Pequena franja de manifestantes põe em causa cumprimento da lei, diz MAI
"Abuso de poder". Defesa dos manifestantes vai fazer queixa contra MAI e diretor da PSP
A defesa dos manifestantes vai avançar com uma queixa contra o ministro da Administração Interna e o diretor nacional da PSP por "abuso de poder". Foram detidas 13 pessoas na última madrugada.
Das primeiras a sair foi Célia Monteiro, uma das "mães pela Acampada". Foi o filho que foi buscar a mãe à esquadra.
À saída da esquadra do Martim Moniz, em Lisboa, o advogado dos manifestantes garantiu que vai avançar nos tribunais contra Luís Neves e contra o diretor nacional da PSP.
Ao todo, 13 pessoas foram detidas: sete no porto, seis em Lisboa. Uma delas é um jovem lituano que estava apenas por perto.
A organização da Acampada diz que mais de 50 pessoas ficaram feridas, três com gravidade.
Os manifestantes falam num tratamento desigual nas próprias urgências.
Treze agentes da PSP também ficaram feridos.
Os detidos são presentes a juiz esta segunda-feira, às dez da manhã no Porto e às duas da tarde em Lisboa.
Polícia acusada de usar bastões, cães e tasers contra manifestantes no Porto
A carga policial no Porto avançou depois de os manifestantes terem recusado retirar as tendas e continuado a gritar palavras de ordem. A polícia empurrou a multidão pelas ruas próximas da Praça D. João I até à desmobilização na Avenida dos Aliados.
Mecanismo de Prevenção de Tortura diz ser cedo para dizer se houve excessos da polícia
O Mecanismo Nacional de Prevenção de Tortura e Maus-tratos acompanhou toda a operação policial da última madrugada, mas indica que ainda é cedo para dizer se houve excessos.
Luís Neves: "O meu lugar está permanentemente à disponibilidade do primeiro-ministro"
O ministro da Administração Interna reagiu aos confrontos durante as manifestações, assegurando que a ação policial não foi uma decisão política e que a polícia tem "autonomia técnica".
Luís Neves assegurou ainda que a "ação inicial da polícia" não foi "uma ação violenta" e expressou total confiança relativamente à PSP.
"Ninguém pode negar que a PSP fez este enorme esforço" de diálogo, referiu o ministro em declarações aos jornalistas em Leiria.
Garantiu ainda que o Governo "está totalmente disponível para auscultar" quem "tenha propostas", nomeadamente membros da sociedade civil.
Sobre a decisão anunciada há momentos pelo PS, que vai chamar Luís Neves com carácter de urgência ao Parlamento para dar explicações, o ministro afirmou que o seu lugar "está permanentemente" à disponibilidade do primeiro-ministro.
Questionado acerca do polícia à paisana que mostrou uma arma de fogo durante a manifestação, o ministro afirmou que a "utilização de qualquer arma tem de ser justificada", mas disse não ter ainda informação que permita esclarecer esse tema.
PS vai chamar com urgência Luís Neves ao Parlamento para explicar operações policiais
"O uso desproporcionado da força é inaceitável numa democracia", acrescentou.
Polícia à paisana foi "forçado" a "recorrer à arma de fogo como elemento dissuasor", diz sindicato
"O que ele faz é o recurso passivo à arma de fogo, seja ele empunhando a arma, seja ele apontando a arma. Não há o recurso efetivo contra pessoas", explicou Bruno Pereira em entrevista à RTP Notícias.
O sindicalista frisou que o agente à paisana foi "forçado ou pressionado a ter que que recorrer à arma de fogo como elemento dissuasor".
Disse ainda que não era suposto o agente estar isolado.
Sobre os confrontos em Lisboa e no Porto, Bruno Pereira afirmou que, "mais uma vez, acordamos com um dia infeliz".
"Imagens que eram perfeitamente escusadas e evitáveis caso tivesse existido o cumprimento das ordens que foram dadas e para as quais nós teimosamente insistimos, a fazer braço-de-ferro", acrescentou.
O responsável assegurou que "a polícia não está contra ninguém" e "não é nenhum instrumento político do Estado".
PCP acusa Governo de dar "orientação para a ação repressiva" da polícia
“Em vez de soluções, o Governo, explorando acontecimentos que só o responsabilizam, assume o propósito da limitação das liberdades, nomeadamente da liberdade de manifestação”, refere o PCP.
O partido acusa o Executivo de dar “orientação para a ação repressiva das forças policiais” e exige “o apuramento cabal das responsabilidades políticas da ação repressiva em curso”.
