País
"Não há um local que não tenha sido afetado". Plano de Emergência vigora em Leiria 20 dias após Kristin
Até domingo as operações no concelho mobilizaram um total de 10.439 operacionais de diferentes entidades. Isto sem contar com “todos os voluntários” que integraram a campanha “Limpar Leiria”, segundo Luís Lopes, vereador da Proteção Civil.
O Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil e a declaração de situação de alerta vão continuar a vigorar em Leiria enquanto o quadro neste concelho, após as intempéries das última semanas, o justificar. A garantia foi deixada esta segunda-feira pelo vereador Luís Lopes.
Em Leiria, o Plano Municipal de Emergência está em vigor desde as 7h00 do dia 28 de janeiro, quando foi ativado na sequência da passagem da depressão Kristin pela Região Centro de Portugal continental.
Em reunião de Câmara, o vereador com os pelouros do Ambiente, da Proteção Civil e da Mobilidade avançou ainda com números dos trabalhos de recuperação do concelho, um dos mais fustigados pelas intempéries: até 15 de fevereiro, participaram nestas ações, sem contar com voluntários, 10.439 operacionais, apoiados por mais de três mil veículos.O número de ocorrências em território do concelho de Leiria ascendeu a 2.863.
Quanto a danos humanos, a Câmara adianta que, até à manhã desta segunda-feira, haviam sido admitidos na urgência de Ortrotrauma da Unidade Local de Saúde da Região de Leiria 1.834 feridos.
“No concelho de Leiria temos registo de seis mortos: três diretamente relacionados com a depressão naquela madrugada e outros três indiretamente”, sublinhou o edil.Dezasseis pessoas morreram na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta por Portugal continental.
O teatro de operações é nesta altura a totalidade do concelho, uma vez que “não há um único local que não tenha sido afetado”, mantendo-se a “articulação permanente com os concelhos limítrofes” igualmente atingidos pelos efeitos da depressão Kristin.
“Todos os telhados ficaram destelhados”
Por sua vez, o vereador com o pelouro do Apoio Logístico, Carlos Palheira, quis enfatizar a importância de “dar uma resposta rápida" aos danos nos telhados, por via da “cedência gratuita de lonas e também de manga plástica” para uma área de 1.750.000 metros quadrados.
“A cada pessoa foi dada uma quantidade de cerca de 50 m2, podendo ser reforçada essa cedência se fosse necessário”, explicou.
A Câmara Municipal adquiriu, até ao momento, 153 mil m2 de lona por 267,231 mil euros. O restante material foi cedido “através da generosidade das empresas e pessoas”. Adquiriu também 16 toneladas de manga plástica, com um custo de 27.171,88 euros.
“Conseguimos chegar a cerca de 42 mil pessoas. Já atribuímos telhas a cerca de sete mil pessoas”, indicou Carlos Palheira.A maioria socialista no executivo camarário votou entretanto contra a proposta, por parte dos vereadores do PSD, de isentar os impostos municipais para cidadãos e empresas tocados pelos danos da depressão Kristin.
A vereadora leiriense com o pelou da Ação Social, Ana Valentim, adiantou foi acautelada alimentação para 8.677 agregados familiares, “o que equivale a 380 toneladas de géneros alimentícios” entregues na Porta 10 do Estádio Municipal de Leiria.
“O nosso objetivo, independentemente de mantermos o ponto de recolha alimentar na Porta 10, é chegar à população mais fragilizada que ainda não tem eletricidade e fazer um programa de entrega de cabazes alimentares no domicílio”, precisou.
“O país tem que fazer escolhas”
Terminou no domingo a situação de calamidade decretada pelo Governo a 29 de janeiro, depois da depressão Kristin. Telejornal | 15 de fevereiro de 2026
Leiria apelou à prorrogação da isenção nas portagens – uma reivindicação ecoada já esta segunda-feira, entre outras vozes, pelo líder do Chega, André Ventura.
O PS avançou, por seu turno, com um projeto de resolução na Assembleia da República tendo em vista o alargamento da situação calamidade, com retroativos, aos concelhos de Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Sobral de Monte Agraço e Lezíria do Tejo. Isto a par da avaliação do impacto da sucessão de intempéries das últimas semanas nos concelhos em contingência.
