Tancos. PJ suspeitou farsa no dia da recuperação das armas

por RTP

Foto: Rafael Marchante, Reuters

No dia em que foram recuperadas as armas de Tancos a Policia Judiciária e o Ministério Público suspeitaram de imediato de encenação. O atual diretor da PJ também foi alertado para suspeitas de uma farsa por um coronel da GNR.

A investigação à farsa começa oficialmente com uma denúncia anónima enviada à Procuradoria Geral da República, uma semana depois da recuperação do armamento.

Mas, no próprio dia do achamento, Policia Judiciária e Ministério Público suspeitaram que tudo não passava de uma encenação, apurou a RTP junto a fonte ligada à investigação - apesar de isso não constar nem no processo, nem da acusação.

Aliás foram essas desconfianças que levaram a ser convocada uma reunião de urgência no Departamento Central de Investigação e Ação Penal no dia da recuperação.

Nesse dia, o coronel da GNR Amândio Marques, também partilhou com o agora diretor da Polícia Judiciária, Luís Neves, as suspeitas de farsa.

Foi o que garantiu o arguido, que era diretor da investigaçao criminal da GNR, no primeiro interrogatório judicial.

Amândio Marques contou que chamou Luís Neves à parte e partilhou assim as desconfianças: "Aquela história que me venderam, não acredito minimamente nela. Vou pedir aos homens do Algarve que façam um relatorio, para saber o que andaram a fazer."

Afirmou ainda que, depois de receber o relatório feito pelos militares da GNR de Loulé, teve um novo encontro com Luís Neves, que na altura chefiava a Unidade Nacional de Contra Terrorismo, e com os procuradores responsáveis pela investigação a Tancos.

"Eu falei com quem de direito. Falei com os dois procuradores e com o Dr. Luís Neves." "Falei pessoalmente e tenho testemunhas disto. Em como disse (...) que era uma historieta. Dei o relatório como falso."

O coronel, que se diz amigo de longa data de Luís Neves, garantiu perante o juiz que sempre disse que aquilo não passava de uma mentira pegada: "Disse que aquilo era uma mentira pegada, que não acreditava em nada daquilo."

Certo é que nem no processo nem na acusação há referência às denuncias feitas pelo coronel da GNR.

Amândio Marques foi acusado pelo Ministério Público.

Os investigadores concluíram através dos registos das mensagens e chamadas que era impossível não ter sabido previamente da encenação.