País
Constrangimentos no SNS. Médicos mantêm escusas, enfermeiros entram em greve
Os enfermeiros representados pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal iniciam esta sexta-feira uma greve ao trabalho extraordinário que se arrasta até 31 de dezembro. Os profissionais exigem a correção de desigualdades na carreira. Paralelamente, perdura a recusa dos médicos a horas extraordinárias para lá dos limites contratuais, que está a causar constrangimentos em hospitais de todo o país.
No caso dos enfermeiros, é exigida a abertura imediata de negociações com a tutela, para corrigir a "estagnação salarial" e as desigualdades na contagem do tempo de serviço entre os profissionais do continente e das regiões autónomas.
A RTP esteve esta manhã no Centro de Saúde de Agualva, onde dezenas de pessoas aguardaram à porta para conseguirem uma senha e serem atendidos, como é habitual acontecer.
Já no Centro de Saúde de Odivelas a fila no exterior era menor. Um dos utentes disse à RTP ter chegado às 6h00 na esperança de ser atendido ainda hoje.
A falta de médicos de família torna por vezes difícil fazer as ligações entre situações de alguns pacientes nos hospitais e o seguimento nos centros de saúde.
Além da greve convocada pelo Sindepor, está a decorrer desde segunda-feira uma outra greve às horas extraordinárias convocada pelo Sindicato Nacional dos Enfermeiros e que deverá prolonga-se até 25 de novembro.
“Não me venham dizer que não há dinheiro”, diz Raimundo
Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, deslocou-se ao Centro de Saúde de Odivelas esta manhã para “um contacto com a realidade da vida e das dificuldades das pessoas”.
“A realidade do dia-a-dia das pessoas contrasta com toda aquela realidade paralela que parece que o Governo vive. As pessoas vivem com constantes dificuldades, com dificuldades de acesso a médicos de família, a consultas, tratamentos”.
Para Paulo Raimundo, quem ouve o primeiro-ministro e o ministro da Saúde fica com a ideia de que “está tudo bem”. “Até chegam ao descalabro de pedir às pessoas que, em vez de virem ao médico, telefonem para a linha Saúde 24”, criticou. O PCP propõe resolver esta situação com a fixação de profissionais de saúde, particularmente médicos, melhorando para isso as suas condições salariais.
“Há condições, há meios, há recursos e há dinheiro. Não me venham dizer que não há dinheiro, porque se não houvesse não se davam dois mil milhões de benefícios fiscais no próximo ano aos grandes grupos económicos”, defendeu o líder comunista.
Constrangimentos em hospitais
À greve dos enfermeiros junta-se o protesto dos médicos que recusam fazer mais horas extraordinárias, provocando fortes constrangimentos nas urgências de hospitais de todo o país.
Há cerca de 38 hospitais com quase 90 por cento de serviços encerrados. A urgência de ortopedia do hospital de Vila Real vai estar indisponível durante 11 noites de novembro, mês em que a urgência pediátrica de Chaves também estará fechada.Também este mês, a urgência de cirurgia do hospital de Portalegre estará fechada cerca de 20 dias.
A RTP esteve esta manhã no Hospital de Santa Maria da Feira, onde a pressão se faz sentir depois de terem sido entregues 125 recusas num universo de 530 médicos, ou seja, 23 por cento do corpo clínico.
Nesta unidade de saúde notam-se condicionamentos especialmente durante a noite na ortopedia, com vários utentes a serem desviados para outros hospitais. Já a urgência de pediatria vai ser fechada durante as noites do fim de semana.
Carlos Carvalho, diretor clínico do Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga, considera a situação “preocupante”, mas destaca a “excelente colaboração” com o Hospital de Aveiro. “Temos drenado doentes sempre que necessário”, explicou à RTP. “Nós estamos a todo o momento a fazer a refazer as escalas, tentando minimizar o impacto”, acrescentou.
A reunião entre os sindicatos dos médicos e o Governo, que estava prevista para esta sexta-feira, passou para sábado à tarde.
A RTP esteve esta manhã no Centro de Saúde de Agualva, onde dezenas de pessoas aguardaram à porta para conseguirem uma senha e serem atendidos, como é habitual acontecer.
Já no Centro de Saúde de Odivelas a fila no exterior era menor. Um dos utentes disse à RTP ter chegado às 6h00 na esperança de ser atendido ainda hoje.
A falta de médicos de família torna por vezes difícil fazer as ligações entre situações de alguns pacientes nos hospitais e o seguimento nos centros de saúde.
Além da greve convocada pelo Sindepor, está a decorrer desde segunda-feira uma outra greve às horas extraordinárias convocada pelo Sindicato Nacional dos Enfermeiros e que deverá prolonga-se até 25 de novembro.
“Não me venham dizer que não há dinheiro”, diz Raimundo
Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, deslocou-se ao Centro de Saúde de Odivelas esta manhã para “um contacto com a realidade da vida e das dificuldades das pessoas”.
“A realidade do dia-a-dia das pessoas contrasta com toda aquela realidade paralela que parece que o Governo vive. As pessoas vivem com constantes dificuldades, com dificuldades de acesso a médicos de família, a consultas, tratamentos”.
Para Paulo Raimundo, quem ouve o primeiro-ministro e o ministro da Saúde fica com a ideia de que “está tudo bem”. “Até chegam ao descalabro de pedir às pessoas que, em vez de virem ao médico, telefonem para a linha Saúde 24”, criticou. O PCP propõe resolver esta situação com a fixação de profissionais de saúde, particularmente médicos, melhorando para isso as suas condições salariais.
“Há condições, há meios, há recursos e há dinheiro. Não me venham dizer que não há dinheiro, porque se não houvesse não se davam dois mil milhões de benefícios fiscais no próximo ano aos grandes grupos económicos”, defendeu o líder comunista.
Constrangimentos em hospitais
À greve dos enfermeiros junta-se o protesto dos médicos que recusam fazer mais horas extraordinárias, provocando fortes constrangimentos nas urgências de hospitais de todo o país.
Há cerca de 38 hospitais com quase 90 por cento de serviços encerrados. A urgência de ortopedia do hospital de Vila Real vai estar indisponível durante 11 noites de novembro, mês em que a urgência pediátrica de Chaves também estará fechada.Também este mês, a urgência de cirurgia do hospital de Portalegre estará fechada cerca de 20 dias.
A RTP esteve esta manhã no Hospital de Santa Maria da Feira, onde a pressão se faz sentir depois de terem sido entregues 125 recusas num universo de 530 médicos, ou seja, 23 por cento do corpo clínico.
Nesta unidade de saúde notam-se condicionamentos especialmente durante a noite na ortopedia, com vários utentes a serem desviados para outros hospitais. Já a urgência de pediatria vai ser fechada durante as noites do fim de semana.
Carlos Carvalho, diretor clínico do Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga, considera a situação “preocupante”, mas destaca a “excelente colaboração” com o Hospital de Aveiro. “Temos drenado doentes sempre que necessário”, explicou à RTP. “Nós estamos a todo o momento a fazer a refazer as escalas, tentando minimizar o impacto”, acrescentou.
A reunião entre os sindicatos dos médicos e o Governo, que estava prevista para esta sexta-feira, passou para sábado à tarde.