Situação instável continua a preocupar Santarém
Segundo João Leite, nos últimos dois dias quatro famílias foram retiradas de casa por razões de segurança, numa intervenção que o presidente classificou como preventiva, alinhada com a estratégia municipal de agir "atempadamente, evitando situações futuras de maior dimensão".
Segundo o autarca, equipas técnicas da câmara estiveram no terreno nos últimos dois dias a realizar "levantamentos técnicos detalhados", com recurso a drones em zonas de difícil acesso.
O município contou com o acompanhamento de especialistas e está já a ser preparada uma priorização das intervenções necessárias.
Uma das situações identificadas ocorreu na via de Alfange, onde um deslizamento de terras provocou a interrupção do acesso principal à localidade.
"Há alternativas, mas é um acesso que tem de ser reposto com maior celeridade e urgência", referiu.
Paralelamente às questões do planalto, o concelho mantém-se em "alerta máximo" devido ao aumento do caudal do rio Tejo. As três zonas ribeirinhas mais críticas já tinham sido evacuadas preventivamente, uma decisão que o autarca considera ter permitido "salvaguardar vidas".
O autarca disse ainda que Bombeiros e Proteção Civil continuam no terreno a acompanhar a população e a monitorizar a subida "residual, mas contínua" do rio, referindo que a prioridade continua a ser a segurança das populações.
A evacuação das três zonas ribeirinhas mais críticas foi realizada "com bastante antecedência", o que permitiu "salvaguardar vidas".
"É importante apelar ao bom senso da nossa população para manter o cumprimento das normas", afirmou.
Questionado sobre prejuízos, o presidente do município disse estar em curso um levantamento de danos, que a autarquia espera concluir até ao final da próxima semana.
João Leite lembrou que Santarém pertence à lista de concelhos para os quais o Governo declarou situação de calamidade, o que permite mobilizar recursos públicos nacionais para recuperar dos danos do mau tempo.
"Vamos mobilizar todos os recursos públicos nacionais necessários para corrigir com celeridade tudo o que esta situação crítica de calamidade causou no nosso território", garantiu.
C/ Lusa
Arruda dos Vinhos pede estado de calamidade
Dezoito estradas ruíram e há apenas uma via de acesso.
Foto: Filipa Venâncio - RTP
As escolas poderão não abrir na segunda-feira.
Em Alcácer do Sal, o Rio Sado voltou a alagar a baixa da cidade.
Proteção Civil alerta para chuva intensa nos próximos dias, aumento dos caudais e deslizamento de terras. O risco "mantém-se"
A Proteção Civil continua em alerta devido a um possível "aumento dos caudais". No habitual briefing Mário Silvestre, comandante nacional da Proteção Civil explicou que nas próximas horas mantém-se a instabilidade, com a previsão de chuva intensa para os próximos dias.
"Continuamos a apelar porque todo o cuidado é pouco nestas situações e, sobretudo, para as pessoas que vivem nas zonas ribeirinhas, que tomem todas as precauções necessárias para a eventual subida das águas", referiu o comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Mário Silvestre.
No 'briefing' das 19:00 sobre o ponto de situação na prevenção e apoio às zonas e populações afetadas pelo mau tempo, na sede da ANEPC, em Carnaxide, Oeiras (distrito de Lisboa), Mário Silvestre referiu que ainda se sentem os efeitos da depressão Marta, com um quadro de precipitação no litoral, mais intensa na regiões Centro e Sul, e com neve nos pontos mais altos da serra da Estrela.
Mário Silvestre alertou ainda para um agravamento das condições meteorológicas na terça-feira na região Norte, sobretudo na zona do Minho e do Porto.
O risco significativo de inundações, sublinhou, mantém-se nos rios Mondego, Tejo, Sorraia e Sado, enquanto os rios Vouga, Águeda, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Lis e Guadiana continuam sob risco de cheia.
Até às 18:00 de hoje, na sequência das depressões meteorológicas desde o final de janeiro, foram ativados nove planos distritais e 117 planos municipais e emitidas 19 declarações de situação de alerta. O plano especial de emergência para a Bacia do Tejo mantém-se no nível vermelho, o mais elevado.
