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"Burlas de amor" disparam antes do Dia Dos Namorados

"Burlas de amor" disparam antes do Dia Dos Namorados

À medida que o Dia dos Namorados se aproxima, cresce também a atividade criminosa que explora a procura por relações online para aplicar fraudes. Um estudo da NordVPN revela que o período entre janeiro e o início de fevereiro é o favorito dos “impostores do amor”.

RTP /
Nuno Patrício - RTP

O fenómeno acompanha a chamada dating season, que decorre entre 1 de janeiro e o Dia dos Namorados e é marcada por um aumento significativo de novos registos e interações em aplicações de namoro.

Os criminosos aproveitam esta dinâmica para iniciar contatos logo no início do ano, construindo relações de confiança ao longo de semanas antes de avançarem para o pedido de dinheiro.

A estratégia é calculada. Quanto maior o envolvimento emocional, maior a probabilidade de a vítima acreditar numa emergência médica, numa viagem fictícia ou noutra história criada para justificar transferências financeiras.

Janeiro é o mês de maior movimentação em fóruns da dark web e grupos de Telegram dedicados a fraudes românticas - precisamente o período que antecede 14 de fevereiro, quando milhões de pessoas recorrem a aplicações de encontros, segundo o estudo da NordVPN.

Em janeiro, os burlões costumam partilhar táticas, compram contas e anunciam serviços que facilitam as fraudes. Já em fevereiro, os cibercriminosos executam estas ações.

As burlas em questão resultaram em perdas quase de um milhão de euros (1.16 mil milhões de dólares). Os números mostram a dimensão do problema. O estudo divulgado a 9 de fevereiro pela NordVPN- que promove a segurança na internet, demonstra que, só em 2025, a Federal Trade Commission dos Estados Unidos recebeu 55 604 denúncias de burlas em contexto de romance.


"As burlas românticas já não são executadas apenas por pessoas solitárias com perfis falsos, sendo cada vez mais operações estruturadas e organizadas", explica o Investigador sénior de informações sobre ameaças da NordVPN, Mantas Sabeckis.

"É particularmente preocupante a forma como os criminosos se preparam estrategicamente em janeiro, sabendo que milhões de pessoas procuram estabelecer ligações antes do Dia dos Namorados”, acrescenta.

Uma investigação da empresa Besedo - que promove a proteção dos utilizadores contra fraudes - indica que 72,2 por cento dos utilizadores norte-americanos de aplicações de encontros afirmam ter encontrado algum tipo de fraude online, incluindo perfis falsos e tentativas de extorsão financeira. Cerca de 68 por cento relatam já ter interagido com perfis falsos.

O estudo da NortVPN aponta ainda diferenças na experiência das vítimas. Os homens reportam com maior frequência fraudes associadas a links externos e contas falsas, enquanto as mulheres relatam mais episódios de catfishing- quando alguém cria uma identidade falsa - e manipulação emocional.

Em ambos os casos, a abordagem tende a seguir um padrão semelhante. A criação de identidade credível, mudança rápida para plataformas menos reguladas e, por último, um pedido urgente de ajuda financeira.
Cupido ou fraude?
Os burlões não atuam de forma isolada. Segundo a NordVPN, trata-se frequentemente de operações organizadas, com divisão de tarefas entre quem cria perfis falsos, quem mantém as conversas e quem gere as transferências.

Além das aplicações de namoro, também redes sociais e plataformas de partilha de conteúdos são utilizadas para contornar mecanismos de segurança e aproximar-se das vítimas.

Os dados revelam que os criminosos priorizam as redes sociais Snapchat e Instagram. As mensagens privadas e a partilha de conteúdo de uma única visualização permitem que os criminosos vão ganhando maior intimidade com as vitimas e tendem a leva-las para fora dessas aplicações.

O OnlyFans- a plataforma de venda de conteúdo adulto- também está entre as plataformas favoritas pelos “burlões do amor”. Apesar de não ser uma rede social convencional, oferece um link direto para conteúdo adulto pago, tornando-a o “ambiente ideal para esquemas de revenda de conteúdo roubado”.A rede social Snapchat é a favorita de 18,8% dos impostores do amor, o Instagram de 16,9% , o OnlyFans de 17%, e ainda o Facebook, com 13,7%.


A nível das plataformas de encontros mais discutidas, o Tinder tem o lugar do pódio, com 37,5% dos criminosos a usarem a aplicação par criar relações com as suas vítimas. Segue-se a Match com 22,1%, sendo as duas aplicações de namoro com mais utilizadores.

A nível nacional, os últimos dados revelam que a “burla do amor” mantem-se como um dos esquemas de fraude online mais lucrativo.A Linha Internet Segura (LIS) recebeu 949 casos de cibercrime e violência em 2025, um aumento homólogo de 39%, sendo as burlas e a extorsão os dois crimes mais reportados.

Com a aproximação de mais um 14 de fevereiro, o alerta mantém-se. A época mais romântica do ano tornou-se também um dos períodos mais lucrativos para o crime digital.
Proteja-se contra burlas online
As chamadas “burlas do amor” raramente começam com pedidos de dinheiro. Os burlões desenvolvem uma relação com as vítimas, procuram conhecê-las- saber a sua rotina, os seus hábitos, etc- num projeto calculado ao pormenor para ganhar confiança das vítimas e só depois iniciam os pedidos de dinheiro, acompanhados com uma série de desculpas estudadas e adaptadas a cada vítima.

Algumas das formas mais usadas por estes “impostores do amor” iniciam-se com pedidos para sair da plataforma em que desenvolveram uma relação com as vítimas, mensagens de “números errados”, a usar a desculpa que se enganaram no numero para estabelecer uma relação com a vítima, emergências financeiras (normalmente depois de algum tempo e de adquirirem confiança), manipulação de dados de localização para a que lhes for mais conveniente e convites “inocentes”, em que os criminosos fazem parecer um convite e enviam um link fraudulento com o objetivo de roubar dados bancários.

Os especialistas recomendam cautela redobrada a pessoas que desenvolvem relações online. Os utilizadores devem desconfiar perante pedidos de mudança de plataforma, verificação de imagens e perfis, e sobretudo, nunca enviar dinheiro ou dados pessoais a alguém conhecido apenas online.

Quando a conexão é “boa demais para ser verdade”, normalmente é porque não é. Proteger o coração neste Dia dos Namorados, pode significar também proteger a conta bancária e evitar prejuízos de vários milhares de euros.
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