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Passos Coelho antecipa "muitas medidas difíceis"

Passos Coelho antecipa "muitas medidas difíceis"

Depois de uma noite eleitoral em que não quis “alimentar qualquer triunfalismo”, Pedro Passos Coelho dirigiu-se na manhã desta segunda-feira para a sede do PSD com um conjunto de “contactos importantes” na agenda. No momento de encetar o processo de formação do novo governo, o futuro primeiro-ministro lembra que há agora um programa de austeridade a cumprir e que vai exigir “muita coragem para os próximos anos”.

RTP /
“Saberão a seu tempo o que for de saber quando se tratar de preparar o governo”, disse Passos Coelho aos jornalistas José Sena Goulão, Lusa

Uma celebração sem “qualquer triunfalismo”. Foi neste tom que Passos Coelho se dirigiu, a partir do Hotel Sana, em Lisboa, aos apoiantes do PSD e ao país, consumada a vitória sobre o PS e conhecida a saída de cena de José Sócrates. Com 38,63 por cento dos votos, os social-democratas passam a ocupar 105 assentos na Assembleia da República. Os socialistas, com 28,05 por cento, passam a ter 73 deputados. Aquém da maioria absoluta, é com o CDS-PP, a terceira força política mais votada, com 11,74 por cento (24 deputados), que o futuro primeiro-ministro vai negociar uma aliança.

Na noite da festa laranja, Pedro Passos Coelho falou de “uma grande oportunidade” para “transformar as dificuldades em aventuras” e deixar para trás “tempos terríveis”. Esta segunda-feira, à saída de casa, o vencedor das legislativas recordou que “há muitas medidas difíceis que estão programadas e que serão tomadas”.

“Disse que não estava nesta campanha eleitoral que terminou a pensar sobretudo nos votos. Estava a pensar no país e é no país que continuo a pensar. Sei que o país e todos os portugueses vão precisar de muita coragem para os próximos anos e tenho a certeza de que a vão ter”, afirmou o líder social-democrata aos jornalistas, pouco antes de rumar à sede nacional do seu partido.

“Tão rápido quanto possível”
Para já, Passos Coelho nada adianta sobre a constituição da sua equipa governativa. Em breves declarações aos jornalistas, o presidente do PSD indicou que aproveitaria a manhã “para fazer alguns contactos que são importantes”: “Saberão a seu tempo o que for de saber quando se tratar de preparar o governo e nomeadamente os contactos com o CDS”.

Definitivamente excluída estará uma abertura do próximo elenco governativo a um PS sem José Sócrates ao leme. Isso mesmo foi reiterado na noite de domingo pelo líder do PSD, que tornou a dizer-se indisponível “para fazer uma espécie de salada russa no Governo”. Aquilo que Pedro Passos Coelho espera dos socialistas é que respeitem “todos os compromissos” assumidos com a troika do Fundo Monetário Internacional, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu.

Quanto à escolha do elenco do governo, prometeu não perder tempo: “Procurarei, tão rápido quanto possível e assim que as circunstâncias o permitam e o senhor Presidente da República tome a iniciativa que só a ele cabe, poder desencadear todo o processo da constituição de um futuro governo de maioria para Portugal”.

“Dia de trabalho”
Também Paulo Portas salientou, na noite eleitoral, que esta segunda-feira seria “dia de trabalho”, apelando mesmo aos militantes do CDS-PP para que “respeitassem” o “ambiente” em Portugal e as “dificuldades das pessoas”. Ao reivindicar para o seu partido “o melhor resultado dos últimos 28 anos”, apesar do “aumento da abstenção”, o líder democrata-cristão tratou de enfatizar que “o país não deu a maioria absoluta a um só partido”. “Essa hipótese sempre me pareceu exagerada”, notou.

“Fica para outra ocasião a discussão sobre o efeito que teve a teoria do chamado empate técnico entre o PS e o PSD no comportamento de alguns eleitores. Obviamente, terá havido voto útil que impediu o CDS de eleger, por algumas centenas de votos, deputados. Mas também é verdade que, contra a opinião e a vontade de muitos, o CDS e o PSD cresceram ambos na mesma eleição. Qualquer pessoa que conheça o sistema partidário português sabe como é difícil ao CDS aguentar um ciclo de crescimento do PSD, mas foi exatamente isso que aconteceu”, assinalou Portas.

De resto, o presidente do CDS-PP tornou a manifestar a sua “disposição” para “construir” com os social-democratas uma “maioria para quatro anos” e garantir, assim, um “governo forte”. Tudo “em coerência com o que disse na campanha eleitoral”.
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