Política
Catroga admite necessidade de reajustamento do programa da "troika"
O ex-ministro da Economia Eduardo Catroga reconheceu ontem que o programa de ajuda internacional a Portugal deve vir a ser reajustado. Catroga, que no ano passado liderou as negociações do plano de resgate pelo PSD, considera, no entanto, que a ser necessária uma reavaliação essa iniciativa deve partir da troika. As declarações do novo chairman da EDP surgem poucos dias depois da polémica suscitada em torno da conversa privada entre Vítor Gaspar e o ministro alemão das Finanças Wolfgang Schäuble, em que este se disponibilizou para flexibilizar o plano de auxílio a Portugal.
No âmbito de uma conferência que teve lugar no Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa, Eduardo Catroga elucidou que, com o agravamento da crise de dívida na Europa, as condições impostas há um ano pelo Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia, devem vir a precisar de ajustes estruturais.
"A troika é que deveria tomar a iniciativa de fazer o reajustamento, eu interpreto as palavras do ministro alemão nesse sentido, porque foi a troika que aceitou um determinado conjunto de pressupostos, feitos em abril, maio. Agora quando fizerem um ano em abril, maio, precisam de ser reavaliados", declarou à Lusa.
"A primavera é o momento oportuno para fazer essa reavaliação", sublinhou. Para Catroga, escolhido por Pedro Passos Coelho enquanto líder da oposição para conduzir a delegação do PSD nas negociações com a troika, o eventual reajustamento não será problemático para a economia portuguesa.
"Não é nenhum drama"
“Portugal está a cumprir, está a fazer tudo aquilo a que se comprometeu. É muito confortante saber que, se estas alterações de pressupostos determinarem que ainda não é possível regressar nomrmalmente aos mercados no segundo semestre de 2013, vamos continuar a ter apoios. Portanto não há-que fazer nenhum drama sobre isso”.
Catroga salientou ainda que o plano de resgate formalizado entre o Governo e a troika pressupõe uma avaliação trimestral e está sujeito a alterações. A exemplo, o antigo ministro de Cavaco Silva apontou a quebra de 0,5 por cento do crescimento económico na Europa, quando as previsões davam conta de um aumento de dois por cento.
“Um segundo pressuposto é que a troika deu como boa uma estimativa apresentada pelo então Governo socialista de José Sócrates, que apontava para um défice público de 5,9 por cento do produto interno bruto, em 2011, sem receitas extraordinárias. O que se veio a verificar é que foi de 7,2 por cento, sem receitas extraordinárias, o que não pode deixar de ter implicações nos objectivos para 2012 e 2012”, acrescentou.
Seguro quer explicações de Passos Coelho
Esta semana ficou marcada pela divulgação das imagens de uma conversa informal entre os ministros das Finanças de Portugal e da Alemanha antes da reunião do Eurogrupo. Wolfgang Schäuble admitiu a Vítor Gaspar que os alemães estão abertos a renegociações. “Após a decisão substancial sobre a Grécia, se houver a necessidade de reajustamento do programa português nós estamos prontos para o fazer”, afirmou Schäuble, ao que Gaspar respondeu que “isso será muito apreciado”.
O diálogo da polémica suscitou reações acaloradas de diversas fações políticas. O líder do PS, António José Seguro, reafirmando o que havia dito à Grande Entrevista da RTP na passada quinta-feira, veio ontem sublinhar que vai pedir explicações ao primeiro-ministro sobre a questão.
“Assisti com estupefação ao facto de o ministro das Finanças ter ido propor ao seu colega alemão o que eu ando a propor há mais de três meses. Espero um esclarecimento do primeiro-ministro sobre essa matéria”, disse aos jornalistas após um jantar com militantes do Partido Socialista em Torres Vedras.
Acusando Passos Coelho de ter “paixão e obsessão” pela austeridade, Seguro revelou que “se também fosse primeiro-ministro teria de implementar medidas de austeridade”, mas não “no ritmo e na dose” dos cortes inflingidos aos portugueses pelo atual Executivo.
“Portugal tinha previsto para 2011 um défice orçamental de 5,4 por cento e o défice vai situar-se perto dos quatro por cento, o que quer dizer que há um excedente”, avança Seguro, concluindo que o caminho alternativo é “não aumentar a dose a aumentar o tempo desses sacrifícios para que os portugueses e as empresas possas aliviar as suas contas”.
Schäuble fez um "grande elogio" a Portugal, diz Relvas
Já para o ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, a oferta de Schäuble ao Governo português foi “um grande elogio”.
No âmbito do Congresso dos Jovens Autarcas Social Democratas, que tem lugar na Trofa, Relvas garantiu que Portugal está no caminho certo para cumprir o programa de ajuda, afirma que as palavras de Schäuble foram um reconhecimento disso mesmo.
"O que o senhor ministro das Finanças da Alemanha nos fez foi um grande elogio, foi ter dito que o que Portugal estava a fazer, estava a fazer bem e era o caminho certo, é bom ouvirmos palavras agradáveis", comentou.
