Polícia deve agir face a venda de aparelhos para escutas ilegais

O Procurador-Geral da República voltou a afirmar que pode estar sob escuta porque há aparelhos para escutas ilegais à venda no mercado e defendeu que devem ser os órgãos policiais a agir.

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O procurador-geral da República prestou declarações perante a Comissão de Assuntos Constitucionais RTP

Ouvido no Parlamento, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Pinto Monteiro referiu ter em sua posse "catálogos de objectos para escutas, que ensinam como fazer, como comprar, quanto custam" e que facilmente se encontram na Internet.

O Procurador-Geral da República afirmou que, quando admitiu a possibilidade de estar sob escuta, em entrevista ao semanário Sol, não foi "uma conversa de café", mas "uma atitude pensada".

"Na rua, por baixo do meu gabinete, podem escutar-me", reiterou hoje, no Parlamento, acrescentando que nenhum dos deputados presentes pode estar seguro de não ser escutado, porque "qualquer pessoa que tenha interesse pode escutá-los".

Pinto Monteiro contou que quando instalaram o telefone no seu gabinete lhe sugeriram que se quisesse ter uma conversa reservada "ligasse a televisão e falasse perto da televisão".

"Neste país, que pune a venda de aparelhos de escuta, salvo às autoridades competentes, não conheço ninguém que tenha sido preso", salientou, respondendo logo em seguida quem entende que deve agir face a essa realidade.

"Eu não vou pôr os procuradores a ver dos aparelhos de escuta. Têm de ser os órgãos policiais. Isso não compete ao procurador", advogou.


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