INEM fala em nove pessoas assistidas em Lisboa e 16 no Porto, todos feridos ligeiros
Já no Porto, 16 pessoas foram assistidas, seis das quais transportadas para o Hospital de Santo António.
Todos os feridos, em Lisboa e no Porto, foram classificados como ligeiros.
Seguro já conversou com primeiro-ministro e provedora de Justiça
A informação foi transmitida à agência Lusa por fonte oficial da Presidência da República, depois de ter sido divulgado que António José Seguro tinha pedido informações ao Governo e à Provedoria de Justiça sobre o que se passou nas manifestações de Lisboa e do Porto, em que houve novas cargas policiais, e sobre a situação dos detidos e feridos.
c/ Lusa
Acampada de Lisboa promove concentração contra violência policial e diz que dez pessoas estão hospitalizadas
Por isso, o movimento vai organizar hoje, às 17h00, no Rossio, uma concentração contra a violência policial e pela habitação.
"Esta noite, a Acampada de Lisboa voltou a ser alvo de violência policial. Pelas 04:15, a PSP carregou indiscriminadamente sobre manifestantes, provocando feridos e destruindo estruturas comunitárias da acampada. Esta é a terceira intervenção policial violenta contra a Acampada de Lisboa em menos de três semanas", expôs o movimento.
Além de feridos, houve seis manifestantes detidos, tendo sido já libertados, prevendo-se que sejam presentes a juiz na segunda-feira.
c/ Lusa
Pedro Nuno Santos apela à participação nas manifestações e condena carga policial
"Assistimos a mais duas cargas policiais em Lisboa e no Porto sem que a ordem tivesse sido posta em causa pelos manifestantes. Até quando vamos permitir que isto continue a acontecer?", questionou.
O antigo líder socialista escreveu ainda que "há, pelo menos, uma resposta que podemos dar: sermos cada vez mais os que participam nas manifestações pelo direito à habitação mas também pela defesa da nossa democracia e pelo direito de manifestação".
Defesa dos manifestantes vai participar criminalmente contra ministro e diretor da PSP
O advogado falava aos jornalistas junto à esquadra da Rua da Palma, em Lisboa, para onde foram levados manifestantes detidos após a carga policial contra a acampada pelo direito à habitação, durante a madrugada de hoje.
Para a defesa dos manifestantes, "os únicos autores de crimes nestas circunstâncias são o ministro da Administração Interna, Luís Neves, e o diretor nacional da PSP, Coelho de Moura".
Quanto aos seis manifestantes detidos em Lisboa após a carga policial desta madrugada, Ricardo Sá Fernandes referiu que "estes jovens e alguns menos jovens não cometeram nenhum crime", porque a ordem que lhes foi dada de dispersão da Praça D. Pedro IV, no Rossio, onde estavam concentrados, com tendas montadas, "é uma ordem ilegítima".
"Isto foi um abuso de poder, é absolutamente intolerável que 50 anos depois do 25 de Abril tenhamos que assistir a uma atuação digna dos tempos antes do 25 de Abril", expôs.
c/ Lusa
Presidente da República pediu informações "com todo o detalhe" sobre o que se passou esta madrugada
Segundo fonte oficial da Presidência da República, António José Seguro "solicitou informações e esclarecimentos, com todo o detalhe, sobre o que se viveu esta madrugada nas manifestações em Lisboa e Porto e o que está a passar-se com os manifestantes detidos e com todas as pessoas feridas".
Segundo a agência Lusa, as informações foram solicitadas ao Governo e à Provedoria de Justiça, tendo em conta o acompanhamento feito pelo Mecanismo de Prevenção.
c/ Lusa
Repórter de imagem da CMTV foi agredido à bastonada pela PSP no Porto
Força "desmedida". Sete manifestantes detidos pela PSP no Porto foram libertados
Foram apreendidas quase 100 tendas em Lisboa e Porto
A PSP termina o comunicado assegurando que "respeita e garante o exercício do direito de reunião e de manifestação, constitucionalmente consagrado", mas ressalvando que "o exercício destes direitos deve, contudo, decorrer de forma pacífica, com respeito pelos direitos dos restantes cidadãos".
"A PSP considera igualmente importante sublinhar que o exercício do direito de manifestação não pode justificar atos de vandalismo ou de dano no património público, que pertence a todos os cidadãos e deve ser preservado. Neste contexto, importa recordar os danos provocados no edificado público, designadamente na estátua de D. Pedro IV, situada no centro da Praça D. Pedro IV (Rossio), em Lisboa".
PSP diz que oito dos 13 polícias feridos foram assistidos no hospital
Relativamente aos polícias, foram registados 13 feridos, “dos quais oito necessitaram de transporte a unidade hospitalar para receber assistência médica”.
