros corruptos, com pressões inacreditáveis sobre a imprensa (Hungria, Polónia - e estou apenas a ser simpático), com crescentes assimetrias entre os mais ricos e os mais pobres (crise financeira e crise das dívidas soberanas assim o atesta), parece-me de um enorme eurocentrismo.

Angola é deles. E ainda bem.

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Na Grande Entrevista da RTP, o ministro João Matos Fernandes lamentou que os problemas ambientais sejam muitas vezes menorizados.

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