Política
Eleições 2011
Apelos à demissão de Francisco Louçã sobem de tom
A perda de quase metade dos votos obtidos em 2009 e o regresso à condição de quinta força política no Parlamento serviram de ponto de partida para uma sucessão de apelos ao afastamento da liderança do Bloco de Esquerda. No rescaldo do escrutínio, Francisco Louçã garantiu que o seu lugar “está sempre nas mãos do partido”, mas não deu um passo para a saída. O antigo dirigente Daniel Oliveira considera que só uma demissão “abre espaço a um debate”.
Com 5,19 por cento dos votos e oito deputados eleitos, o Bloco de Esquerda deixou de ser a quarta força política na Assembleia da República. A coligação que une PCP e Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) tornou a ultrapassar o partido de Francisco Louçã, elegendo um total de 16 deputados. Na noite de domingo, o coordenador da Comissão Política do Bloco surgia perante as câmaras de televisão para assumir ser “o primeiro dos responsáveis” pelo “recuo”, embora ressalvando que o partido não estava vencido. Para Daniel Oliveira, antigo dirigente do BE, não chega.
“O que o Bloco fez nos últimos meses, depois da derrota de Manuel Alegre, talvez por causa dela, foi mimetizar o PCP. Desse ponto de vista, eu acho que, para começar, a Comissão Política deve assumir as suas responsabilidades, demitindo-se. A demissão da Comissão Política é o que abre espaço a um debate no Bloco”, afirmou Daniel Oliveira em declarações à Antena 1, para logo defender a “realização de uma convenção extraordinária”. Até porque a última reunião magna do partido, organizada há um mês, teve lugar “em período de pré-campanha”.
Daniel Oliveira considera que foram duas as “decisões que marcaram o destino do Bloco”. A primeira foi a “pressa de se medir com o PCP”, ao “apresentar de uma forma extemporânea” uma moção de censura ao Governo socialista. A outra foi a “não ida à reunião da troika” do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia, “não fazendo, por exemplo, o mesmo que fez [o secretário-geral da CGTP] Carvalho da Silva, que foi lá dizer de sua justiça, defender as suas posições”. “Era isso que os eleitores do Bloco esperavam”, concluiu.
“Era uma derrota anunciada”
O Bloco de Esquerda, reconheceu Francisco Louçã na noite eleitoral, “não atingiu os seus resultados”. “E eu sou certamente o primeiro dos responsáveis por não termos conseguido, nesta batalha tão difícil, o resultado que pretendíamos. Este recuo é, em qualquer caso, uma derrota”, admitiu o coordenador do partido.
Questionado pelos jornalistas sobre o seu futuro imediato, Louçã frisou que “a direção do partido é escolhida pela convenção”. Mas também que “nestes momentos ninguém pode voltar as costas à realidade”.
Gil Garcia, do movimento Ruptura/FER (Frente de Esquerda Revolucionária), concorda com a necessidade de um pedido de demissão por parte de Francisco Louçã. Os resultados das legislativas constituíram, segundo o líder daquela corrente minoritária do Bloco de Esquerda, “uma grande derrota”. Contudo, tratou-se de “uma derrota anunciada”.
“Francisco Louçã devia ter-se demitido, é óbvio, pois conduziu o Bloco de Esquerda a este desastre, apesar de ter sido avisado”, propugnou Gil Garcia, ouvido pela agência Lusa. “Nós assinalámos inúmeros erros, mas a direção não quis corrigir. Em primeiro lugar, foi a aproximação ao PS, que conduziu o país ao desastre económico e que o entregou ao crédito internacional e ao FMI com todo o peso que isso vai significar para a população portuguesa, e por outro lado o BE esteve associado à candidatura presidencial do próprio partido do Governo. Agora está a pagar o preço”, acrescentou.
Pureza falhou reeleição
Já Ana Drago disse ser “muito avessa” a uma “personalização daquilo que são as responsabilidades”: “Francisco Louçã é talvez o porta-voz mais conhecido do Bloco, é o coordenador da Comissão Política do BE, mas nós fizemos esta campanha coletivamente”.
“Francisco Louçã, como toda a direção política do Bloco, tem de fazer uma reflexão conjunta, mas não se pode deixar que a culpa recaia sobre uma pessoa e que assim, supostamente, se ilibe e não se faça a reflexão”, argumentava ontem à noite a deputada bloquista.
