País
Sindicatos de polícias falam em nomeação "atípica" e esperam que Luís Neves seja "melhor que os anteriores"
Os sindicatos de polícias receberam com estranheza e alguma expectativa a notícia da nomeação de Luís Neves para o cargo de ministro da Administração Interna. Já a Liga dos Bombeiros mostrou-se satisfeita e descreveu o até agora diretor da Polícia Judiciária como "um homem de ação".
Em entrevista à RTP Notícias, este sábado, o presidente do Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia, Bruno Pereira, considerou esta nomeação “totalmente atípica”.
“É a primeira vez que me recordo, em quase 25 anos de carreira, de ver um diretor de uma polícia ser nomeado para funções políticas”, afirmou.
O responsável vincou que o ministro da Administração Interna deve ser “uma figura politicamente implantada, com grande capacidade de intervenção, coisa que o dr. Luís Neves não tem”.
“Mas isso não quer dizer que a tarefa seja particularmente condenada ao fracasso”, afirmou, acrescentando que Luís Neves “conhece o sistema, conhece os interlocutores e conhece pelo menos parte do sistema de segurança interna na dimensão relacionada com a investigação criminal”. O SPP/PSP (Sindicato dos Polícias Portugueses) espera, por sua vez, que a nomeação de Luís Neves faça com que “as negociações previstas para o início deste ano” possam ser retomadas “dentro dos moldes previstos”.
“Trata-se de alguém que já conhece a realidade dos polícias e que demonstrou capacidade em melhorar a Polícia que tutelou até há pouco tempo, logo terá uma exigência maior pela nossa parte, sendo expectável que, se lhe for permitido pelo atual governo, possa contribuir para a resolução dos graves problemas que os polícias da PSP enfrentam e falta de atratividade da profissão em atrair e manter, em número e qualidade necessárias”, lê-se num comunicado.
“Melhor que os anteriores, parece-nos que sim, se será suficiente, veremos”, acrescenta o sindicato.Bombeiros destacam “capacidade de trabalho inexcedível”
António Nunes, presidente da Liga dos Bombeiros, frisou que esta “não tem por tradição fazer comentários sobre os membros do Governo”, mas confessou que viu a nomeação com “alguma satisfação e expectativa”.
“O dr. Luís Neves é de facto uma personalidade do nosso meio muito vocacionada no security, mas é membro da Comissão Nacional de Proteção Civil, onde ouviu muitas das nossas lamentações”, disse em entrevista à RTP Notícias.
António Nunes lembrou que Luís Neves esteve presente “quando foi declarada a ativação do Plano Nacional de Emergência” na sequência das tempestades que assolaram o país, “e portanto não é uma personalidade que desconheça a área do safety”.
Na visão da Liga dos Bombeiros, Luís Neves “tem uma capacidade de trabalho inexcedível e tem uma forte capacidade de apreensão de imediato das situações para resolver, e isso foi o que fez ao longo da sua vida”. “Tem a possibilidade de marcar a diferença” entre os bombeiros pois é “um homem de ação”, acrescentou o presidente da liga.
Profissionais da Guarda surpreendidos
A Associação dos Profissionais da Guarda (APG) manifestou, por seu turno, surpresa com a nomeação de Luís Neves e apelou para uma mudança de paradigma, reclamando alterações estruturais no programa do Governo.
Em declarações à Lusa, o presidente da APG/GNR, César Nogueira, começou por dizer que ficaram "surpresos pela nomeação" do diretor da Polícia Judiciária para o cargo, em que poderá enfrentar desafios. A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) também já reagiu, dizendo que irá aguardar “com expectativa a nomeação de toda a equipa ministerial e o teor do seu discurso de posse para uma avaliação mais concreta”.
"Conhecemos bem o dr. Luís Neves pelas suas funções na Polícia Judiciária, mas (a sua nomeação) poderá trazer alguma animosidade no seio das duas maiores forças de segurança" devido à questão do subsídio de risco, que é superior para os inspetores da PJ, o que motivou protestos da PSP e GNR, que exigiram ao Governo negociações para um tratamento igualitário.
