Quercus admite recorrer aos tribunais para exigir novo estudo sobre localização do aeroporto

Quercus admite recorrer aos tribunais para exigir novo estudo sobre localização do aeroporto

Os ambientalistas da Quercus admitem recorrer aos tribunais para obrigar o Governo a realizar um novo estudo de impacte ambiental (EIA) das alternativas para a localização do novo aeroporto de Lisboa, adiando assim a decisão final.

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"Temos dois juristas a analisar a possibilidade de recorrer aos tribunais, para exigir um novo estudo de impacte ambiental", afirmou à agência Lusa Francisco Ferreira, da Quercus.

O EIA que a Quercus põe em causa foi realizado em 1999 e, tal como a legislação de impacte ambiental exige, comparou apenas duas alternativas de localização para o aeroporto de Lisboa: OTA e Rio Frio.

Mas, nos últimos meses, surgiram novas alternativas de localização, com a Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) a propor Alcochete e a Câmara de Lisboa a propor a manutenção do aeroporto da Portela apoiado por um outro, no Montijo ou em Alcochete.

Recentemente a CIP propôs ainda uma outra hipótese: manter a da Portela e avançar com a construção faseada de um aeroporto em Alcochete.

Na opinião da Quercus, o Governo deveria estudar novamente todas estas alternativas.

"Sugerimos que sejam estudadas as opções Ota; Portela, mais um aeroporto e a construção faseada de Alcochete; um novo aeroporto de raiz em Alcochete; e manter a Portela, mas apoiada pelo aeroporto do Montijo", referiu.

"Se o Governo não quiser fazer esse caminho [de estudar todas estas novas alternativas], e se chegarmos à conclusão de que a lei o obriga a fazer, vamos recorrer aos tribunais" para que seja obrigado a fazer um novo EIA, adiantou Francisco Ferreira.

Na hipótese de o Governo ser obrigado a um novo EIA, o processo de construção de um novo aeroporto para Lisboa vai ter de recomeçar quase do zero.

O recurso aos tribunais para obrigar o Governo a realizar um novo EIA foi utilizado no caso da co-incineração, tendo as câmaras de Coimbra, Palmela e Setúbal conseguido travar a queima de resíduos perigosos nas cimenteiras dos seus concelhos, uma vez que o tribunal lhes deu razão e exigiu um novo EIA para poder ser retomada a co-incineração.

O Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, contactado pela agência Lusa, decidiu não comentar esta situação.


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