Relvas salientou ainda que as medidas de austeridade em vigor “são imparáveis nos próximos oito anos", mas que vão levar Portugal de volta ao rumo do crescimento. "Vamos ultrapassar dentro deste programa, deste tempo e com estas verbas, vamos ultrapassar as situações em que estamos. Portugal já se distanciou da Grécia nos últimos sete meses, vamos continuar nesse caminho", clamou.
O ministro conclui a defesa do acordo com a troika com um vaticínio: "Se não fizermos as reformas que estão em curso, morremos".
"A troika é que deveria tomar a iniciativa de fazer o reajustamento, eu interpreto as palavras do ministro alemão nesse sentido, porque foi a troika que aceitou um determinado conjunto de pressupostos, feitos em abril, maio. Agora quando fizerem um ano em abril, maio, precisam de ser reavaliados", declarou à Lusa.
"A primavera é o momento oportuno para fazer essa reavaliação", sublinhou. Para Catroga, escolhido por Pedro Passos Coelho enquanto líder da oposição para conduzir a delegação do PSD nas negociações com a troika, o eventual reajustamento não será problemático para a economia portuguesa.
"Não é nenhum drama"
“Portugal está a cumprir, está a fazer tudo aquilo a que se comprometeu. É muito confortante saber que, se estas alterações de pressupostos determinarem que ainda não é possível regressar nomrmalmente aos mercados no segundo semestre de 2013, vamos continuar a ter apoios. Portanto não há-que fazer nenhum drama sobre isso”.
Catroga salientou ainda que o plano de resgate formalizado entre o Governo e a troika pressupõe uma avaliação trimestral e está sujeito a alterações. A exemplo, o antigo ministro de Cavaco Silva apontou a quebra de 0,5 por cento do crescimento económico na Europa, quando as previsões davam conta de um aumento de dois por cento.
“Um segundo pressuposto é que a troika deu como boa uma estimativa apresentada pelo então Governo socialista de José Sócrates, que apontava para um défice público de 5,9 por cento do produto interno bruto, em 2011, sem receitas extraordinárias. O que se veio a verificar é que foi de 7,2 por cento, sem receitas extraordinárias, o que não pode deixar de ter implicações nos objectivos para 2012 e 2012”, acrescentou.
Seguro quer explicações de Passos Coelho
Esta semana ficou marcada pela divulgação das imagens de uma conversa informal entre os ministros das Finanças de Portugal e da Alemanha antes da reunião do Eurogrupo. Wolfgang Schäuble admitiu a Vítor Gaspar que os alemães estão abertos a renegociações. “Após a decisão substancial sobre a Grécia, se houver a necessidade de reajustamento do programa português nós estamos prontos para o fazer”, afirmou Schäuble, ao que Gaspar respondeu que “isso será muito apreciado”.
O diálogo da polémica suscitou reações acaloradas de diversas fações políticas. O líder do PS, António José Seguro, reafirmando o que havia dito à Grande Entrevista da RTP na passada quinta-feira, veio ontem sublinhar que vai pedir explicações ao primeiro-ministro sobre a questão.
“Assisti com estupefação ao facto de o ministro das Finanças ter ido propor ao seu colega alemão o que eu ando a propor há mais de três meses. Espero um esclarecimento do primeiro-ministro sobre essa matéria”, disse aos jornalistas após um jantar com militantes do Partido Socialista em Torres Vedras.
Acusando Passos Coelho de ter “paixão e obsessão” pela austeridade, Seguro revelou que “se também fosse primeiro-ministro teria de implementar medidas de austeridade”, mas não “no ritmo e na dose” dos cortes inflingidos aos portugueses pelo atual Executivo.
“Portugal tinha previsto para 2011 um défice orçamental de 5,4 por cento e o défice vai situar-se perto dos quatro por cento, o que quer dizer que há um excedente”, avança Seguro, concluindo que o caminho alternativo é “não aumentar a dose a aumentar o tempo desses sacrifícios para que os portugueses e as empresas possas aliviar as suas contas”.
Schäuble fez um "grande elogio" a Portugal, diz Relvas
Já para o ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, a oferta de Schäuble ao Governo português foi “um grande elogio”.
No âmbito do Congresso dos Jovens Autarcas Social Democratas, que tem lugar na Trofa, Relvas garantiu que Portugal está no caminho certo para cumprir o programa de ajuda, afirma que as palavras de Schäuble foram um reconhecimento disso mesmo.
"O que o senhor ministro das Finanças da Alemanha nos fez foi um grande elogio, foi ter dito que o que Portugal estava a fazer, estava a fazer bem e era o caminho certo, é bom ouvirmos palavras agradáveis", comentou.
Relvas salientou ainda que as medidas de austeridade em vigor “são imparáveis nos próximos oito anos", mas que vão levar Portugal de volta ao rumo do crescimento. "Vamos ultrapassar dentro deste programa, deste tempo e com estas verbas, vamos ultrapassar as situações em que estamos. Portugal já se distanciou da Grécia nos últimos sete meses, vamos continuar nesse caminho", clamou.
O ministro conclui a defesa do acordo com a troika com um vaticínio: "Se não fizermos as reformas que estão em curso, morremos".