Militares em protesto mantêm "passeio" na baixa
A comissão organizadora da manifestação de militares proibida pelo Governo Civil de Lisboa anunciou que mantém a realização do protesto quinta-feira, argumentando que se trata de "um passeio".
Em declarações aos jornalistas na baixa lisboeta, Fernandes Torres, da comissão organizadora do protesto, afirmou não encontrar nada na lei que proíba "um passeio".
"Estamos determinados a defender os nossos direitos de cidadania (...) reiteramos o convite a todos os oficiais, sargentos e praças no activo, reserva e reforma para amanhã a partir das 18:00 trazerem as suas famílias a passear no Rossio e nas imediações", disse.
Para José Fernandes Torres o que os militares amanhã vão fazer "é passear", não existindo nada na lei "que o proíba".
O membro da comissão promotora da iniciativa disse, por isso, não temer sanções disciplinares sobre os militares que nela participem, na sequência do parecer divulgado quarta-feira pelos chefes militares.
"Não vamos fazer manifestação nenhuma e portanto não temos receio nenhum disso. Uma manifestação caracteriza-se por uma série de iniciativas, nomeadamente abrir cartazes, palavras de ordem, eventualmente impedimento da passagem pelo cidadão comum e amanhã não pretendemos nada disso", sustentou.
Lamentando a decisão do Governo Civil de considerar ilegal a manifestação - decisão que considerou "ilegal, injusta e sem fundamento" - Fernandes Torres acusou o Governo de se colocar "fora da lei".
"O Governo refugia-se na proibição, intimidação, e na repressão de cidadãos responsáveis e conscientes. Revela que não tem a consciência tranquila. Pretende sobrepor a razão da força à força da razão", salientou.
Fernandes Torres disse ainda compreender "que o Presidente da República esteja preocupado com a instituição militar e com a condição militar", reiterando o apelo dirigido a Cavaco Silva para utilizar toda a sua influência junto do Governo.
Quanto à participação de militares fardados na iniciativa de quinta-feira, Fernandes Torres afirmou: "Deixamos à consideração de cada um essa iniciativa [comparecer fardado]. Podem também vir vestidos de luto porque também é um sinal de que estamos indignados", sugeriu.
"Passear fardado não é crime", defendeu.
Os militares em protesto criticam a redução, no Orçamento de Estado de 2007, de cerca de 50 por cento nas verbas para a despesa com a saúde dos militares e familiares, a diminuição de cerca de 25 por cento nas verbas destinadas às remunerações de reserva e a redução de cerca de 900 efectivos.