Constança Urbano de Sousa diz que não ponderou a demissão

por RTP
Lusa

A ministra da Administração Interna disse, em entrevista à RTP, que apesar da calamidade ocorrida em Pedrógão Grande, em momento algum teve a intenção de se demitir do Governo. Constança Urbano de Sousa garante que enquanto tiver a confiança do primeiro-ministro não vai sair do Executivo.

"Aquilo que era mais fácil para um político era demitir-se. Eu optei por continuar a minha missão de serviço público e estar aqui dando a cara, assumindo as reponsabilidades". São estas as palavras de Constança Urbano de Sousa, quando questionada sobre se continua a manter condições para o exercício da pasta da Administração Interna.

Constança Urbano de Sousa garantiu que enquanto tiver confiança do primeiro-ministro não vai sair.

Questionada sobre se o Estado português falhou na resposta ao incêndio que lavrou em Pedrógão Grande, Constança Urbano de Sousa afirmou ser prematuro dizer se houve falhas do Estado na luta contra as chamas que mataram 64 pessoas na região centro do país.

A ministra da Administração Interna explicou que no sábado teve lugar em Pedrógão Grande uma situação anómala, que dá pelo nome de fogo eruptivo. "Não é possível afirmar que era possível prever e prevenir que este tipo de incêndios tivessem a dimensão que teve", declarou a ministra.

Para Constança Urbano de Sousa, o incêndio do último sábado merece ser investigado, recorrendo, por exemplo a uma comissão de inquérito parlamentar.

No entanto, explica que primeiro tem de ser resolvida a situação no teatro de operações.
"Perplexidade"
Constança Urbano de Sousa disse que o facto de a Estrada Nacional 236 ter estado aberta durante o incêndio lhe causou alguma perplexidade.

No entanto, explicou que de um ponto de vista científico lhe foi dito que as condições meteorológicas da zona formaram um fogo eruptivo difícil de travar e que causou surpresa à Proteção Civil e GNR.

No entanto, a ministra da Administração Interna não descarta investigações sobre a razão pela qual a estrada não foi fechada.

"Temos que ter resposta sobre esse facto".
Atuação do SIRESP questionada
Nos últimos dias tem sido referido que o sistema integrado das redes de emergência e segurança de Portugal, o SIRESP, falhou durante várias horas. No entanto, Constança Urbano de Sousa garantiu que não houve falha total do sistema mas sim intermitências.


A ministra afirmou que foram colocadas torres de comunicação via satélite, por volta das 20h00, para ajudar às comunicações da rede SIRESP. A ministra acabou mesmo por garantir que não teve informação sobre a falha total do sistema, tal como havia sido noticiado na imprensa.
Informação do IPMA "subvalorizada"
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera respondeu esta quarta-feira às perguntas colocadas por António Costa para saber o que realmente aconteceu em Pedrógão Grande no último sábado. O IPMA informou dos níveis de calor que iam ter lugar em Portugal e do elevado risco de incêndio na zona.

Constança Urbano de Sousa admite que pode ter havido uma subvalorização da informação veiculada, mas garantiu que os meios disponíveis tiveram prontidão na resposta. E para isso falou do número de incêndios em Portugal no último sábado.

A ministra revelou que existiram em território luso 156 incêndios ativos, nos quais estiveram nove mil operacionais apoiados por centenas de viaturas e meios aéreos.

"Todos os incêndios foram debelados, apenas dois ficaram por resolver [Pedrógão Grande e Góis] e tiveram estas consequências", disse.
Ordenamento, um tema sensível
Mas ao qual Constança Urbano de Sousa não foge. A ministra da Administração Interna diz que está em andamento um decreto-lei que permite a que não haja uma monocultura plantada por vários territórios em Portugal. tal como acontece com o eucalipto.

De acordo com a ministra, as medidas vão permitir uma reflorestação que torne a floresta portuguesa mais resiliente, com novos planos diretores florestais. Para além desta medida, Constança Urbano de Sousa falou dos montantes que são aplicados no combate aos incêndios.

De acordo com a ministra, no último ano foram investidos 72 milhões no combate a incêndios, sendo que este ano esse montante se vai cifrar nos 76 milhões de euros.
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