Duplicou o número de casais que esperam doações para terem filhos

por RTP
Os casais que esperam por gâmetas masculinos triplicaram para 480 Enrique Castro-Mendivil - Reuters

O número de casais à espera da doação de ovócitos e espermatozoides para poderem ter filhos mais do que duplicou. O Jornal de Notícias avançou esta quarta-feira que o Banco Público de Gâmetas tinha pendentes 769 pedidos no primeiro semestre deste ano.

O tempo de espera para estes casais ultrapassa os dois anos, o que representa um aumento de 128 por cento face ao mesmo período do ano passado. Para o esperma, o tempo de espera fixa-se nos 26 meses e para ovócitos nos 29 meses.

A principal razão para esta espera é o facto de não existirem dadores masculinos no sistema público. Já no setor privado, o material genético está a ser importado de outros países.

A causa pode estar relacionada com a decisão tomada a 24 de abril pelo Tribunal Constitucional, que colocou um fim à anonimidade dos dadores. Desde então, o número reduziu e atualmente estão sob avaliação apenas 17 candidatos.

O Banco Público de Gâmetas “está desesperado porque não consegue encontrar dadores masculinos”, considerou o presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina de Reprodução, Pedro Xavier, em declarações ao JN.

Se, por um lado, os casais que esperam por gâmetas masculinos triplicaram para 480, os que aguardam gâmetas femininos são menos mas enfrentam um entrave diferente, já que as mulheres querem doar mas, pelo menos a sul de Coimbra, não têm onde o fazer e as deslocações não são comportáveis.

“As doações femininas aumentaram bastante depois do acórdão”, explicou ao JN a presidente do Conselho Nacional da Procriação Medicamente Assistida, Carla Rodrigues. “O acórdão do TC funcionou como uma campanha de sensibilização. As mulheres não tinham noção dos tempos de espera e das dificuldades”.

Ainda assim, existem casos em que estas dadoras chegavam mesmo a ser recusadas, como aconteceu na Maternidade Alfredo da Costa, que o fazia por falta de “recursos humanos”.
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