Manifestantes começam a concentrar-se no Rossio
Amnistia Internacional critica uso excessivo e desproporcionado da força pela polícia
Na nota, a organização de defesa de direitos humanos afirma que as pessoas "têm o direito de exercer o direito de manifestação e estão a usá-lo para exigir medidas urgentes em matéria de direito à habitação" e, citado no documento, o diretor-executivo da Amnistia afirma que a resposta da polícia, "com bastonadas e força excessiva", que está a provocar feridos e hospitalizações, "é uma escolha".
"Pode, e tem de ser parada pelas autoridades portuguesas", afirmou João Godinho Martins.
"A Amnistia Internacional voltou a ter observadores na manifestação em Lisboa. Continuamos a documentar e a manifestar preocupação com o uso excessivo da força pela polícia. Vamos contactar com urgência o Ministro da Administração Interna com a informação de que dispomos sobre violações de direitos humanos e instar à adoção imediata das medidas necessárias para garantir que o direito de manifestação é respeitado e facilitado", disse o responsável, citado no mesmo comunicado.
A Amnistia Internacional pede ao Governo que garanta "a responsabilização da polícia pelo uso excessivo da força", afirmando que vai continuar a pressionar pelo "direito de reunião pacífica em Portugal".
A organização pede ainda respostas económicas e sociais ao problema da habitação, na base dos protestos que duram há semanas em Portugal, com maior incidência em Lisboa e Porto.
O advogado Ricardo Sá Fernandes, que representa manifestantes da Acampada de Lisboa, disse hoje que vai avançar com participação criminal contra o ministro da Administração Interna e o diretor nacional da PSP após a carga policial desta madrugada.
"Isto é uma noite negra na história da democracia portuguesa. Isto é absolutamente inultrapassável, intolerável, ultrapassou todos os limites. E, por isso, o ministro e o diretor da polícia podem ter a certeza que terão participações criminais por abuso de poder", afirmou advogado Ricardo Sá Fernandes.
Treze manifestantes foram detidos e treze polícias ficaram feridos na intervenção policial nas acampadas de hoje em Lisboa e Porto, anunciou o porta-voz da PSP, que justificou a ação da polícia com o aumento da resistência popular.
Em declarações aos jornalistas na sede da PSP em Lisboa, Sérgio Soares argumentou que o uso da força só aconteceu após os manifestantes atirarem tintas e petardos contra a polícia.
Entre os 13 detidos na intervenção policial nas manifestações pelo direito à habitação, o porta-voz da PSP explicou que seis foram detidos em Lisboa e sete no Porto.
Já dos polícias feridos, todos no Porto, 10 eram da polícia de intervenção e três estavam numa unidade à civil.
Um quarto polícia desta unidade à paisana no Porto retirou a arma de fogo quando os manifestantes se aproximaram, admitiu Sérgio Soares.
(Lusa)
PCP quer debate de urgência sobre atuação da polícia nas acampadas de Lisboa e Porto
Nesse sentido, e perante a "gravidade dos acontecimentos", o PCP requereu ao presidente da Assembleia da República a marcação de uma "conferência de líderes para a convocação de uma reunião plenária e agendamento de um debate de urgência sobre a atuação policial na madrugada de 01 de novembro em Lisboa e no Porto".
Para o PCP, a "gravidade dos acontecimentos exige esclarecimentos e o apuramento das responsabilidades políticas da ação repressiva em curso" e exige que a Assembleia da República "não permaneça indiferente ao ocorrido".
O partido apontou a "insistência do Governo na recusa às soluções e à limitação das liberdades, nomeadamente do direito à manifestação" e a "gravidade de que se revestiu a atuação policial em Lisboa e no Porto na repressão dos cidadãos que pacificamente se manifestavam pelo direito à habitação".
O PCP lamentou o que classificou como "intervenção desproporcionada e violenta das forças de segurança", sublinhando que tal aconteceu "depois de um procurador do Ministério Público ter vindo a público afirmar que colocar tendas nas praças não constitui qualquer ilegalidade nem ilícito".
Praticamente em simultâneo, a partir das 04:30 de hoje, a Polícia de Segurança Pública avançou sobre os manifestantes concentrados nas acampadas em Lisboa e no Porto para que desmobilizassem, retirando tendas e detendo 13 pessoas, tendo-se registado vários feridos, inclusive polícias.
