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Cancro da mama. IPO recomenda acompanhamento de doentes nos centros de saúde e hospitais

Cancro da mama. IPO recomenda acompanhamento de doentes nos centros de saúde e hospitais

O diretor clínico do IPO de Lisboa defende que os utentes que já tiveram cancro da mama há mais de cinco anos possam passar a ser seguidos pelo médico de família e hospitais. As declarações surgem depois de o Diário de Notícias ter revelado esta sexta-feira que o Instituto Português de Oncologia em Lisboa não está a conseguir assegurar mamografias de vigilância a doentes que tiveram cancro há mais de cinco anos.

RTP /
Reuters

Em declarações à Antena 1, o diretor clínico do IPO de Lisboa, João Oliveira, assinala que o instituto não tem capacidade para fazer todos os exames, mas que isso é normal, uma vez que o acompanhamento de doentes após tratamento deve ser realizado de “forma integrada”.
 
“O IPO não tem capacidade e é natural que não tenha essa capacidade. Estamos a falar de doentes que estão curadas do seu cancro da mama, mas que necessitam de vigilância periódica”, refere.

João Oliveira garante ainda que o IPO não faz cessar o acompanhamento dos utentes “de um momento para o outro”, uma vez que passam a ser seguidas pelos cuidados de saúde primários.  
 
“O normal é que os hospitais e os centros de saúde interajam e juntem os seus recursos para atender às necessidades dos doentes de uma forma integrada e mais satisfatória para eles, mais perto do domicilio quando é possível”, disse o responsável em entrevista à rádio pública.  De acordo com a Liga Portuguesa contra o Cancro, todos os anos são detetados 6 mil novos casos de cancro da mama em Portugal. O DN aponta que cerca de mil novos casos chegam todos os anos ao IPO de Lisboa.

As declarações do diretor clínico correspondem com a nota interna do Instituto Português de Oncologia em Lisboa, hoje revelada pelo Diário de Notícias, onde é recomendado que os utentes procurem a marcação de exame com o médico de família.
 
No mesmo documento, o IPO de Lisboa reconhece que o número de pedidos é superior ao de vagas e por isso não consegue assegurar a realização de mamografias de vigilância a 12 meses em utentes que não tiveram alta ao fim de cinco anos da cirurgia.  
Segundo o Diário de Notícias, 38 mulheres seguidas pelo IPO de Lisboa chegaram ao final do mês de abril sem realizarem a mamografia ou ecografia que deveria ter sido feita em novembro ou dezembro de 2017. Também até ao final de abril eram 450 as mulheres que viram ultrapassado o prazo de 12 meses de tempo de espera para novo exame.

Em entrevista à Antena 1, Paulo Cortes, presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia, concorda com a ideia de que os exames devem ser distribuídos pelas várias unidades de saúde e hospitais.  
 
Paulo Cortes considera que é uma questão de “organização de cuidados de saúde” e que é “transversal a outras grandes instituições que tratam problemas oncológicos”.
 
Já o presidente da Sociedade Portuguesa de Senologia admite que a situação que se vive no IPO de Lisboa acontece também em Coimbra e no Porto, e mesmo nos grandes hospitais centrais.

Luís Sá salienta que as “taxas de sobrevida são perfeitamente idênticas” nos casos em que o doente é seguido num hospital ou num centro de tratamentos mais especializada, como é o caso do IPO, e que por isso não há riscos ao serem acompanhados nos centros de saúde.  
 
“Não é possível a nenhuma instituição muito diferenciada acompanhar estes doentes por décadas”, salienta o responsável.

Em comunicado enviado às redações, a Sociedade Portuguesa de Senologia destaca o "aumento das taxas de sobrevida dos doentes com cancro da mama, e como tal, do número de sobreviventes".

Nesse seguimento, foram lançadas novas linhas orientadoras, no final de 2017, para que os doentes possam ser acompanhados por um médico de família após tratamento.

"Os objetivos são diminuir o número de sobreviventes seguidos por oncologistas e senologistas para que novos e atuais doentes possam ter um maior acompanhamento", refere a Sociedade Portuguesa de Senologia.

Procura-se ao mesmo tempo "dar aos médicos de família um papel crescente no acompanhamento dos sobreviventes através de informação e ferramentas que lhes permitam seguir os sobreviventes com conhecimentos alicerçados", refere a nota. 
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