O comandante sublinhou que a precipitação é o principal fator a espoletar as cedências do terreno e alertou para que a população redobre os cuidados, como não atravessar estradas inundadas, manter-se em locais elevados, desligar eletricidade e gás, proteger equipamentos elétricos e medicamentos, e manter crianças e animais em segurança.
Também devem ser reportadas fissuras no solo, quedas de árvores ou deslizamentos e não se aproximar de cabos elétricos caídos, que podem ainda estar em carga.
Carnaval de Torres Vedras cancelado
“Tendo como prioridade absoluta a segurança e o bem-estar das populações, o Carnaval de Torres Vedras não se realizará entre 12 e 18 de fevereiro”, adiantou.
O município mantém a intenção de realizar o Carnaval “quando e se estiverem reunidas as condições necessárias, em data a definir”.
Escolas encerradas na segunda-feira em Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço
Em comunicado, Sobral de Monte Agraço informou que "todas as escolas do concelho estarão encerradas, devido a constrangimentos no abastecimento de água provocados por uma rotura na conduta da EPAL".
Até que a conduta seja reparada, camiões-cisterna dos bombeiros estão a abastecer os reservatórios, estando os encargos a ser suportados pelo município. Ainda assim, "não está ainda regularizado e estabilizado o fornecimento de água", salienta.
Desde sábado que grande parte do concelho está sem água, devido a uma avaria numa conduta que já está a ser reparada.
O presidente da câmara de Arruda dos Vinhos, Carlos Alves, disse à agência Lusa que, na segunda-feira, a maior parte das escolas deste concelho vai estar encerrada pelo mesmo motivo.
O mau tempo provocou danos numa conduta, deixando sem água cerca de sete mil habitantes da freguesia de Arruda dos Vinhos, acrescentou o autarca.
O número de desalojados no concelho de Arruda dos Vinhos subiu para 47, depois de duas famílias terem ficado com danos nas habitações na sequência de um deslizamento de terras, disse o autarca.
O mau tempo dos últimos dias levou também ao corte de várias estradas e, de momento, apenas se consegue chegar a Arruda dos Vinhos através da Estrada Nacional 248-3, por Alverca (no concelho de Vila Franca de Xira).
"Arruda está cada vez mais isolada devido a deslizamentos de terras. Só temos uma via transitável, a EN 248-3 através de Alverca" para sair ou entrar no concelho, disse o presidente da câmara.
As principais vias estão interditas à circulação, nomeadamente a EN 248, cortada nos acessos a Vila Franca de Xira e a Torres Vedras, e a EN 115 nos sentidos de Bucelas e Sobral de Monte Agraço.
A EN 115-4, no acesso a Alenquer, encontra-se apenas transitável por uma via, sem circulação de veículos pesados.
Outras vias municipais estão "completamente destruídas, comprometendo a mobilidade interna e o acesso a serviços essenciais", de acordo com o município. As localidades de Cardosas, Arranhó e Carvalha estão isoladas.
Face ao número de estradas cortadas por deslizamentos de terras, a autarquia decidiu adiar para dia 15 as eleições presidenciais no concelho.
C/ Lusa
Estrada que liga os Concelhos do Seixal e Sesimbra foi reaberta
Em comunicado, a Câmara Municipal do Seixal explica que na sequência das fortes chuvadas que assolaram o concelho no sábado, a EN 378 ficou sem condições de segurança para circulação, tendo então sido encerrada ao trânsito por tempo indeterminado.
A autarquia adianta que a entidade competente -- a Infraestruturas de Portugal -- não tinha condições para iniciar de imediato todas as obras necessárias, pelo que a Câmara Municipal do Seixal disponibilizou-se para trazer a maquinaria bem como os meios humanos e materiais para prestar o apoio para esta obra, de forma a tornar a via transitável e com condições de segurança o mais rapidamente possível, o que acabou por acontecer na tarde de hoje.
No sábado, na sequência do corte desta estrada devido a uma inundação que provocou danos no piso e colapso das bermas, a Câmara Municipal do Seixal pediu ao Governo a isenção temporária de portagens na A33.
Em comunicado, a autarquia explicava que o pedido foi endereçado ao ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, e que a medida solicitada visava mitigar o impacto do corte desta estrada na população de Fernão Ferro e nos restantes utilizadores afetados.
