Polícia sublinha eficácia do resgate de reféns em Lisboa

A operação de resgate de dois reféns, no decurso de um assalto a uma dependência do BES em Lisboa, foi “100 por cento eficaz”, considerou esta sexta-feira a Polícia de Segurança Pública. A direcção nacional da PSP garante que estavam previstas todas as hipóteses para o desfecho da tentativa de assalto seguida de sequestro. Os dois assaltantes foram neutralizados a tiro.

Carlos Santos Neves, RTP /
Um dos sequestradores morreu no local do assalto RTP

“A PSP tentou até ao limite das suas possibilidades salvar a vida de todos os intervenientes, tanto dos reféns como dos sequestradores, mas isso não foi possível”, declarou esta sexta-feira, em conferência de imprensa, o comandante do Grupo de Operações Especiais da PSP, Carlos Ribeiro.

O responsável sublinhou que a ordem para abater os autores do sequestro foi emitida quando se considerou que a vida dos dois funcionários do BES mantidos como reféns se encontrava “em perigo iminente”.

Por sua vez, o director nacional da PSP, Oliveira Pereira, destacou “a demonstração inequívoca de coragem, rigor, serenidade e profissionalismo” demonstrada pelos agentes da polícia destacados para o local.

Oliveira Pereira admitiu que os assaltantes revelaram “um grau de preparação elevado”.

“Acredito que havia um grau de preparação já elevado, pelo facto de levarem equipamentos para manietar os reféns como algemas de plástico”, disse o director nacional da PSP.

A polícia pôs termo à tentativa de assalto à dependência do BES da Rua Marquês de Fronteira, em Campolide, cerca das 23h30 de quinta-feira, após oito horas de impasse.

Os dois assaltantes, cidadãos estrangeiros de 25 e 35 anos sem autorização de residência em Portugal, foram atingidos a tiro por elementos do Grupo de Operações Especiais da PSP. Um deles morreu no local. O segundo sequestrador encontra-se internado em estado grave no Hospital de São José, em Lisboa.

A operação relâmpago da PSP envolveu disparos efectuados por atiradores especiais.

”Assaltantes mantiveram-se irredutíveis”

Na mesma conferência de imprensa, a subintendente da PSP Florbela Carrilho descreveu os últimos momentos do sequestro.

“Cerca das 23h00, os assaltantes aproximaram-se da porta da dependência, juntamente com os dois reféns sob ameaça directa de pistola. Perante este cenário, encontrando-se em perigo a vida dos reféns, e após nova tentativa de negociação e apurada a avaliação de risco, foi decidido pelo comandante gestor do incidente (…) a intervenção de elementos da unidade táctica do Grupo de Operações Especiais, os quais em breves segundos neutralizaram os assaltantes com risco mínimo para os reféns, que lograram libertar”.

As negociações levadas a cabo durante oito horas pela Unidade Central de Negociação da PSP revelaram-se infrutíferas.

Imagem de agentes do Corpo de Intervenção da PSP à entrada da dependência do BES em Campolide

Os assaltantes, afirmou Florbela Carrilho, “mantiveram-se irredutíveis nas suas intenções de consumar o assalto àquela dependência bancária e encetar fuga, mantendo as ameaças à vida dos reféns, designadamente ameaçando executá-los”.

Os dois sequestradores estavam armados com pistolas “provavelmente ilegais e de calibre 7.65”.

Reféns revelaram “coragem fantástica”

Os assaltantes começaram por tomar seis reféns. Quatro foram libertados pela polícia nos primeiros instantes da tentativa de assalto. Ficam por explicar os pormenores da primeira libertação.

“Quando o carro patrulha chegou ao local, elementos da PSP entraram no banco e verificaram que logo na entrada estavam quatro pessoas com algemas de plástico. Os agentes providenciaram a sua saída e os sequestradores não tiveram oportunidade de reagir”, adiantou o director nacional Oliveira Pereira.

Dois funcionários do BES, um homem e uma mulher, permaneceram reféns até ao desfecho do caso.

O director nacional da PSP assinala que ambos revelaram uma “coragem fantástica”, salientando ainda “o grau de colaboração com as autoridades e a frieza de espírito notável”.

A PSP recusa precisar os detalhes da operação, incluindo o número de atiradores especiais e o respectivo posicionamento no local do sequestro, ou a eventual existência de cúmplices dos assaltantes. A polícia argumenta tratar-se de matérias que permanecem sob investigação, pelo que a sua revelação poderia pôr em causa futuras intervenções.

A investigação do caso está a ser conduzida pela Polícia Judiciária e pelo Ministério Público.
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