André Ventura alerta para eventual corte de pensões e insiste na redução da idade da reforma

André Ventura alerta para eventual corte de pensões e insiste na redução da idade da reforma

O líder do Chega esteve esta quarta-feira em Santarém durante a rentrée do partido. As polémicas que envolvem o ministro da Administração Interna, a situação em Ceuta e as pensões foram alguns dos temas que dominaram o discurso de André Ventura.

Andreia Martins - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Paulo Cunha - Lusa

No regresso à atividade política após as férias, o presidente do Chega já tem os olhos postos no documento orçamental que será votado no outono. 

“Vamos colocar no Orçamento do Estado para 2027 a descida da idade da reforma”
, assegurou, regressando a uma medida que procurou implementar na anterior sessão legislativa aquando da discussão do pacote laboral. 

Neste tópico, André Ventura considerou que o relatório sobre a Segurança Social divulgado esta semana serve apenas o propósito de impedir esta redução da idade da reforma ou mesmo para justificar o corte de pensões. 

“Encomendaram e maniataram este estudo para dizer que afinal a Segurança Social não está com excedente, está com défice”, apontou.
 

“Isto tem um objetivo claro: neutralizar a proposta do Chega no Orçamento do Estado para descer a idade da reforma (…) ou pior, cortar pensões. Daqui a um mês ou dois, ou três, vão começar a dizer que temos de cortar pensões”, uma situação que é insustentável perante o aumento do custo de vida, sustentou. 

Garantiu que o Chega irá “bloquear na Assembleia da República todas as propostas que impliquem um corte de pensões em Portugal” e que, mais cedo ou mais tarde, “a idade da reforma vai mesmo descer”. 
"Arrogância política"

Houve também críticas ao Governo de Luís Montenegro e ao próprio primeiro-ministro, que segundo Ventura vive “num país cor-de-rosa” e lidera com “teimosia, unilateralismo e arrogância”.

“Luís Montenegro continua a governar mal e com tremenda arrogância política”, criticou. Mais à frente, viria a considerar que o líder do PSD é “zero diferente” de António Costa. 

André Ventura assinalou ainda que o Chega “tem convicções” e que não será “muleta” de nenhum Governo ou partido, lembrando o sentido de voto contra o Governo no pacote laboral.

“Querem muletas? Já têm o CDS e a Iniciativa Liberal, não é preciso o Chega para ser muleta”, afirmou. E alargou a crítica ao PS: “Os dois grandes partidos habituaram-se a ter muletas à sua esquerda e à sua direita”. 
"Agarrados ao mesmo sistema de interesses"

As polémicas que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves, também marcaram a intervenção de Ventura esta quarta-feira. “Durante dias e dias houve um silêncio sufocante na política portuguesa”, afirmou.

“Este silêncio levanta-me uma suspeita: da esquerda à direita, estes partidos, por uma ou por outra razão, estão todos agarrados ao mesmo sistema de interesses”, acusou o líder do Chega. 

E questionou: “O que é que seria se, em vez de Luís Neves, fosse um dos deputados do Chega, ou um dos autarcas do Chega?” 

André Ventura garantiu que a luta contra a corrupção se tornou no “ADN do Chega” e que o partido não se deixa “ameaçar nem condicionar”. 
O "abre-olhos" de Ceuta

O dossier da imigração foi também amplamente referido ao longo do discurso. Lembrou, por exemplo, o papel do Chega na aprovação da chamada “lei das burcas” e alertou para os perigos de uma “islamização da Europa”. 

Sublinhou também o exemplo de Ceuta, com a entrada massiva de imigração ilegal no final do mês de julho. Um “abre-olhos” perante o que designa de perigo para “a nossa civilização”. 

Apontou ainda que há “uma incapacidade da elite em perceber o que está a acontecer”. 

Outra ideia que André Ventura fez questão de assinalar foi o da preparação do Chega para ser poder. “Podemos ser chamados a qualquer momento a fazer novamente uma escolha”, assinalou, deixando elogios ao “governo sombra” que, refere, demonstra “quem é alternativa”. 

“O Chega não pretende crises políticas, entendemos que o país tem de ter a maturidade de avaliar os seus governos”, disse Ventura, mas garantiu que está “pronto para governar Portugal”.
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