Em Bruxelas, à margem da reunião do Eurogrupo, o ministro das Finanças quis deixar claro que a prioridade do Executivo de Luís Montenegro recai sobre a reconstrução nas regiões assoladas pelo mau tempo. Sem, todavia, deixar cair o equilíbrio das contas públicas.
“Nós perceberemos a dimensão dos impactos económicos e orçamentais daqui a umas semanas e, em função dessa dimensão, naturalmente o país tem que fazer escolhas. É muito importante manter o equilíbrio das contas públicas e a redução da dívida pública, mas também é muito importante acudir a estas pessoas na emergência e depois na reconstrução e na sua recuperação da atividade económica”, afirmou Joaquim Miranda Sarmento.
“Quando construímos o orçamento para 2026, o caminho já era estreito por causa dos empréstimos PRR”, prosseguiu.“Os bons resultados de 2025 e o facto de o saldo orçamental ficar acima daquilo que era a previsão do Orçamento do Estado fez com que o caminho ficasse um bocadinho menos estreito”.
“O caminho voltou a ficar bastante mais estreito devido a estas tempestades e é esse equilíbrio entre escolhas que tem de ser feito a cada momento em função da informação que existe”, enfatizou o governante. Telejornal | 16 de fevereiro de 2026
Ainda segundo Miranda Sarmento, “a tragédia que se abateu sobre o país nas últimas semanas terá, do ponto de vista orçamental, três efeitos”.
“Um efeito na receita porque haverá menos atividade económica, sobretudo das empresas que estão agora paradas e que poderão ficar paradas durante algumas semanas e, em alguns casos, até durante meses, que terão que retomar a sua atividade e, portanto, haverá seguramente um efeito de perda de receita fiscal e contributiva. Um segundo efeito que tem a ver com os apoios de lay-off, os apoios às famílias, o apoio de dez mil euros para a reconstrução de casas, os apoios de dez mil euros aos agricultores”, enumerou.
“Tem também um efeito, neste caso, na despesa e, depois, todos os custos de reconstrução dos equipamentos públicos, das estradas, ferrovia, equipamentos municipais, escolas, etc”.
“Essa contabilização está a começar a ser feita e levará ainda algumas semanas”, rematou o titular da pasta das Finanças.
c/ Lusa
Em Leiria, o Plano Municipal de Emergência está em vigor desde as 7h00 do dia 28 de janeiro, quando foi ativado na sequência da passagem da depressão Kristin pela Região Centro de Portugal continental.
Em reunião de Câmara, o vereador com os pelouros do Ambiente, da Proteção Civil e da Mobilidade avançou ainda com números dos trabalhos de recuperação do concelho, um dos mais fustigados pelas intempéries: até 15 de fevereiro, participaram nestas ações, sem contar com voluntários, 10.439 operacionais, apoiados por mais de três mil veículos.O número de ocorrências em território do concelho de Leiria ascendeu a 2.863.
Quanto a danos humanos, a Câmara adianta que, até à manhã desta segunda-feira, haviam sido admitidos na urgência de Ortrotrauma da Unidade Local de Saúde da Região de Leiria 1.834 feridos.
“No concelho de Leiria temos registo de seis mortos: três diretamente relacionados com a depressão naquela madrugada e outros três indiretamente”, sublinhou o edil.Dezasseis pessoas morreram na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta por Portugal continental.
O teatro de operações é nesta altura a totalidade do concelho, uma vez que “não há um único local que não tenha sido afetado”, mantendo-se a “articulação permanente com os concelhos limítrofes” igualmente atingidos pelos efeitos da depressão Kristin.
“Todos os telhados ficaram destelhados”
Por sua vez, o vereador com o pelouro do Apoio Logístico, Carlos Palheira, quis enfatizar a importância de “dar uma resposta rápida" aos danos nos telhados, por via da “cedência gratuita de lonas e também de manga plástica” para uma área de 1.750.000 metros quadrados.
“A cada pessoa foi dada uma quantidade de cerca de 50 m2, podendo ser reforçada essa cedência se fosse necessário”, explicou.