A escolha de Luís Neves para tutelar a pasta da Administração Interna, substituindo Maria Lúcia Amaral, foi conhecida este sábado, com o Palácio de Belém a anunciar que o até agora diretor da Polícia Judiciária aceitou a proposta do primeiro-ministro.
c/ Lusa
“É a primeira vez que me recordo, em quase 25 anos de carreira, de ver um diretor de uma polícia ser nomeado para funções políticas”, afirmou.
O responsável vincou que o ministro da Administração Interna deve ser “uma figura politicamente implantada, com grande capacidade de intervenção, coisa que o dr. Luís Neves não tem”.
“Mas isso não quer dizer que a tarefa seja particularmente condenada ao fracasso”, afirmou, acrescentando que Luís Neves “conhece o sistema, conhece os interlocutores e conhece pelo menos parte do sistema de segurança interna na dimensão relacionada com a investigação criminal”. O SPP/PSP (Sindicato dos Polícias Portugueses) espera, por sua vez, que a nomeação de Luís Neves faça com que “as negociações previstas para o início deste ano” possam ser retomadas “dentro dos moldes previstos”.
“Trata-se de alguém que já conhece a realidade dos polícias e que demonstrou capacidade em melhorar a Polícia que tutelou até há pouco tempo, logo terá uma exigência maior pela nossa parte, sendo expectável que, se lhe for permitido pelo atual governo, possa contribuir para a resolução dos graves problemas que os polícias da PSP enfrentam e falta de atratividade da profissão em atrair e manter, em número e qualidade necessárias”, lê-se num comunicado.
“Melhor que os anteriores, parece-nos que sim, se será suficiente, veremos”, acrescenta o sindicato.Bombeiros destacam “capacidade de trabalho inexcedível”
António Nunes, presidente da Liga dos Bombeiros, frisou que esta “não tem por tradição fazer comentários sobre os membros do Governo”, mas confessou que viu a nomeação com “alguma satisfação e expectativa”.
“O dr. Luís Neves é de facto uma personalidade do nosso meio muito vocacionada no security, mas é membro da Comissão Nacional de Proteção Civil, onde ouviu muitas das nossas lamentações”, disse em entrevista à RTP Notícias.
António Nunes lembrou que Luís Neves esteve presente “quando foi declarada a ativação do Plano Nacional de Emergência” na sequência das tempestades que assolaram o país, “e portanto não é uma personalidade que desconheça a área do safety”.
Na visão da Liga dos Bombeiros, Luís Neves “tem uma capacidade de trabalho inexcedível e tem uma forte capacidade de apreensão de imediato das situações para resolver, e isso foi o que fez ao longo da sua vida”. “Tem a possibilidade de marcar a diferença” entre os bombeiros pois é “um homem de ação”, acrescentou o presidente da liga.
Profissionais da Guarda surpreendidos
A Associação dos Profissionais da Guarda (APG) manifestou, por seu turno, surpresa com a nomeação de Luís Neves e apelou para uma mudança de paradigma, reclamando alterações estruturais no programa do Governo.
Em declarações à Lusa, o presidente da APG/GNR, César Nogueira, começou por dizer que ficaram "surpresos pela nomeação" do diretor da Polícia Judiciária para o cargo, em que poderá enfrentar desafios. A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) também já reagiu, dizendo que irá aguardar “com expectativa a nomeação de toda a equipa ministerial e o teor do seu discurso de posse para uma avaliação mais concreta”.
"Conhecemos bem o dr. Luís Neves pelas suas funções na Polícia Judiciária, mas (a sua nomeação) poderá trazer alguma animosidade no seio das duas maiores forças de segurança" devido à questão do subsídio de risco, que é superior para os inspetores da PJ, o que motivou protestos da PSP e GNR, que exigiram ao Governo negociações para um tratamento igualitário.
A escolha de Luís Neves para tutelar a pasta da Administração Interna, substituindo Maria Lúcia Amaral, foi conhecida este sábado, com o Palácio de Belém a anunciar que o até agora diretor da Polícia Judiciária aceitou a proposta do primeiro-ministro.
c/ Lusa