País
Montenegro afasta "país em turbulência". Dezenas de feridos em investida da polícia contra manifestantes no Porto
Os distúrbios precipitaram-se quando as forças de segurança obrigaram os manifestantes a remover as tendas que reergueram na Praça D. João I. A partir de Bruxelas, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, saiu em defesa das autoridades e descartou que o país esteja "em turbulência".
Mais de 30 manifestantes pelo direito à habitação a pernoitar na Praça D. João I, no centro do Porto, ficaram feridos, durante a madrugada desta quinta-feira, no decurso de uma intervenção das forças de segurança destacadas para o local.
Entre os feridos assistidos no local e em hospitais da região, há pelo menos duas pessoas com fraturas.O segundo acampamento inseria-se no protesto contra a crise imobiliária e o aumento do custo de vida, em curso desde o passado fim de semana.
Os manifestantes dizem ter sido alvo de "violência extrema e desproporcional", sublinhando tratar-se de "um movimento ativista pacífico".
Em comunicado, o Movimento pela Habitação veio denunciar "a intervenção policial violenta no Porto esta madrugada", apontando para pelo menos "37 feridos, dois em estado grave". "O movimento denuncia veementemente o uso de força extrema, desproporcional e injustificada durante a intervenção policial na acampada, que se manteve, desde o primeiro momento, pacífica, sem nunca incitar à violência", lê-se na nota.
"Entre os episódios mais graves, destaca-se a agressão a uma pessoa com deficiência, bem como o internamento hospitalar de vários participantes na sequência da intervenção. A violência exercida contra pessoas que se manifestavam pacificamente é inaceitável e exige o imediato apuramento dos factos e a responsabilização dos envolvidos". Depoimento de Tomás Almeida, manifestante hospitalizado, à RTP Antena 1
O comandante dos Bombeiros Voluntários do Porto confirma à RTP Antena 1 que oito pessoas foram assistidas no seu quartel, localizado perto da Praça D. João I. Foi já depois das 4h00 que os manifestantes foram até ao quartel, descreve Luís Silva, para procurar assistência. Duas pessoas foram encaminhadas para o hospital.
"Continuar a crescer e não só no Porto"
Na noite de quarta-feira, após uma denominada assembleia popular com mais de meio milhar de pessoas, o porta-voz do movimento, Pedro Manuel, adiantava que fora decidido continuar com o protesto na Praça D. João I “e novamente dormir em tendas”.
“Convocámos o povo para decidir se querem que acampemos para continuar a protestar. O povo quer, vamos acampar, estamos a levantar as tendas”, adiantava o porta-voz em declarações citadas pela agência Lusa, acrescentando que seriam erguidas cerca de 60 tendas.
Questionado sobre se o movimento receava nova ação, por parte da Polícia Municipal, para desmantelar o acampamento, Pedro Manuel reconhecia que era essa ”a expectativa, infelizmente”. O porta-voz argumentou haver “autorização para manifestação até dia 20”.
Antes da operação policial, o movimento mantinha a expectativa de “continuar a crescer e não só no Porto”, apelando a manifestações “em outras cidades, como já está convocado em Lisboa para sábado”.
“O apoio que temos é popular, temos indivíduos de todas as áreas, espectro político, temos idosos, jovens, crianças, trabalhadores, estudantes, temos pessoas de vários partidos que vêm, não institucionalmente, mas pessoalmente, porque esta é uma luta de todos, é uma luta de todos os portugueses, todos os que vivem em Portugal, que querem habitar em Portugal, em Espanha, Itália, França, é uma luta geral”, vincou Pedro Manuel.
A Polícia Municipal havia já retirado, na segunda-feira, dezenas de tendas montadas na Praça D. João I. Em comunicado, a Câmara Municipal do Porto afirmava, então, que “a ocupação” fora “avaliada pelas entidades competentes e forças de segurança, a quem cabe atuar em conformidade com a lei, não permitindo a ocupação ilegal e degradação do espaço público”.
O presidente da Câmara do Porto avisou na quarta-feira que a autarquia seria "absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas".
"É evidente que a Praça D. João I não é um parque de campismo, e não vai transformar-se num parque de campismo. Vamos ser absolutamente implacáveis com qualquer tentativa de colocação de tendas naquela zona", enfatizou Pedro Duarte.
Montenegro defende autoridades e afasta turbulência
Por sua vez, o primeiro-ministro disse esta manhã, em declarações aos jornalistas em Bruxelas, não ter informação “muito concreta” sobre os confrontos no Porto, mas vincou que “as nossas forças de segurança são extraordinariamente criteriosas e respeitadoras”.
“Aquilo que posso dizer é que é preciso garantir que as pessoas podem exercer o seu direito de manifestação, ao mesmo tempo que é preciso garantir que esse direito não colide com outros direitos”, nomeadamente o de circulação ou tranquilidade e ordem pública, considerou, à entrada para a reunião do Conselho Europeu em Bruxelas.
“As autoridades devem atuar (…) com base nos princípios da necessidade, da adequação e da proporcionalidade. E sempre que for necessário para garantir a autoridade pública e do Estado, naturalmente agir perante as ofensas que alguns cidadãos possam fazer sobre isso”. Questionado sobre se teme que os confrontos no Porto sejam o início de manifestações mais violentas, como as que se têm registado em França, o primeiro-ministro disse esperar que os partidos políticos, movimentos associativos e organizações portuguesas “não caiam na tentação de, por razões meramente egoísticas da sua própria ação, importarem para Portugal climas de instabilidade, de contestação, que não têm de facto respaldo na sociedade portuguesa”.
A manifestação no Porto “é elucidativa sobre isso: sobre a dimensão daquilo que é legítimo – que é protestar, exprimir uma posição política – face àquilo que é dominante no país”, afirmou Luís Montenegro.