Acampada do Porto convoca nova concentração na Praça D. João I
Em comunicado, o movimento criticou a carga policial na madrugada de hoje, que terminou com sete detidos e vários feridos, acusando a PSP de cercar a Praça D. João I e voltar a "suprimir o direito de manifestação", numa atuação que considera "desproporcionada, inconstitucional e sem fundamento legal aplicável contra um protesto pacífico".
A Acampada do Porto contestou ainda a intervenção de quatro agentes à paisana, referindo que, cerca das 05:15, os manifestantes reunidos nos Aliados, inclusive para contar feridos e detidos, "são confrontados com um grupo de quatro civis a procurar focalizar em manifestantes sozinhas e vulneráveis, cercando-as e tentando sequestrá-las".
Depois de confrontadas, essas pessoas, agentes a PSP à paisana, "revelaram-se violentas, armadas e dispostas a recorrer à intimidação com arma de fogo, com bala armada na câmara, apontada à cabeça de manifestantes", denunciou.
Sobre esta questão, a PSP disse que uma equipa de quatro polícias à civil se encontrava na Avenida dos Aliados "a monitorizar as deslocações e movimentações dos manifestantes, tendo sido detetada por um grupo destes, que agrediu três dos polícias".
"Perante esta situação, um dos polícias efetuou recurso passivo da arma de fogo como meio de dissuasão", advogou a PSP.
No comunicado da Acampada do Porto, o movimento indicou que "na madrugada de hoje, 21 dias após o início dos protestos pela habitação, a PSP cercou a praça da acampada e desmantelou o protesto, invocando o limite horário do decreto-lei n.º 406/74, anterior à Constituição".
"A intervenção, com recurso a bastonadas, detenções e muitas dezenas de meios policiais, atingiu cidadãos que se manifestavam pacificamente", lê-se no comunicado, que apresenta a cronologia do que aconteceu.
De acordo com o movimento, durante um protesto "documentadamente pacífico", a Rua do Bolhão foi ocupada por "pelo menos 12 carrinhas" da Unidade Especial de Polícia (UEP), com o Corpo de Intervenção da PSP, bem como "um autocarro, uma carrinha da brigada cinotécnica e duas viaturas 4x4", acrescentando que na Praça D. João I se acumularam desde cedo pelo menos seis carros-patrulha e três carrinhas de Brigadas de Intervenção Rápida.
O porta-voz da PSP, Sérgio Soares, interrogado hoje de manhã pelos jornalistas sobre o número de efetivos envolvidos nas operações de hoje de Lisboa e Porto, disse que a polícia nunca divulga esses dados, mas admitiu que houve um reforço em relação às forças mobilizadas na semana passada.
Na cronologia dos acontecimentos, a Acampada do Porto indicou que às 00:31 a polícia invocou o decreto-lei de 1974 "para limitar o direito à manifestação, afirmando que este cessa à 00:30 e exigindo a remoção das tendas", tendo à 00:53 a Acampada reafirmado a postura de "pacifismo" e expondo a "inferioridade hierárquica" deste diploma legal face à Constituição da República Portuguesa.
A partir das 01:10, os manifestantes formaram um cordão humano, tendo às 03:07 os acessos à praça sido cortados e às 03:45 as "carrinhas da UEP e demais meios de repressão violenta, acumulados na Rua do Bolhão, começam a chegar" ao local da acampada, relatou o movimento, referindo que às 04:32 "a UEP aplica pressão no cordão humano pelo flanco do Bolhão, sem nunca procurar detenções pacíficas".
"Vimos `uma só bastonada` ser aplicada por vários agentes com especial gosto e brutalidade, em direção a manifestantes particulares", acusou a Acampada do Porto, indicando que, depois de superarem o cerco policial, os manifestantes recuaram pela Rua Passos Manuel até aos Aliados "em constante esforço para manter a índole pacífica depois de agredidos".
Perante esta situação, o movimento interrogou: "Qual é o fundamento legal concreto da intervenção? Que perigo atual ou circunstância objetiva justifica a retirada das tendas? Que autoridade determinou efetivamente a intervenção?"
(Lusa)
CDS diz que manifestantes "tiveram várias oportunidades de evitar o que aconteceu"
“Houve apelos à violência contra a polícia. Isso não é aceitável num estado de direto”, disse João Almeida em declarações aos jornalistas.
Em reação aos acontecimentos da última madrugada, o deputado considera que a polícia “agiu com ponderação” e que os manifestantes “estavam no terreno por sua vontade e tiveram várias oportunidades de evitar o que aconteceu”.
“Só depois de várias horas e de vários apelos é que ocorreu a intervenção, perante a desobediência e radicalismo daqueles que não acataram as instruções da polícia e que agrediram agentes”, afirma.