Outro dos rostos do recuo do Bloco de Esquerda é o até agora líder parlamentar do partido. José Manuel Pureza, que falhou a reeleição como deputado por Coimbra, assumiu o que considerou ser “uma derrota inequívoca”. Não apenas em Coimbra, mas também “em termos nacionais”. O BE, reconheceu o professor de Relações Internacionais, “foi com certeza penalizado por várias opções que tomou”. No entender de Pureza, porém, é “toda a esquerda” que terá de “se repensar”.
“O que o Bloco fez nos últimos meses, depois da derrota de Manuel Alegre, talvez por causa dela, foi mimetizar o PCP. Desse ponto de vista, eu acho que, para começar, a Comissão Política deve assumir as suas responsabilidades, demitindo-se. A demissão da Comissão Política é o que abre espaço a um debate no Bloco”, afirmou Daniel Oliveira em declarações à Antena 1, para logo defender a “realização de uma convenção extraordinária”. Até porque a última reunião magna do partido, organizada há um mês, teve lugar “em período de pré-campanha”.
Daniel Oliveira considera que foram duas as “decisões que marcaram o destino do Bloco”. A primeira foi a “pressa de se medir com o PCP”, ao “apresentar de uma forma extemporânea” uma moção de censura ao Governo socialista. A outra foi a “não ida à reunião da troika” do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia, “não fazendo, por exemplo, o mesmo que fez [o secretário-geral da CGTP] Carvalho da Silva, que foi lá dizer de sua justiça, defender as suas posições”. “Era isso que os eleitores do Bloco esperavam”, concluiu.
“Era uma derrota anunciada”
O Bloco de Esquerda, reconheceu Francisco Louçã na noite eleitoral, “não atingiu os seus resultados”. “E eu sou certamente o primeiro dos responsáveis por não termos conseguido, nesta batalha tão difícil, o resultado que pretendíamos. Este recuo é, em qualquer caso, uma derrota”, admitiu o coordenador do partido.
Questionado pelos jornalistas sobre o seu futuro imediato, Louçã frisou que “a direção do partido é escolhida pela convenção”. Mas também que “nestes momentos ninguém pode voltar as costas à realidade”.
Gil Garcia, do movimento Ruptura/FER (Frente de Esquerda Revolucionária), concorda com a necessidade de um pedido de demissão por parte de Francisco Louçã. Os resultados das legislativas constituíram, segundo o líder daquela corrente minoritária do Bloco de Esquerda, “uma grande derrota”. Contudo, tratou-se de “uma derrota anunciada”.
“Francisco Louçã devia ter-se demitido, é óbvio, pois conduziu o Bloco de Esquerda a este desastre, apesar de ter sido avisado”, propugnou Gil Garcia, ouvido pela agência Lusa. “Nós assinalámos inúmeros erros, mas a direção não quis corrigir. Em primeiro lugar, foi a aproximação ao PS, que conduziu o país ao desastre económico e que o entregou ao crédito internacional e ao FMI com todo o peso que isso vai significar para a população portuguesa, e por outro lado o BE esteve associado à candidatura presidencial do próprio partido do Governo. Agora está a pagar o preço”, acrescentou.
Pureza falhou reeleição
Já Ana Drago disse ser “muito avessa” a uma “personalização daquilo que são as responsabilidades”: “Francisco Louçã é talvez o porta-voz mais conhecido do Bloco, é o coordenador da Comissão Política do BE, mas nós fizemos esta campanha coletivamente”.
“Francisco Louçã, como toda a direção política do Bloco, tem de fazer uma reflexão conjunta, mas não se pode deixar que a culpa recaia sobre uma pessoa e que assim, supostamente, se ilibe e não se faça a reflexão”, argumentava ontem à noite a deputada bloquista.
Outro dos rostos do recuo do Bloco de Esquerda é o até agora líder parlamentar do partido. José Manuel Pureza, que falhou a reeleição como deputado por Coimbra, assumiu o que considerou ser “uma derrota inequívoca”. Não apenas em Coimbra, mas também “em termos nacionais”. O BE, reconheceu o professor de Relações Internacionais, “foi com certeza penalizado por várias opções que tomou”. No entender de Pureza, porém, é “toda a esquerda” que terá de “se repensar”.