“Nós não temos essa instabilidade, nós não temos esse nível de conflitualidade e não podemos cair no erro de considerar que escassas pessoas dão agora uma ideia de um país que parece que está agora em turbulência. Não está”, assegurou.
c/ Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1
Entre os feridos assistidos no local e em hospitais da região, há pelo menos duas pessoas com fraturas.O segundo acampamento inseria-se no protesto contra a crise imobiliária e o aumento do custo de vida, em curso desde o passado fim de semana.
Os manifestantes dizem ter sido alvo de "violência extrema e desproporcional", sublinhando tratar-se de "um movimento ativista pacífico".
Em comunicado, o Movimento pela Habitação veio denunciar "a intervenção policial violenta no Porto esta madrugada", apontando para pelo menos "37 feridos, dois em estado grave". "O movimento denuncia veementemente o uso de força extrema, desproporcional e injustificada durante a intervenção policial na acampada, que se manteve, desde o primeiro momento, pacífica, sem nunca incitar à violência", lê-se na nota.
"Entre os episódios mais graves, destaca-se a agressão a uma pessoa com deficiência, bem como o internamento hospitalar de vários participantes na sequência da intervenção. A violência exercida contra pessoas que se manifestavam pacificamente é inaceitável e exige o imediato apuramento dos factos e a responsabilização dos envolvidos". Depoimento de Tomás Almeida, manifestante hospitalizado, à RTP Antena 1
O comandante dos Bombeiros Voluntários do Porto confirma à RTP Antena 1 que oito pessoas foram assistidas no seu quartel, localizado perto da Praça D. João I. Foi já depois das 4h00 que os manifestantes foram até ao quartel, descreve Luís Silva, para procurar assistência. Duas pessoas foram encaminhadas para o hospital.
"Continuar a crescer e não só no Porto"
Na noite de quarta-feira, após uma denominada assembleia popular com mais de meio milhar de pessoas, o porta-voz do movimento, Pedro Manuel, adiantava que fora decidido continuar com o protesto na Praça D. João I “e novamente dormir em tendas”.
“Convocámos o povo para decidir se querem que acampemos para continuar a protestar. O povo quer, vamos acampar, estamos a levantar as tendas”, adiantava o porta-voz em declarações citadas pela agência Lusa, acrescentando que seriam erguidas cerca de 60 tendas.
Questionado sobre se o movimento receava nova ação, por parte da Polícia Municipal, para desmantelar o acampamento, Pedro Manuel reconhecia que era essa ”a expectativa, infelizmente”. O porta-voz argumentou haver “autorização para manifestação até dia 20”.
Antes da operação policial, o movimento mantinha a expectativa de “continuar a crescer e não só no Porto”, apelando a manifestações “em outras cidades, como já está convocado em Lisboa para sábado”.
“O apoio que temos é popular, temos indivíduos de todas as áreas, espectro político, temos idosos, jovens, crianças, trabalhadores, estudantes, temos pessoas de vários partidos que vêm, não institucionalmente, mas pessoalmente, porque esta é uma luta de todos, é uma luta de todos os portugueses, todos os que vivem em Portugal, que querem habitar em Portugal, em Espanha, Itália, França, é uma luta geral”, vincou Pedro Manuel.
A Polícia Municipal havia já retirado, na segunda-feira, dezenas de tendas montadas na Praça D. João I. Em comunicado, a Câmara Municipal do Porto afirmava, então, que “a ocupação” fora “avaliada pelas entidades competentes e forças de segurança, a quem cabe atuar em conformidade com a lei, não permitindo a ocupação ilegal e degradação do espaço público”.
O presidente da Câmara do Porto avisou na quarta-feira que a autarquia seria "absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas".
"É evidente que a Praça D. João I não é um parque de campismo, e não vai transformar-se num parque de campismo. Vamos ser absolutamente implacáveis com qualquer tentativa de colocação de tendas naquela zona", enfatizou Pedro Duarte.
Montenegro defende autoridades e afasta turbulência
Por sua vez, o primeiro-ministro disse esta manhã, em declarações aos jornalistas em Bruxelas, não ter informação “muito concreta” sobre os confrontos no Porto, mas vincou que “as nossas forças de segurança são extraordinariamente criteriosas e respeitadoras”.
“Aquilo que posso dizer é que é preciso garantir que as pessoas podem exercer o seu direito de manifestação, ao mesmo tempo que é preciso garantir que esse direito não colide com outros direitos”, nomeadamente o de circulação ou tranquilidade e ordem pública, considerou, à entrada para a reunião do Conselho Europeu em Bruxelas.
“As autoridades devem atuar (…) com base nos princípios da necessidade, da adequação e da proporcionalidade. E sempre que for necessário para garantir a autoridade pública e do Estado, naturalmente agir perante as ofensas que alguns cidadãos possam fazer sobre isso”. Questionado sobre se teme que os confrontos no Porto sejam o início de manifestações mais violentas, como as que se têm registado em França, o primeiro-ministro disse esperar que os partidos políticos, movimentos associativos e organizações portuguesas “não caiam na tentação de, por razões meramente egoísticas da sua própria ação, importarem para Portugal climas de instabilidade, de contestação, que não têm de facto respaldo na sociedade portuguesa”.
A manifestação no Porto “é elucidativa sobre isso: sobre a dimensão daquilo que é legítimo – que é protestar, exprimir uma posição política – face àquilo que é dominante no país”, afirmou Luís Montenegro.
“Nós não temos essa instabilidade, nós não temos esse nível de conflitualidade e não podemos cair no erro de considerar que escassas pessoas dão agora uma ideia de um país que parece que está agora em turbulência. Não está”, assegurou.
c/ Gonçalo Costa Martins - RTP Antena 1