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Mariana Vieira da Silva: Liderança do PS? "Não me vou excluir"

Em entrevista ao "Política com Assinatura", da Antena 1, Mariana Vieira da Silva recusa colocar-se de fora de uma disputa pela liderança do Partido Socialista: "não me vou excluir para sempre desse caminho. Quem ocupa as posições políticas que ocupo e já ocupei não pode dizer que põe completamente fora de causa essa possibilidade".

Andreia Brito com Natália Carvalho /

Imagem e edição vídeo: Pedro Chitas

Mas Mariana Vieira da Silva recusa estabelecer um horizonte temporal. A jornalista Natália Carvalho replica: “e a próxima entrevista que lhe fizer será à líder do PS?”. Mariana responde: “não. Julgo que não é provável”.
Pacto para a saúde: “não me parece que vá resolver”, admite Mariana Vieira da Silva ao confessar reticências quanto à eficácia da iniciativa do Presidente da República
Mariana Vieira da Silva até acredita que, em alguns aspetos, um pacto para a saúde pode resolver a crise no setor, mas “não me parece que vá resolver o debate que tem mais de 40 anos sobre a forma de organização do Serviço Nacional de Saúde”.

A socialista é a escolhida para representar o PS no grupo liderado pelo antigo ministro, Adalberto Campos Fernandes, que vai coordenar o Pacto Estratégico para a Saúde, iniciativa criada por António José Seguro.

Acho que um pacto estratégico em temas muitos difíceis, que exigem uma coesão, pode ser útil. A ideia de que toda a saúde vai ficar resolvida num pacto, acho difícil”, admite.

A editora de política da Antena 1 pergunta se Mariana Vieira da Silva “considera que o Presidente da República está a ser ingénuo ou utópico”. Ao que a socialista responde que Seguro “tem um objetivo e temos a obrigação de colaborar”.

E assegura que “o meu empenho neste trabalho não diminui por eu ter dúvidas da possibilidade de chegar a acordo em algumas matérias”.
Revisão laboral: “é um ajuste de contas com o PS”
Nesta entrevista Mariana Vieira da Silva afirma que a revisão laboral proposta pelo Governo mais parece “uma espécie de ajuste de contas com as transformações que foram feitas durante os Governos do Partido Socialista”.

A antiga ministra de António Costa defende que, “quando uma lei olha para o passado, para legislação de há 10 anos, e quer retomá-la, julgo que é porque não se fez o trabalho de casa e está-se aqui num ajuste de contas que me parece desnecessário e negativo para a nossa economia”.

Vieira da Silva lamenta que a proposta não contemple as transformações “imprevisíveis do mercado de trabalho”, fruto do desenvolvimento e implementação da Inteligência Artificial.

À pergunta da editora de política da Antena 1, Natália Carvalho, “portanto não acredita que a UGT chegue a acordo?”. “Não acredito que chegue a acordo numa proposta que, em todas as suas alíneas, retira direitos aos trabalhadores”, responde a vice-presidente da bancada parlamentar do PS.
Questionada sobre se a recusa do PS a esta proposta pode, de alguma forma, traduzir-se numa aproximação entre socialistas e Chega, Mariana Vieira da Silva defende que “dois partidos votarem contra, quando não é pelas mesmas razões, para mim isso não é uma união”.

Aquilo que é estranho é o Chega que tem mudado de opinião. Tanto que me parece que a certa altura das últimas semanas o Governo ficou convencido de que teria votos suficientes na Assembleia da República para fazer aprovar esta legislação laboral e desinvestiu na negociação”, acrescenta.

Neste momento Mariana Vieira da Silva põe de parte pedir a demissão da ministra da Saúde. “A partir o momento em que, com todas as críticas e depois de se saber que era uma ministra que não cumpria aquilo que o primeiro-ministro disse que ela ia cumprir... quando, no segundo Governo, Luís Montenegro escolhe nomear novamente Ana Paula Martins, as minhas críticas já não são à ministra da Saúde, são ao primeiro-ministro".

Relembra que quem escolhe os ministros é o líder do Governo e que por isso “paga as consequências dessas escolhas, neste caso de uma escolha muitíssimo errada”.

Eu retiraria as minhas conclusões, o primeiro-ministro escolhe não retirar e, portanto, as críticas passam a ser-lhe dirigidas”, conclui.
OE27 apoiar a reconstrução das regiões afetadas pelas tempestades? “Não parece ser isso que está na cabeça do Governo”
Quando o Governo apresentou o Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), Mariana Vieira da Silva “tinha a expectativa de que o PTRR lançasse alguma luz sobre o Orçamento do Estado para 2027 porque precisamos de saber quanto desse orçamento é que vai ser dedicado à reconstrução daqueles territórios”.

Nesta entrevista ao podcast Política com Assinatura defende mesmo que “a história do orçamento para o próximo ano é a reconstrução daqueles territórios”. Mas, no seu entendimento, "não parece ser isso que está na cabeça do Governo”.

