Primeiros rádios SIRESP vão chegar em novembro às juntas de freguesia do Norte

Primeiros rádios SIRESP vão chegar em novembro às juntas de freguesia do Norte

Os primeiros rádios SIRESP deverão ser entregues em novembro às juntas de freguesia da região Norte, revelou hoje o presidente da empresa que gere o sistema de comunicações, avançando que a distribuição será depois alargada ao restante território.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Nuno André Ferreira - Lusa (Arquivo)

Em entrevista à agência Lusa, o tenente-general Paulo Viegas Nunes explicou que o objetivo é que os rádios sejam distribuídos em novembro por ocasião do `Bootcamp` (iniciativa dirigida aos utilizadores da rede em determinada zona), que vai decorrer na região Norte.

O responsável afirmou que a SIRESP SA "compromete-se para já" na distribuição dos rádios SIRESP no Norte do país, sendo depois distribuídos progressivamente pelas restantes regiões.

No âmbito Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) está previsto a dotação de todas as freguesias com ligação de dados `Starlink`, telefone satélite e terminal do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), além de um gerador, para reação em caso de catástrofe.

Viegas Nunes deu conta de que o concurso, designadamente a aquisição do equipamento, terminou em setembro existindo depois "a fase de distribuição e de implementação".

No entanto, alertou para o facto de não ser um processo imediato: "É um processo que tem de ser feito cuidadosamente, com testes de validação de cada terminal em cada contexto".

O presidente da SIRESP SA precisou que foram adquiridos quatro mil terminais SIRESP para as juntas de freguesias e câmaras municipais, estando agora esses terminais "a serem codificados".

"Estamos neste momento a procurar acelerar a codificação dos terminais e, à medida que os terminais sejam codificados, vão ser entregues", disse.

Viegas Nunes deu também a sua versão sobre os 780 geradores da SIRESP SA, que iam ser adquiridos através do PRR, e que acabaram por não ser comprados. Esta situação agravou as divergências entre o ministro Luís Neves e o ex-secretário-geral do Ministério da Administração Interna, Ricardo Carrilho, que foi demitido na semana passada.

"Houve uma indicação, que veio da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI), de uma determinada capacidade para os geradores. Nós fizemos uma análise mais específica e entendemos que precisávamos de geradores de mais capacidade. Reformulámos as propostas e fizemos chegar as propostas à Secretaria-Geral do MAI", explicou.

No entanto, acrescentou que não era possível apresentar no âmbito do PRR aquele número de geradores com aquela potência, tendo a SIRESP SA apresentado uma nova proposta com menos geradores, mas mantendo a mesma capacidade.

"A SIRESP SA fez chegar à Secretaria-Geral em tempo, com orçamentos, com análise prévia de mercado e fomos surpreendidos também quando o concurso foi publicado e o valor que tinha sido atribuído aos geradores que nós propusemos foi muito abaixo do preço", disse, adiantando que este processo vai ser "revisto e naturalmente relançado".

Após a sua demissão, Ricardo Carrilho lançou várias suspeitas à SIRESP SA, tendo avançado que em julho propôs ao ministro a extinção da empresa e a sua fusão dentro Secretaria-Geral.

Questionado sobre o relacionalmente entre a SGMAI e a SIRESP SA, Viegas Nunes respondeu que "ao nível de trabalho, as equipas cooperaram sempre extraordinariamente".

"É razão porque foi possível honrar o compromisso de lançar os concursos todos. Existiram, de facto, situações de divisão sobre aquilo que foi, de alguma forma, alinhado com o doutor Ricardo Carrilho, que entretanto cessou funções, e que colidiam com aquilo que era a própria articulação da atividade da empresa", disse.

O responsável esclareceu ainda que aceita a transformação da SIREPS SA num instituto público, mas considera ser um problema a inserção direta na SGMAI.

Isto porque, justificou, o SIRESP "é uma rede de soberania do Estado, serve os vários ministérios e tem um conjunto de utilizadores vastíssimo", além dos "requisitos de segurança adicionais".

"Não é só um ministério. Nós termos uma entidade desta natureza como uma entidade orgânica de um ministério, significa transformar a rede SIRESP na repartição ou na direção de comunicações e sistemas de informação de um ministério. Não se coaduna, sob o ponto de vista de missão, ter uma rede soberana com estas características com uma organização desta natureza", disse.

O PS também teve a intenção de extinguir a SIRESP SA e integrá-la na SGMAI, uma ideia que, segundo Viegas Nunes, que entre 2022 e 2024 tinha estado à frente da empresa, foi revertida após ter apresentado a José Luís Carneiro, ministro da Administração Interna de então, uma proposta de aproximação da rede SIRESP à estrutura e disciplina militar.

"Eu, naturalmente, fiz a proposta que fiz, manter a identidade própria e não a inclusão na Secretaria-Geral, e o Dr. Pombeiro [secretário-adjunto do MAI que se demitiu em maio] pretendia fazer isso", disse.

António Pombeiro, secretário-geral adjunto do MAI, demitiu-se do cargo em maio após ser conhecida a renomeação de Paulo Viegas Nunes para a liderança da empresa que gere o SIRESP.

Viegas Nunes frisou que esta aproximação com as estruturas militares "é o plano" que acredita e considerou ser "inegável que exista um alinhamento" entre Pombeiro e Carrilho.

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