"Com o encerramento da EN378, a A33 tornou-se, na prática, a principal alternativa viável para assegurar a mobilidade entre as localidades acima referidas, não existindo, em muitos casos, percursos alternativos com condições semelhantes de segurança e tempo de viagem", refere, em comunicado, o presidente da Câmara Municipal do Seixal, Paulo Silva.
C/ Lusa
Leiria mantém 11 escolas fechadas na segunda-feira
Na sequência da avaliação técnica realizada, a Câmara de Leiria informou hoje que reabrem esta segunda-feira, dia 09, mais 11 escolas do concelho.
"Após os efeitos provocados pelo mau tempo, a autarquia, em articulação com os diretores dos agrupamentos de escolas e os presidentes das juntas de freguesia, procede a uma avaliação diária das condições existentes em cada estabelecimento de ensino", lê-se numa nota de imprensa.
Segundo a autarquia, esta monitorização contínua "permite aferir, de forma sustentada e rigorosa, se estão reunidas as condições de segurança necessárias para o funcionamento das atividades letivas presenciais".
Na sequência deste processo de acompanhamento, esta segunda-feira reabre a Escola Básica 2,3 de Marrazes, de forma parcial, com aulas para os 5.º e 6.º anos e 9.º ano, nas disciplinas de Português e Matemática. Os alunos dos 7.º e 8.º anos terão ensino com disponibilização de conteúdos na plataforma 'online' do agrupamento com acompanhamento docente à distância.
Neste agrupamento também abre portas a Escola Básica (EB) de Sismaria da Gândara.
No Agrupamento de Escolas (AE) Rainha Santa Isabel, na Carreira, entram em funcionamento as EB de Moita da Roda (EB e JI), de Outeiro da Fonte, de Serra do Porto Urso, de Souto da Carpalhosa (EB e JI), de Vale da Pedra e Rainha Santa Isabel.
Haverá deslocalização de salas da EB de Carreira (EB e JI) para sede da Junta de Freguesia, sendo que o edifício que acolhe estes alunos ainda está sem condições, disse à Lusa a vereadora da Câmara de Leiria Anabela Graça.
A EB 2,3 Dr. Correia Alexandre (AE de Caranguejeira e Santa Catarina da Serra) e as EB de Colmeias e de Bidoeira de Cima (EB e JI) do AE das Colmeias também retomam a atividade letiva.
"O Município mantém o acompanhamento permanente da situação, em estreita articulação com a comunidade educativa e as juntas de freguesia, reforçando que a segurança constitui o critério prioritário na tomada de decisão", adianta no comunicado.
Segundo a autarquia, a reabertura dos restantes estabelecimentos de ensino registar-se-á "à medida que fiquem garantidas todas as condições exigidas".
Anabela Graça revelou ainda que durante o fim de semana foi possível colocar 11 geradores nas 11 escolas que ainda não tinham eletricidade, garantindo que todo o parque escolar que estará a funcionar segunda-feira terá energia. "Queremos reabrir as escolas que faltam esta terça-feira", assegurou a autarca.
Catorze pessoas morreram em Portugal desde o dia 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
No Concelho de Leiria subiu para 82 o número de pessoas deslocadas
As pessoas deslocadas de casa são de Leiria, Souto da Carpalhosa e Colmeias. No total são já 82 pessoas deslocadas devido ao temporal que atingiu a zona centro.
A autarquia adiantou ainda que está marcado para este Domingo um concerto de solidariedade no pavilhão do Souto da Carpalhosa. Um grupo de voluntários da Áustria e da Hungria que está no terreno a ajudar a população vai dar um pequeno concerto.
Fuzileiros ajudam habitantes de aldeia isolada a irem votar
Os fuzileiros estão a ajudar os habitantes da Ereira, aldeia que ficou isolada devido à subida da água do Rio Mondego, a irem às urnas. A população está a votar na Associação Cultural, Desportiva e Social da Ereira, no centro da localidade.
Cáritas de Leiria-Fátima consegue angariar mais de 1,3 milhões de euros
Às 11:00, o fundo reunia 1.308.163,57 euros, que, segundo a Cáritas, refletem "a continuidade de uma mobilização solidária de grande dimensão por parte da sociedade portuguesa".
