Movimento "Resistência Nacional" garante "respeito pela legalidade"

por RTP
Manifestação anti-racismo em Lisboa após homicídio do ator Bruno Candé, no final de julho. Catarina Demony - Reuters

Em resposta à RTP, o movimento "Resistência Nacional" desmente ter enviado e-mails de ameaça, garantindo o "respeito pela legalidade" e repudiando "qualquer tipo de intimidação física ou psicológica". Na última terça-feira, três deputadas e vários elementos de associações anti-racismo receberam mensagens de ameaça assinadas pelo movimento "Nova Ordem de Avis - Resistência Nacional", em que se dava um prazo de 48 horas para que abandonassem o país. A Polícia Judiciária vai ouvir as três deputadas ameaçadas, tal como já fez com o líder da organização SOS Racismo.

O movimento “Resistência Nacional” descarta qualquer envolvimento nos e-mails enviados esta semana a três deputadas e a responsáveis da associação SOS Racismo. Contactado pela RTP, garante que o comportamento da organização ocorre “sempre dentro da legalidade”.

“Repudiamos qualquer tipo de intimidação física ou psicológica a quem quer que seja”, assegura o movimento numa resposta enviada por e-mail.

Na terça-feira, três deputadas e dirigentes de associações anti-racismo receberam um e-mail em que era concedido um prazo de 48 horas para abandonarem o país.

"Informamos que foi atribuído um prazo de 48 horas para os dirigentes antifascistas e antirracistas incluídos nesta lista, para rescindirem das suas funções políticas e deixarem o território português", lê-se na mensagem enviada às deputadas Beatriz Gomes Dias, Mariana Mortágua, Joacine Katar Moreira, entre outros visados, como Mamadou Ba, dirigente do movimento SOS Racismo.

“Sendo o prazo ultrapassado, medidas serão tomadas contra estes dirigentes e os seus familiares, de forma a garantir a segurança do povo português”, refere a mensagem assinada por uma organização que se auto-intitula  “Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional”.

O movimento acrescenta ainda que “o mês de agosto será de luta” contra “os traidores da nação e os seus apoiantes” e do “reerguer nacionalista”.

Na sequência destas ameaças, a Polícia Judiciária vai ouvir as três deputadas ameaçadas e já ouviu Mamadou Ba, dirigente da organização SOS Racismo.

De igual forma, todas as contas em redes sociais e páginas do movimento "Resistência Nacional" na internet estão a sob o escrutínio dos inspetores.


Em resposta por e-mail à televisão pública – na qual o movimento “Resistência Nacional” considera “prematuro” conceder uma entrevista, argumentando que está, para já, “concentrado na solidificação dos seus órgãos” e “angariação de ativistas” - a organização diz que não está ligada à “Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional”.

“Não temos qualquer ligação a esse movimento nem aos seus intervenientes”, afiançam, apresentando-se como “um movimento do século XXI” que nada tem a ver com a atuação de “movimentos do passado”.

O movimento apresenta-se ainda  como bandeira a “defesa do património cultural português e identidade das suas gentes”.

“Entendemos Portugal no contexto das nações europeias, na riqueza da diversidade do povo europeu e matriz cultural europeia”, acrescentam ainda. 
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