João Almeida diz ainda ver “com muita preocupação” a reação do secretário-geral do PS, afirmando que José Luís Carneiro “tem responsabilidades diretas” na crise da habitação.
O deputado do CDS lembra ainda que o líder dos socialistas foi ministro da Administração Interna e durante esse tempo, “a polícia teve intervenções semelhantes àquilo que aconteceu esta madrugada”.
“Não pode ser irresponsável e negar agora aquilo que defendeu no passado”, diz João Almeida.
Pequena franja de manifestantes põe em causa cumprimento da lei, diz MAI
"Abuso de poder". Defesa dos manifestantes vai fazer queixa contra MAI e diretor da PSP
A defesa dos manifestantes vai avançar com uma queixa contra o ministro da Administração Interna e o diretor nacional da PSP por "abuso de poder". Foram detidas 13 pessoas na última madrugada.
Das primeiras a sair foi Célia Monteiro, uma das "mães pela Acampada". Foi o filho que foi buscar a mãe à esquadra.
À saída da esquadra do Martim Moniz, em Lisboa, o advogado dos manifestantes garantiu que vai avançar nos tribunais contra Luís Neves e contra o diretor nacional da PSP.
Ao todo, 13 pessoas foram detidas: sete no porto, seis em Lisboa. Uma delas é um jovem lituano que estava apenas por perto.
A organização da Acampada diz que mais de 50 pessoas ficaram feridas, três com gravidade.
Os manifestantes falam num tratamento desigual nas próprias urgências.
Treze agentes da PSP também ficaram feridos.
Os detidos são presentes a juiz esta segunda-feira, às dez da manhã no Porto e às duas da tarde em Lisboa.
Polícia acusada de usar bastões, cães e tasers contra manifestantes no Porto
A carga policial no Porto avançou depois de os manifestantes terem recusado retirar as tendas e continuado a gritar palavras de ordem. A polícia empurrou a multidão pelas ruas próximas da Praça D. João I até à desmobilização na Avenida dos Aliados.
Mecanismo de Prevenção de Tortura diz ser cedo para dizer se houve excessos da polícia
O Mecanismo Nacional de Prevenção de Tortura e Maus-tratos acompanhou toda a operação policial da última madrugada, mas indica que ainda é cedo para dizer se houve excessos.
Luís Neves: "O meu lugar está permanentemente à disponibilidade do primeiro-ministro"
O ministro da Administração Interna reagiu aos confrontos durante as manifestações, assegurando que a ação policial não foi uma decisão política e que a polícia tem "autonomia técnica".
Luís Neves assegurou ainda que a "ação inicial da polícia" não foi "uma ação violenta" e expressou total confiança relativamente à PSP.
"Ninguém pode negar que a PSP fez este enorme esforço" de diálogo, referiu o ministro em declarações aos jornalistas em Leiria.
Garantiu ainda que o Governo "está totalmente disponível para auscultar" quem "tenha propostas", nomeadamente membros da sociedade civil.
Sobre a decisão anunciada há momentos pelo PS, que vai chamar Luís Neves com carácter de urgência ao Parlamento para dar explicações, o ministro afirmou que o seu lugar "está permanentemente" à disponibilidade do primeiro-ministro.
Questionado acerca do polícia à paisana que mostrou uma arma de fogo durante a manifestação, o ministro afirmou que a "utilização de qualquer arma tem de ser justificada", mas disse não ter ainda informação que permita esclarecer esse tema.
PS vai chamar com urgência Luís Neves ao Parlamento para explicar operações policiais
"O uso desproporcionado da força é inaceitável numa democracia", acrescentou.
Polícia à paisana foi "forçado" a "recorrer à arma de fogo como elemento dissuasor", diz sindicato
PCP acusa Governo de dar "orientação para a ação repressiva" da polícia
“Em vez de soluções, o Governo, explorando acontecimentos que só o responsabilizam, assume o propósito da limitação das liberdades, nomeadamente da liberdade de manifestação”, refere o PCP.
O partido acusa o Executivo de dar “orientação para a ação repressiva das forças policiais” e exige “o apuramento cabal das responsabilidades políticas da ação repressiva em curso”.
INEM fala em nove pessoas assistidas em Lisboa e 16 no Porto, todos feridos ligeiros
Já no Porto, 16 pessoas foram assistidas, seis das quais transportadas para o Hospital de Santo António.
Todos os feridos, em Lisboa e no Porto, foram classificados como ligeiros.