Segundo a instituição, foram já distribuídas cerca de 55 toneladas de alimentos, garantindo resposta às necessidades mais urgentes das famílias atingidas pelo mau tempo.
A Cáritas refere ainda que a partir de segunda-feira irá implementar novos procedimentos de distribuição de cabazes alimentares, com periodicidade de oito em oito dias, de forma a assegurar uma atribuição mais justa e equilibrada.
Entre os requisitos, serão solicitados aos beneficiários a assinatura de consentimento para tratamento de dados, documentos de identificação do agregado familiar, comprovativo de morada, número de contacto e declaração de não recorrer a outros centros de distribuição.
A instituição mantém a porta aberta para entrega de cabazes na segunda-feira, entre as 09:30 e as 17:00, com equipas técnicas no terreno a acompanhar as situações já reportadas.
A Cáritas Diocesana de Leiria afirmou que continuará a prestar informação atualizada através dos seus canais oficiais.
Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Energia elétrica em mais de 80% do território de Pedrógão Grande. Autarquia pede uso "responsável"
Numa publicação nas redes sociais, a Câmara Municipal de Pedrógão Grande refere que, "de acordo com a informação da E-Redes, mantém-se um avanço significativo na distribuição de energia elétrica, tendo em consideração os danos causados", tendo já sido reposta em 84% do concelho.
Contudo, o município deixa um apelo para que seja feito um "uso responsável e racionado da energia elétrica, evitando consumos excessivos", de forma a "evitar desequilíbrios de energia que podem causar quebras no fornecimento elétrico".
"A E-Redes continua no terreno, para garantir que a energia elétrica chegue a todo o território do concelho o mais rapidamente possível, tendo no terreno vários geradores", apoiados logisticamente pelo município de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, lê-se na mensagem.
Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Uma jornada eleitoral marcada pelos efeitos do mau tempo
- A votação para a segunda volta das eleições presidenciais tem decorrido dentro da normalidade, sem incidentes. Mas há 37 mil eleitores que só vão votar no próximo domingo, por causa dos efeitos da sucessão de intempéries dos últimos dias. São oito os concelhos que pediram o adiamento e em três deles não houve assembleia eleitoral em nenhuma freguesia: Alcácer do Sal, Golegã e Arruda dos Vinhos.
- Em Alcácer do Sal, depois de um sábado de alguma acalmia, a população foi novamente surpreendida pela subida do nível da água durante a noite;
- As aldeias de Casebres, Vale de Guizo e Arez, no conselho de Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, ficaram sem água potável devido a um abastecimento de água que rebentou, indicou o vereador da Proteção Civil;
- A meioda da tarde deste domingo, havia 62 mil clientes sem eletricidade. Na véspera eram 160 mil. O presidente da E-Redes admitiu mesmo um "retrocesso" e não arrisca prazos para a reposição da energia elétrica;
- A Câmara Municipal da Marinha Grande tem disponível alimento essencial para animais de espécies pecuárias que tenham sofrido impacto do mau tempo, anunciou a autarquia, referindo também não precisar de mais doações de roupa e calçada;
- Nove estradas do distrito do Porto estavam condicionadas, este domingo, devido a inundações, quedas de árvores e postes de iluminação pública e aluimentos de terras, segundo a GNR;
- A região Oeste registou 175 ocorrências relacionadas com o mau tempo nas últimas 24 horas, adiantou o comandante do Sub-Comando de Emergência e Proteção Civil, Carlos Silva;
- As câmaras das Caldas da Rainha e de Óbidos iniciaram uma intervenção de emergência para relocalizar o canal que liga a Lagoa de Óbidos ao mar, para salvaguardar um emissário submarino em risco de ficar a descoberto;
- A Agência Portuguesa do Ambiente rejeita a responsabilidade de falta de energia por questões administrativas, que diz dever-se apenas a danos na estação de bombagem, na sequência da acusação do presidente da Câmara de Montemor-o-Velho;
- Trinta e seis adultos e 20 crianças, encaminhados no sábado para uma zona de "apoio à população" devido aos danos provocados pelo mau tempo nas habitações, em Camarate, permanecem alojados naquele local, informou a Câmara Municipal de Loures.