Na sua opinião “qualquer português que tenha visitado Pombal, Marinha Grande, Leiria, Alcácer do Sal, sabe o custo que será recuperar aqueles territórios".

E como tem dúvidas das intenções do Governo, Mariana Vieira da Silva conclui: “aguardemos”.
Pedro Nuno Santos: “não me parece ter sido uma boa forma de regressar”!
“Passar os primeiros minutos da intervenção a atacar e a criticar praticamente todos os socialistas... não me parece ter sido uma boa forma de regressar”, é desta forma que a vice-presidente da bancada parlamentar socialista analisa as declarações de Pedro Nuno Santos.

O socialista regressou ao Parlamento em meados de abril e, nessa altura, afirmou aos jornalistas que "tenho muito mais respeito por José Luís Carneiro do que pelos taticistas que se escondem atrás da porta à espera que o vento mude a favor do PS ou da Esquerda para avançarem para a liderança do partido".

Perante estas declarações, Mariana Vieira da Silva refere que “chegar e criticar todos não me pareceu bem, não me pareceu justo, para aqueles que se querem posicionar, ou que acham que têm o direito de, no futuro, estarem livres para se posicionarem”.

E mais: “o PS não está em condições de viver em permanência neste estado de tensão”, relembra.

Questionada sobre a possibilidade de Pedro Nuno Santos voltar a candidatar-se à liderança do partido, Vieira da Silva entende que “a derrota (de Pedro Numo Santos) foi pesada e temos de saber interpretá-la. Eu julgo que o próprio o terá feito e o partido também tem de o fazer”.

Mas reconhece que “decretar mortes políticas, quase sempre corre mal”.
Na opinião de Mariana Vieira da Silva este não é o momento para a união das esquerdas numa outra gerigonça.

Haver portas de diálogo parece-me importante, transformá-las num programa político parece-me desnecessário e prejudicial”, defende em entrevista à rádio pública.

Garante que “isto não quer dizer nenhuma rejeição ao diálogo”, mas significa que cada um terá de trilhar o seu caminho de recuperação, “cada um terá de fazer o seu trabalho de casa, porque senão canibalizamo-nos em lugar de recuperarmo-nos".

E apela para “não deixar que se ergam muros dentro da esquerda que durante muitos anos existiram e que em 2015 caíram”.
Mariana Vieira da Silva mantém o que sempre disse sobre António José Seguro, aquando da sua candidatura à Presidência da República: “gostava de ter tido outro candidato”. Todavia afirma que “em todas as dimensões de presença no território, de dar voz a quem não tem voz, o balanço é muito positivo. Nas outras dimensões ainda é um bocadinho cedo para dizer”.

Espero sinceramente que o seu mandato seja positivo para o nosso país”, assegura.

Sobre a promulgação da Lei da Nacionalidade por parte do Chefe de Estado, a antiga ministra da Presidência diz que “gosto que o Presidente da República não vete apenas por não concordar com dimensões da lei, como aconteceu no passado”.
Excessivos, exagerados, caricaturáveis”, é desta forma que Mariana Vieira da Silva caracteriza os exemplos dados pelo Presidente da Assembleia da República durante o discurso na cerimónia solene do 25 de abril.

Nessa intervenção José Pedro Aguiar-Branco criticou a legislação que limita o exercício de cargos políticos, falando de remédios populistas que fecham a política, e a lei das incompatibilidades aplicada aos titulares de cargos políticos.

Na opinião de Vieira da Silva esses são exemplos “excessivos, exagerados, caricaturáveis” e compreende por isso com a atitude do deputado Pedro delgado Alves que virou costas ao Presidente do Parlamento durante o discurso de Aguiar-Branco.

E deixa o alerta: “não podemos achar que, numa fase de crescimento do populismo, vamos criar opacidade”. “Se há voyeurismo a partir das declarações de património? Sim, existe. Se a contrapartida é deixarmos de ter transparência, então será mais prejudicial”.
Vieira da Silva acusa antiga PGR de promover “justiça popular”
Não tenho nenhuma esperança de algum dia ter a resposta de Lucília Gago”, a antiga procuradora-geral da República que acrescentou um parágrafo ao comunicado da Operação Influencer e que levou à demissão de António Costa do cargo de primeiro-ministro.

E, numa referência às recentes notícias sobre escutas que envolvem António Costa, Mariana Vieira da Silva afirma que “tenho esperança de não viver num mundo onde, perante a ideia de que as investigações não avançam e não se concluem, a única solução é pôr cá para fora escutas descontextualizadas, cortadas, para fazer uma espécie de justiça popular, quando a justiça efetiva não é feita”.
Nesta entrevista, conduzida por Natália Carvalho, editora de política da Antena 1, Mariana Vieira da Silva, questionada sobre um eventual regresso de António Costa à política nacional, afirma que é preciso “deixar a nostalgia de lado”.
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