Seguro já conversou com primeiro-ministro e provedora de Justiça
A informação foi transmitida à agência Lusa por fonte oficial da Presidência da República, depois de ter sido divulgado que António José Seguro tinha pedido informações ao Governo e à Provedoria de Justiça sobre o que se passou nas manifestações de Lisboa e do Porto, em que houve novas cargas policiais, e sobre a situação dos detidos e feridos.
c/ Lusa
Acampada de Lisboa promove concentração contra violência policial e diz que dez pessoas estão hospitalizadas
Por isso, o movimento vai organizar hoje, às 17h00, no Rossio, uma concentração contra a violência policial e pela habitação.
"Esta noite, a Acampada de Lisboa voltou a ser alvo de violência policial. Pelas 04:15, a PSP carregou indiscriminadamente sobre manifestantes, provocando feridos e destruindo estruturas comunitárias da acampada. Esta é a terceira intervenção policial violenta contra a Acampada de Lisboa em menos de três semanas", expôs o movimento.
Além de feridos, houve seis manifestantes detidos, tendo sido já libertados, prevendo-se que sejam presentes a juiz na segunda-feira.
c/ Lusa
Pedro Nuno Santos apela à participação nas manifestações e condena carga policial
"Assistimos a mais duas cargas policiais em Lisboa e no Porto sem que a ordem tivesse sido posta em causa pelos manifestantes. Até quando vamos permitir que isto continue a acontecer?", questionou.
O antigo líder socialista escreveu ainda que "há, pelo menos, uma resposta que podemos dar: sermos cada vez mais os que participam nas manifestações pelo direito à habitação mas também pela defesa da nossa democracia e pelo direito de manifestação".
Defesa dos manifestantes vai participar criminalmente contra ministro e diretor da PSP
O advogado falava aos jornalistas junto à esquadra da Rua da Palma, em Lisboa, para onde foram levados manifestantes detidos após a carga policial contra a acampada pelo direito à habitação, durante a madrugada de hoje.
Para a defesa dos manifestantes, "os únicos autores de crimes nestas circunstâncias são o ministro da Administração Interna, Luís Neves, e o diretor nacional da PSP, Coelho de Moura".
Quanto aos seis manifestantes detidos em Lisboa após a carga policial desta madrugada, Ricardo Sá Fernandes referiu que "estes jovens e alguns menos jovens não cometeram nenhum crime", porque a ordem que lhes foi dada de dispersão da Praça D. Pedro IV, no Rossio, onde estavam concentrados, com tendas montadas, "é uma ordem ilegítima".
"Isto foi um abuso de poder, é absolutamente intolerável que 50 anos depois do 25 de Abril tenhamos que assistir a uma atuação digna dos tempos antes do 25 de Abril", expôs.
c/ Lusa
Presidente da República pediu informações "com todo o detalhe" sobre o que se passou esta madrugada
Segundo fonte oficial da Presidência da República, António José Seguro "solicitou informações e esclarecimentos, com todo o detalhe, sobre o que se viveu esta madrugada nas manifestações em Lisboa e Porto e o que está a passar-se com os manifestantes detidos e com todas as pessoas feridas".
Segundo a agência Lusa, as informações foram solicitadas ao Governo e à Provedoria de Justiça, tendo em conta o acompanhamento feito pelo Mecanismo de Prevenção.
c/ Lusa
Repórter de imagem da CMTV foi agredido à bastonada pela PSP no Porto
Força "desmedida". Sete manifestantes detidos pela PSP no Porto foram libertados
Foram apreendidas quase 100 tendas em Lisboa e Porto
A PSP termina o comunicado assegurando que "respeita e garante o exercício do direito de reunião e de manifestação, constitucionalmente consagrado", mas ressalvando que "o exercício destes direitos deve, contudo, decorrer de forma pacífica, com respeito pelos direitos dos restantes cidadãos".
"A PSP considera igualmente importante sublinhar que o exercício do direito de manifestação não pode justificar atos de vandalismo ou de dano no património público, que pertence a todos os cidadãos e deve ser preservado. Neste contexto, importa recordar os danos provocados no edificado público, designadamente na estátua de D. Pedro IV, situada no centro da Praça D. Pedro IV (Rossio), em Lisboa".
PSP diz que oito dos 13 polícias feridos foram assistidos no hospital
Relativamente aos polícias, foram registados 13 feridos, “dos quais oito necessitaram de transporte a unidade hospitalar para receber assistência médica”.
A PSP frisa que o balanço de feridos é ainda provisório, sendo expectável que possa vir a ser atualizado.