A PSP frisa que o balanço de feridos é ainda provisório, sendo expectável que possa vir a ser atualizado.
Polícia à paisana retirou arma de fogo quando manifestantes se aproximaram
PSP diz que manifestantes no Rossio arremessaram garrafas e artigos de pirotecnia
“A Polícia de Segurança Pública (PSP) desenvolveu, hoje, a partir das 04h30, uma operação policial na Praça D. Pedro IV (Rossio), em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, com o objetivo de repor a legalidade na utilização e ocupação daqueles espaços públicos”, começa por dizer.
“A PSP interveio na sequência da necessidade de repor a legalidade na ocupação da Praça D. Pedro IV, em Lisboa, e da Praça D. João I, no Porto, assegurando a desocupação dos espaços públicos, cuja utilização se encontrava condicionada pela instalação e manutenção de estruturas de acampamento sem a necessária autorização legal”.
No decurso das intervenções “foram registadas situações de resistência ativa por parte de alguns dos presentes, que dificultaram a atuação policial”, garante a polícia.
Segundo a PSP, no Rossio foram arremessados diversos objetos contra os polícias, designadamente “garrafas, artigos de pirotecnia e tinta, existindo suspeitas de que esta última pudesse conter uma mistura de produto inflamável”.
“Posteriormente, já na zona da Praça da Figueira, verificou-se que alguns manifestantes retiraram garrafas dos caixotes do lixo, arremessando-as contra os polícias. Foram igualmente utilizadas grades e mesas pertencentes a uma estrutura ali instalada, que foram movimentadas e utilizadas para dificultar a intervenção e o avanço policial”.
Organização fala em pelo menos seis feridos em Lisboa, três dos quais estarão hospitalizados
Dezenas de manifestantes em vigília pelos detidos na esquadra do Heroísmo
Os presentes foram "recebidos", a partir das 7h45, por uma dezena de elementos da Unidade Especial de Polícia, que se posicionaram na porta e ao longo da fachada, retirando do passeio do lado da esquadra alguns manifestantes e obrigando-os a mudarem-se para passeio oposto.
A aparição das forças policiais foi recebida com protestos e gritos de "vergonha".
Segundo a organização, num balanço preliminar divulgado cerca das 5h45, resultaram 35 feridos ligeiros e três graves da carga policial sobre os manifestantes, além de sete detidos, confirmados por um dos advogados do movimento, Tiago Machado.
A polícia carregou sobre os manifestantes que tinham voltado a erguer a Acampada na Praça D. João I, onde desde 10 de outubro decorre um protesto em prol do direito à habitação, destruindo o acampamento e afastando os presentes.
Mais tarde, junto à Câmara do Porto, os manifestantes foram alvo de nova carga, e já na vigília no Heroísmo surgiram elementos do corpo de intervenção à porta da esquadra, para já sem ação.
Ao longo da noite, a PSP e os manifestantes dialogaram sobre a permanência na praça D. João I, com a polícia a apelar a que desmontassem as tendas, condição que permitiria que ali pernoitassem. Os presentes rejeitaram a desmontagem das tendas.
c/ Lusa
Treze polícias feridos nas acampadas
Em declarações aos jornalistas na sede da PSP em Lisboa, Sérgio Soares argumentou que o uso da força só aconteceu após os manifestantes atirarem tintas e petardos contra a polícia.
Entre os 13 detidos na intervenção policial nas manifestações pelo direito à habitação, o porta-voz da PSP explicou que seis foram detidos em Lisboa e sete no Porto.
Já dos polícias feridos, todos no Porto, dez eram da polícia de intervenção e três estavam numa unidade à civil.
Um quarto polícia desta unidade à paisana no Porto retirou a arma de fogo quando os manifestantes se aproximaram, admitiu Sérgio Soares.
O porta-voz da PSP disse que as concentrações punham em causa outros direitos, nomeadamente ao descanso, à livre circulação e impediam o trabalho dos jornalistas.
Em resposta aos jornalistas acrescentou que uma faixa utilizada na manifestação de Lisboa também justificou o "uso da força" porque dificultava avanço da polícia.
Questionado pelos jornalistas sobre o facto de a intervenção de hoje ter acontecido mais tarde do que na semana passada, o porta-voz da PSP explicou que houve um período mais longo de mediação, o que se deveu em parte ao facto de haver deputados presentes em Lisboa, nomeadamente Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto, do Livre, e Pedro Delgado Alves, do PS.
c/ Lusa
Pelo menos 13 detidos
O movimento que organizou o protesto no Porto fala em mais de 30 feridos.
Foram confirmadas 13 detenções, seis em Lisboa e sete no Porto.