Príncipe herdeiro saudita na Madeira entre 13 e 22 de agosto

Príncipe herdeiro saudita na Madeira entre 13 e 22 de agosto

O avião que vai transportar Mohammed bin Salman e os seus convidados deverá aterrar esta quinta-feira na ilha da Madeira. O príncipe ficará na ilha até 22 de agosto, numa visita privada e a sua presença está a levar ao reforço da segurança na ilha.

Graça Andrade Ramos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Mohammed bin Salman Foto: Win McNammee - AFP via Getty Images

A PSP confirmou uma operação de segurança de grande envergadura no aeroporto Internacional da Madeira - Cristiano Ronaldo, para receber o Boeing 787 Dreamliner, do Reino da Arábia Saudita, que irá transportar Mohammed bin Salman. De acordo com o DN do Funchal, um primeiro avião da frota saudita aterrou na tarde de dia 11 no Aeroporto Internacional da Madeira, com o objetivo de preparar a receção ao príncipe herdeiro. 

Bin Dalman estará a visitar a Madeira com a intenção de conhecer a terra do jogador madeirense no Al Nassr, Cristiano Ronaldo. 

Depois do casamento, esta terça-feira, de CR7 e da sua noiva Giorgina Rodriguez, em Cascais, especula-se que o jogador português poderá festejar em breve a ocasião na sua ilha natal, tendo para isso convidado bin Salman.

Em novembro de 2025, Cristiano Ronaldo foi convidado para um jantar de receção a bin Salman, na Casa Branca. O príncipe herdeiro saudita, conhecido pela sigla MBS, é aliado próximo do presidente Donald Trump.

Bin Salman, que, enquanto primeiro-ministro, é o governante de facto da Arábia Saudita apesar de não ser ainda o monarca, será acompanhado de um staff com vários elementos, que ficarão hospedados num hotel do grupo Pestana, enquanto Mohammed bin Salman e os seus convidados ficarão nos últimos pisos do Savoy Palace. 

Alguns dos convidados já estarão, aliás, na Madeira, sendo que, de acordo com o Jornal da Madeira, uma princesa terá comprado várias joias numa conhecida joalheria do Funchal.
Acusado do assassínio de Kashoggi

Além de uma dor de cabeça para garantir a segurança do herdeiro saudita e seus convidados na Madeira, a visita poderá levar a protestos no Funchal, de ativistas defensores dos direitos humanos.

Bin Salman é o principal suspeito do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, colunista do Washington Post que, em 2018, foi morto e esquartejado no consulado saudita na Turquia. O jornalista era um forte opositor da coroa.

O seu corpo nunca foi encontrado, mas, durante a presidência do norte-americano Joe Biden, a CIA apresentou um relatório indicando que foi bin Salman quem ordenou a execução.

O escândalo custou à monarquia do Golfo um período de relativo isolamento internacional.  

Em 2023, o herdeiro da coroa afirmou, em entrevista à televisão norte-americana Fox, que a morte de Kashoggi "foi um erro, foi doloroso”. Apesar de negar ter sido o mandante do assassínio, o príncipe disse que assumia a responsabilidade, enquanto governante.

A organização Repórteres sem Fronteiras acusa bin Salman também pelas detenções arbitrárias de 34 jornalistas na Arábia Saudita, tendo apresentado em março 2021 uma queixa contra o príncipe de mais de 500 páginas, ao procurador público alemão no Tribunal de Justiça Federal, em Karlsruhe.

A justiça francesa abriu este ano uma investigação ao herdeiro do trono saudita, enquanto mandante do assassínio do dissidente Jamal Khashogg.
PUB