Polícia à paisana retirou arma de fogo quando manifestantes se aproximaram
PSP diz que manifestantes no Rossio arremessaram garrafas e artigos de pirotecnia
“A Polícia de Segurança Pública (PSP) desenvolveu, hoje, a partir das 04h30, uma operação policial na Praça D. Pedro IV (Rossio), em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, com o objetivo de repor a legalidade na utilização e ocupação daqueles espaços públicos”, começa por dizer.
“A PSP interveio na sequência da necessidade de repor a legalidade na ocupação da Praça D. Pedro IV, em Lisboa, e da Praça D. João I, no Porto, assegurando a desocupação dos espaços públicos, cuja utilização se encontrava condicionada pela instalação e manutenção de estruturas de acampamento sem a necessária autorização legal”.
No decurso das intervenções “foram registadas situações de resistência ativa por parte de alguns dos presentes, que dificultaram a atuação policial”, garante a polícia.
Segundo a PSP, no Rossio foram arremessados diversos objetos contra os polícias, designadamente “garrafas, artigos de pirotecnia e tinta, existindo suspeitas de que esta última pudesse conter uma mistura de produto inflamável”.
“Posteriormente, já na zona da Praça da Figueira, verificou-se que alguns manifestantes retiraram garrafas dos caixotes do lixo, arremessando-as contra os polícias. Foram igualmente utilizadas grades e mesas pertencentes a uma estrutura ali instalada, que foram movimentadas e utilizadas para dificultar a intervenção e o avanço policial”.
Organização fala em pelo menos seis feridos em Lisboa, três dos quais estarão hospitalizados
Dezenas de manifestantes em vigília pelos detidos na esquadra do Heroísmo
Os presentes foram "recebidos", a partir das 7h45, por uma dezena de elementos da Unidade Especial de Polícia, que se posicionaram na porta e ao longo da fachada, retirando do passeio do lado da esquadra alguns manifestantes e obrigando-os a mudarem-se para passeio oposto.
A aparição das forças policiais foi recebida com protestos e gritos de "vergonha".
Segundo a organização, num balanço preliminar divulgado cerca das 5h45, resultaram 35 feridos ligeiros e três graves da carga policial sobre os manifestantes, além de sete detidos, confirmados por um dos advogados do movimento, Tiago Machado.
A polícia carregou sobre os manifestantes que tinham voltado a erguer a Acampada na Praça D. João I, onde desde 10 de outubro decorre um protesto em prol do direito à habitação, destruindo o acampamento e afastando os presentes.
Mais tarde, junto à Câmara do Porto, os manifestantes foram alvo de nova carga, e já na vigília no Heroísmo surgiram elementos do corpo de intervenção à porta da esquadra, para já sem ação.
Ao longo da noite, a PSP e os manifestantes dialogaram sobre a permanência na praça D. João I, com a polícia a apelar a que desmontassem as tendas, condição que permitiria que ali pernoitassem. Os presentes rejeitaram a desmontagem das tendas.
c/ Lusa
Treze polícias feridos nas acampadas
Em declarações aos jornalistas na sede da PSP em Lisboa, Sérgio Soares argumentou que o uso da força só aconteceu após os manifestantes atirarem tintas e petardos contra a polícia.
Entre os 13 detidos na intervenção policial nas manifestações pelo direito à habitação, o porta-voz da PSP explicou que seis foram detidos em Lisboa e sete no Porto.
Já dos polícias feridos, todos no Porto, dez eram da polícia de intervenção e três estavam numa unidade à civil.
Um quarto polícia desta unidade à paisana no Porto retirou a arma de fogo quando os manifestantes se aproximaram, admitiu Sérgio Soares.
O porta-voz da PSP disse que as concentrações punham em causa outros direitos, nomeadamente ao descanso, à livre circulação e impediam o trabalho dos jornalistas.
Em resposta aos jornalistas acrescentou que uma faixa utilizada na manifestação de Lisboa também justificou o "uso da força" porque dificultava avanço da polícia.
Questionado pelos jornalistas sobre o facto de a intervenção de hoje ter acontecido mais tarde do que na semana passada, o porta-voz da PSP explicou que houve um período mais longo de mediação, o que se deveu em parte ao facto de haver deputados presentes em Lisboa, nomeadamente Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto, do Livre, e Pedro Delgado Alves, do PS.
c/ Lusa
Pelo menos 13 detidos
O movimento que organizou o protesto no Porto fala em mais de 30 feridos.
Foram confirmadas 13 detenções, seis em Lisboa e sete no Porto.