Ponte 25 de Abril. Infraestruturas de Portugal garante que obra é "prioritária” mas não “urgente”

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Um relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil alerta para a necessidade de serem realizadas obras urgentes na Ponte 25 de Abril. Numa primeira reação, o presidente da Infraestruturas de Portugal esclarece que “não é uma obra urgente nem emergente”. António Laranjo insiste que se houvesse perigo “a ponte estaria fechada”. O Presidente da República e o PS também recusam alarmismos. PSD, CDS-PP e BE exigem esclarecimentos do LNEC e do Executivo.

O Presidente da Infraestruturas de Portugal reconhece que a obra na ponte 25 de abril é “prioritária” mas recusa alarmismo. “Não é uma obra urgente nem emergente”, afirmou numa conferência de imprensa que se realizou na sede da empresa que gere a rede rodoviária nacional.

António Laranjo admitiu que a Infraestruturas de Portugal sabe da existência de fissuras na Ponte 25 de Abril há dois anos mas rejeitou qualquer perigo. O responsável garante que se assim fosse “a ponta estaria encerrada”.


"O projeto é de 2016, mas aparece na sequência de um conjunto de evoluções que é natural neste tipo de infraestruturas", explicou.

Dada esta situação, o presidente da IP destacou que "está tudo a ser feito" para garantir a segurança da infraestrutura e que esse trabalho, assente, por exemplo, no reforço dos "procedimentos de fiscalização", "não é de agora nem de há dois ou três dias".

António Laranjo tentou também "esclarecer e tranquilizar todos aqueles que diariamente utilizam esta infraestrutura rodoviária e ferroviária", vincando que "nunca haverá perigo de circular nesta ponte". Ainda assim, apontou que a intervenção em causa é "de extrema gravidade", merecendo "toda a atenção" da empresa.

O responsável confirmou que o pedido de financiamento para esta obra já tinha sido apresentado há alguns meses. “Há vários meses que está pedido, tal como outras. É uma situação perfeitamente normal”, disse.

A reação oficial da empresa pública surge depois de a revista Visão ter noticiado que o Governo recebeu em fevereiro um relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil que alerta para a necessidade de "medidas urgentes" de reparação da ponte, depois de "terem sido detetadas 'fissuras' numa zona estrutural da travessia".

A revista Visão denuncia que o Ministério das Infraestruturas esteve seis meses à espera de luz verde do Ministério das Finanças para avançar com as intervenções.

Confrontado pelos jornalistas com esta possibilidade, António Laranjo disse que este período de tempo “não é exagerado para obras desta grandiosidade e impacto financeiro”. O responsável confirmou que a autorização já foi dada da pelas Finanças pelo que serão lançados os concursos, como já tinha sido anunciado.

No dia em que a Visão denunciou esta situação, a Infraestruturas de Portugal revelou que “vai lançar este mês uma empreitada de trabalhos de reparação e conservação da Ponte 25 de Abril, com um preço base de 18 milhões de euros e o prazo de execução de dois anos”.

Partidos pedem esclarecimentos
O tema entrou já na agenda política, com PSD, CDS-PP e Bloco de Esquerda a exigir que o Governo preste esclarecimentos no Parlamento sobre o estado da ponte. Os partidos querem também ouvir o LNEC, entidade responsável pelo relatório.

Pelo PCP, o deputado Bruno Dias veio reclamar um “cabal esclarecimento”, sem sede parlamentar, da situação na Ponte 25 de Abril, quer por parte do ministro das Infraestruturas, quer por parte do LNEC.

O deputado comunista quer que o relatório seja tornado público, uma vez que as despesas das obras serão suportadas pelo Estado, apesar de a infraestrutura ser concessionada à Lusoponte.

Sobre o mesmo assunto, o secretário-geral do PCP defendeu que é preciso mais investimento em infraestruturas e defendeu que a Lusoponte deveria ser responsabilizada pelas obras. Jerónimo de Sousa aproveitou ainda para defender a construção de uma terceira ponte que ligue o Beato ao Barreiro.
PS e Marcelo contra alarmismos
Por sua vez, o PS garante que não há risco iminente na ponte 25 de Abril e diz que todos os utilizadores estão seguros. Os socialistas pedem aos partidos que evitem demagogias estéreis e não causem alarme social. O Presidente da República segue a mesma linha de pensamento.

“Não sejamos alarmistas. O que há é duas coisas: há um relatório que aponta para urgência em obras - não quer dizer que a ponte esteja a cair - e há o Governo que percebe a urgência e que determina essas obras”, respondeu o chefe de Estado aos jornalistas.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que “mais vale tarde do que nunca” e sublinhou que nem todas as reparações têm o mesmo grau de urgência, recordando que as obras têm um prazo de execução alargado.

Questionado sobre a reação do Executivo, Marcelo considerou que esta foi atempada. “Acho que fez o que devia ter feito. E acho que o Parlamento também discutir essa matéria tem toda a lógica”, vincou.

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Governo, LNEC, Marcelo Rebelo de Sousa, Obras, estradas, ponte 25 de abril,

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