Prejuízos no Médio Tejo chegam a 185 ME dos quais 100 ME em infraestruturas públicas
Os prejuízos causados pelo mau tempo na região do Médio Tejo totalizam 185 milhões de euros (ME), dos quais 100 ME em infraestruturas públicas, estimou hoje a Comunidade Intermunicipal (CIM).
"No total, os prejuízos municipais em equipamentos, estradas, aquedutos, escolas e saúde rondam os 100 ME. Ao nível das casas de primeira habitação registam-se cerca de 25 ME em danos e, nas empresas, aproximadamente 60 ME. Falamos, portanto, de 185 ME, um valor significativo que exige medidas urgentes e objetivas de apoio financeiro aos municípios", afirmou o presidente da CIM Médio Tejo.
Manuel Jorge Valamatos falava numa conferência de imprensa, que decorreu na sede da CIM, em Tomar, no distrito de Santarém, onde apresentou o balanço dos estragos causados pelo mau tempo no Médio Tejo.
"Nós, como comunidade intermunicipal, sentimos necessidade de fazer esta conferência de imprensa para transmitir a nossa grande preocupação", afirmou o também presidente do município de Abrantes.
A conferência contou ainda com a presença de presidente da Câmara de Ourém, Luís Albuquerque, e do autarca de Ferreira do Zêzere, Bruno Gomes, ambos vice-presidentes da CIM, além da maioria dos autarcas da região, os dois secretários executivos e o comandante da proteção civil do Médio Tejo, David Lobato.
"Na recuperação ainda há muito por fazer, sobretudo nas telecomunicações, onde se continua a sentir falta de robustez nas equipas e na força de trabalho", salientaram Bruno Gomes e Luís Albuquerque, este último responsável por um dos municípios mais afetados, com 42 ME em danos públicos.
O presidente da CIM destacou também a urgência das obras nas estradas municipais, algumas totalmente ou parcialmente destruídas, e a necessidade de soluções rápidas para retomar a circulação na Linha da Beira Baixa, que permanece interrompida desde as cheias.
Segundo uma nota de imprensa da CIM, a conferência de imprensa pretendeu também alertar para a dimensão dos danos e para a necessidade de apoio imediato, acompanhando o trabalho do comando sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Médio Tejo, que participa ativamente na avaliação dos prejuízos e na coordenação das intervenções no terreno.
Manuel Jorge Valamatos explicou que o processo de reconstrução já começou, mas que os apoios ainda não chegaram aos municípios.
"Os primeiros apoios para casas de primeira habitação começaram a ser entregues e os processos de acionamento de seguros e mecanismos de apoio às empresas estão em curso. Contudo, os municípios ainda não receberam apoios financeiros concretos e a urgência é máxima para iniciar a recuperação e restabelecer a normalidade social e económica", alertou.
Valamatos reforçou que as estradas municipais interrompidas ou parcialmente destruídas estão a prejudicar a vida das populações e a economia local.
"Precisamos de projetos de recuperação destas vias com caráter urgente. A linha da Beira Baixa também precisa de soluções de transbordo até à normalização do tráfego ferroviário", acrescentou.
A depressão Kristin provocou danos generalizados em infraestruturas municipais, património cultural e associativismo, evidenciando a vulnerabilidade da região e a necessidade de planos de resiliência mais robustos para enfrentar eventos climáticos extremos.
"Este valor de referência é muito significativo e só com apoio governamental e medidas concretas será possível iniciar a recuperação que urge a toda a comunidade", concluiu Valamatos, apelando à rapidez na execução de apoios financeiros e à coordenação entre entidades locais e nacionais.
Dezanove pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou a 15 de fevereiro.