EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Oposição assinala “recuo” do Governo na avaliação de professores

Oposição assinala “recuo” do Governo na avaliação de professores

Na reacção ao anúncio do acordo alcançado entre Governo e Plataforma Sindical de professores, os partidos da Oposição desferem dois substantivos na direcção do Ministério de Maria de Lurdes Rodrigues: “recuo” e “derrota”.

Carlos Santos Neves, RTP /
O Governo "recua em tudo aquilo que do ponto de vista político-eleitoral não sirva os interesses do Partido Socialista”, afirma o líder do PSD. RTP

Para o presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, o acordo alcançado na madrugada de sábado “é mais um sinal de recuo e da capitulação do Governo”.

“Estamos na fase do recua, recua, recua, depois da fase do fecha, fecha, fecha”, afirmou o líder social-democrata em Alfândega da Fé, escala do segundo dia do “Roteiro Mudar Portugal” pelo Distrito de Bragança.

Menezes vê no “recuo” do Governo mais um sinal de que o Governo está já a embarcar numa estratégia de cariz eleitoral: “O Governo recua na Ota, recua agora nos professores, recua em tudo aquilo que do ponto de vista político-eleitoral não sirva os interesses do Partido Socialista”.

O líder do PSD considera “absolutamente condenável que ao longo de três anos a concertação entre o Ministério da Educação e os sindicatos dos professores tenha sido praticamente nula”.

“Agora constatamos que o Governo recuou em toda a linha, abdicou completamente daquilo que eram os seus propósitos por uma razão: que de qualquer maneira, a qualquer preço, ganhar as eleições de 2009”, atirou.

Governo “está com medo das eleições”

Em tom análogo ao de Menezes, o líder do CDS-PP, Paulo Portas, assinalou a “cedência” do Ministério da Educação, que inscreve no que diz ser a preocupação do Executivo de Sócrates com as próximas eleições legislativas.

“Os portugueses já perceberam tudo: o Governo cede na Educação, recua na Saúde, falha na Economia, abusa nos impostos, desgraça a agricultura e é um perigo porque não controla a criminalidade”, afirmou Portas, que este sábado visitou a feira de Estarreja e esteve reunido com as estruturas locais dos democratas-cristãos.

“O Governo está com medo das eleições, o que prova que faz sentido lutar pelo que é justo”, prosseguiu o líder do CDS-PP.

“Para que serviu tudo isto?”, questionou-se. “Não era preferível lançar um processo (de avaliação) justo, preparado, organizado, a começar no início do ano escolar, como defendeu o CDS?”.

De acordo com Paulo Portas, impõe-se “fazer o debate essencial da qualidade na Educação, do que se ensina e aprende nas escolas e com que preparação os jovens saem para serem competitivos numa vida laboral que é difícil”.

PCP destaca “falhanço significativo do Ministério da Educação

Em declarações à Agência Lusa, Jorge Pires, da Comissão Política do PCP, classificou o entendimento anunciado este sábado como um “recuo” e “falhanço significativo” do Executivo. Por outro lado, foi uma “vitória” dos docentes.

“O que é importante é que os professores podem continuar a exigir do Ministério da Educação e do Governo que prossigam a avaliação da situação nas escolas, tentando salvar este terceiro período e os próximos anos lectivos”, afirmou o responsável dos comunistas para as matérias da Educação.

”Derrota clamorosa da violência do Governo contra os professores”

O dirigente do Bloco de Esquerda Francisco Louçã considera, por seu turno, que o acordo firmado entre a equipa do Ministério da Educação e a Plataforma Sindical constitui uma “derrota clamorosa da violência do Governo contra os professores”. E “demonstra claramente” que os docentes “tinham razão ao defender as escolas”.

No entendimento de Francisco Louçã, “é necessário fazer recuar o modelo de gestão de avaliação e gestão das escolas, uma vez que exclui a comunidade escolar”.

Por outro lado, advogou, é “importantíssimo afirmar a necessidade de integrar todos os professores contratados que há muitos anos exercem trabalho nas escolas no quadro da carreira docente”.
PUB