A Câmara Municipal adquiriu, até ao momento, 153 mil m2 de lona por 267,231 mil euros. O restante material foi cedido “através da generosidade das empresas e pessoas”. Adquiriu também 16 toneladas de manga plástica, com um custo de 27.171,88 euros.
“Conseguimos chegar a cerca de 42 mil pessoas. Já atribuímos telhas a cerca de sete mil pessoas”, indicou Carlos Palheira.A maioria socialista no executivo camarário votou entretanto contra a proposta, por parte dos vereadores do PSD, de isentar os impostos municipais para cidadãos e empresas tocados pelos danos da depressão Kristin.
A vereadora leiriense com o pelou da Ação Social, Ana Valentim, adiantou foi acautelada alimentação para 8.677 agregados familiares, “o que equivale a 380 toneladas de géneros alimentícios” entregues na Porta 10 do Estádio Municipal de Leiria.
“O nosso objetivo, independentemente de mantermos o ponto de recolha alimentar na Porta 10, é chegar à população mais fragilizada que ainda não tem eletricidade e fazer um programa de entrega de cabazes alimentares no domicílio”, precisou.
“O país tem que fazer escolhas”
Terminou no domingo a situação de calamidade decretada pelo Governo a 29 de janeiro, depois da depressão Kristin. Telejornal | 15 de fevereiro de 2026
Leiria apelou à prorrogação da isenção nas portagens – uma reivindicação ecoada já esta segunda-feira, entre outras vozes, pelo líder do Chega, André Ventura.
O PS avançou, por seu turno, com um projeto de resolução na Assembleia da República tendo em vista o alargamento da situação calamidade, com retroativos, aos concelhos de Alenquer, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Sobral de Monte Agraço e Lezíria do Tejo. Isto a par da avaliação do impacto da sucessão de intempéries das últimas semanas nos concelhos em contingência.
Em Bruxelas, à margem da reunião do Eurogrupo, o ministro das Finanças quis deixar claro que a prioridade do Executivo de Luís Montenegro recai sobre a reconstrução nas regiões assoladas pelo mau tempo. Sem, todavia, deixar cair o equilíbrio das contas públicas.
“Nós perceberemos a dimensão dos impactos económicos e orçamentais daqui a umas semanas e, em função dessa dimensão, naturalmente o país tem que fazer escolhas. É muito importante manter o equilíbrio das contas públicas e a redução da dívida pública, mas também é muito importante acudir a estas pessoas na emergência e depois na reconstrução e na sua recuperação da atividade económica”, afirmou Joaquim Miranda Sarmento.
“Quando construímos o orçamento para 2026, o caminho já era estreito por causa dos empréstimos PRR”, prosseguiu.“Os bons resultados de 2025 e o facto de o saldo orçamental ficar acima daquilo que era a previsão do Orçamento do Estado fez com que o caminho ficasse um bocadinho menos estreito”.
“O caminho voltou a ficar bastante mais estreito devido a estas tempestades e é esse equilíbrio entre escolhas que tem de ser feito a cada momento em função da informação que existe”, enfatizou o governante. Telejornal | 16 de fevereiro de 2026
Ainda segundo Miranda Sarmento, “a tragédia que se abateu sobre o país nas últimas semanas terá, do ponto de vista orçamental, três efeitos”.
“Um efeito na receita porque haverá menos atividade económica, sobretudo das empresas que estão agora paradas e que poderão ficar paradas durante algumas semanas e, em alguns casos, até durante meses, que terão que retomar a sua atividade e, portanto, haverá seguramente um efeito de perda de receita fiscal e contributiva. Um segundo efeito que tem a ver com os apoios de lay-off, os apoios às famílias, o apoio de dez mil euros para a reconstrução de casas, os apoios de dez mil euros aos agricultores”, enumerou.
“Tem também um efeito, neste caso, na despesa e, depois, todos os custos de reconstrução dos equipamentos públicos, das estradas, ferrovia, equipamentos municipais, escolas, etc”.
“Essa contabilização está a começar a ser feita e levará ainda algumas semanas”, rematou o titular da pasta das Finanças.
c/ Lusa