Velório de Freitas do Amaral vai decorrer nos Jerónimos

por RTP
António Cotrim - EPA

O corpo de Freitas do Amaral vai estar em câmara ardente a partir das 17h00 desta sexta-feira no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, onde se realizará uma missa de corpo presente às 19h00. No sábado, haverá uma missa às 12h00, celebrada pelo bispo auxiliar de Lisboa, seguindo o cortejo fúnebre para o cemitério da Guia, em Cascais.

Diogo Pinto Freitas do Amaral, professor universitário, nasceu na Póvoa de Varzim em 21 de julho de 1941. Foi líder do CDS, partido que ajudou a fundar em 19 de julho de 1974, vice-primeiro-ministro e ministro em vários governos.O Presidente da República cancelou a sua ida a Roma no sábado para a elevação de Tolentino Mendonça a cardeal, de forma a estar presente nas cerimónias fúnebres de Freitas do Amaral.

Freitas do Amaral, que estava internado desde 16 de setembro, fez parte de governos da Aliança Democrática (AD), entre 1979 e 1983, e mais tarde do PS, entre 2005 e 2006, após ter saído do CDS em 1992.

No final de junho deste ano, Freitas do Amaral lançou o seu terceiro livro de memórias políticas, intitulado "Mais 35 anos de democracia - um percurso singular", que abrange o período entre 1982 e 2017, editado pela Bertrand.

Nessa ocasião, em que contou com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro líder do CDS e candidato nas presidenciais de 1986 - que perdeu para Mário Soares - recordou o seu "percurso singular" de intervenção política, afirmando que acentuou valores ora de direita ora de esquerda, face às conjunturas, mas sempre "no quadro amplo" da democracia-cristã.
José António Pereira - RTP

Líder do CDS, primeiro-ministro interino, ministro em governos à esquerda e à direita, presidente da Assembleia-Geral da ONU, disse em entrevista à agência Lusa quando já se encontrava doente, em junho de 2019, que sofreu "um bocado" com a derrota nas presidenciais de 1986, embora tenha conseguido dar a volta, com "uma carreira de um tipo diferente" e partir para "uma série de pequenas vitórias".
Sábado é dia de luto nacional
O Conselho de Ministros aprovou na quinta-feira, por via eletrónica, um decreto que declara luto nacional no dia 5 de outubro em homenagem ao fundador do CDS, Diogo Freitas do Amaral.

De acordo com a nota do Conselho de Ministros extraordinário, a declaração de luto nacional justifica-se porque Diogo Freitas do Amaral "foi um político e académico de primeira linha".

"Democrata cristão convicto, estadista e patriota, foi um dos fundadores do regime democrático, tendo sempre encarado a causa pública como uma missão desligada de sectarismos", acrescenta o comunicado.

Além dos "cargos cimeiros que ocupou ao longo de mais de 40 anos de participação política ativa", a nota salienta que o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros se destacou "também enquanto académico e homem de cultura".

"Será para sempre lembrado como uma referência incontornável na área do Direito Administrativo, deixando uma vasta obra que por décadas marcou e continuará a marcar a formação jurídica", concluiu a mesma nota do Governo.CDS não faz campanha à tarde
O CDS decidiu suspender a campanha a partir das 15h00, em virtude da morte de Freitas do Amaral.

A presidente do partido, Assunção Cristas, afirmou na quinta-feira que o partido mantém apenas uma ação de campanha, de manhã, nas Caldas da Rainha e um almoço em Setúbal, anulando uma descida do Chiado e um comício de encerramento na sede do partido, no Largo Adelino Amaro da Costa, que estavam previstas para a tarde de hoje.Assunção Cristas vai participar nas cerimónias fúnebres de Freitas e anulou a sua ida a Roma, Itália, para assistir à imposição do barrete cardinalício a José Tolentino de Mendonça, no sábado, dia em que se realiza o funeral do fundador do CDS.

"Hoje importa, mais do que sinalizar percursos que em dado momento se separaram, realçar o que sempre nos uniu e continuará a unir: um compromisso inabalável com a liberdade, com a democracia pluripartidária, com o respeito por todos, com o primado dado à pessoa que deve estar no centro de qualquer política, com opção preferencial pelos mais pobres", afirmou.

E sublinhou que se todos estão no CDS, "é porque todos" se revêm "nos princípios fundadores do CDS, que saíram das mãos de Amaro da Costa e Freitas do Amaral".

Num discurso escrito, ao contrário do que é habitual, Assunção Cristas lembrou quem foi para si Diogo Freitas do Amaral - um ídolo.
Sérgio Vicente - RTP

Recordou as suas primeiras três memórias políticas - aos cinco anos, quando a sua família foi festejar, de carro, para o centro de Lisboa, a vitória da Aliança Democrática em 1979, aos seis a morte de Sá Carneiro, em 1980, que deixou a sua família em profunda tristeza, e as presidenciais de 1986.

A líder do CDS lembrou o "entusiasmo contagiante", das conversas com as suas "amigas do PSD" na escola.

"Por essa altura, bebia cada palavra dita por Diogo Freitas do Amaral, era mesmo o meu ídolo. Achava que era impossível ele perder as eleições, mas foi isso que aconteceu", disse, antecipando que essa derrotou ditou que o seu interesse pela política hibernasse durante anos.

c/ Lusa
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