Carrilho fala em "purga política cirúrgica"

Carrilho fala em "purga política cirúrgica"

Ricardo Carrilho diz ter sido exonerado da Secretaria-Geral da Administração Interna numa "purga política cirúrgica". Numa coluna de opinião no Expresso, garante que em 20 anos de carreira nunca foi "alvo de tantas pressões ilegítimas e de uma interferência política tão asfixiante".

RTP / Adicionar como fonte informativa
Lusa (arquivo)

"A minha recente exoneração, camuflada sob o pretexto burocrático de "imprimir uma nova orientação", (...) não passou de um embuste", escreveu Ricardo Carrilho.

"Foi uma purga política, cirúrgica".

Num artigo intitulado "A ditadura da incompetência: como o respeito pela Lei e o mérito técnico se tornaram alvos a abater na Administração Interna", o agora demitido secretário-geral do MAI considera especialmente grave o facto de este afastamento ter acontecido quando o organismo que liderava estava a registar os melhores resultados na história do Ministério da Administração Interna - uma eficiência que acusa a tutela de tentar apagar.

Ricardo Carrilho garante que sempre respeitou "rigorosamente a lei", e zelou "pelo erário público". 

"Ao longo de 20 anos de carreira, enquanto dirigente na Administração Pública, pautei invariavelmente a minha conduta pela mais estrita legalidade, pela integridade pessoal e pela defesa intransigente do interesse público".

E nestas duas décadas de serviço, garante que nunca tinha sido "alvo de tantas pressões ilegítimas e de uma interferência política tão asfixiante como no período em que exerci as funções de Secretário-Geral, sob a atual tutela de Luís Neves".

No mesmo artigo de opinião, adianta que colidiu "frontalmente com a barreira dos interesses políticos e dos esquemas de favorecimento instalados à sombra da segurança nacional".

E admite ter sido afastado depois de ter proposto "a extinção da SIRESP SA, uma empresa pública, que se se transformou num sorvedouro de dinheiros públicos, e num intermediário burocrático de luxo".

Carrilho afirma ainda ter pago o preço da integridade e ter sido alvo de retaliação por não proteger o sistema, nem alimentar a inacção.

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