CDS acusa Costa de declarações que "não correspondem à verdade"

| Política

Entre o material furtado dos Paióis Nacionais de Tancos estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e munições
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O CDS-PP vai propor que o relatório final do inquérito parlamentar ao furto em Tancos indique, nas suas conclusões, que o primeiro-ministro fez declarações que “não correspondem à verdade” e que o ex-ministro da Defesa, Azeredo Lopes, omitiu factos ao Parlamento.

Estas são duas das conclusões que constam nas propostas de alteração do CDS-PP ao documento, que será discutido pelos deputados da comissão de inquérito parlamentar a 18 de junho.

Os centristas propõem que uma das conclusões seja que “as declarações prestadas publicamente pelo primeiro-ministro” em outubro de 2018, durante as quais alegou desconhecer os documentos entregues pelo diretor-geral da Polícia Judiciária Militar (PJM) ao chefe de gabinete do então ministro da Defesa Nacional, “não correspondem à verdade”.

Telmo Correia, deputado do CDS-PP, tinha afirmado em maio, durante a apresentação do relatório preliminar, que existem “responsabilidades políticas” do primeiro-ministro e de Azeredo Lopes.De acordo com os centristas, António Costa “teve conhecimento do conteúdo dos documentos” a 12 de outubro de 2018.

“António Costa soube e depois de saber continuou a tentar omitir o facto” de que teve conhecimento do memorando sobre a recuperação do material militar, argumentou na altura Telmo Correia.

A acusação dos centristas baseia-se no facto de o chefe de gabinete de António Costa, Francisco André, ter revelado que entregou o documento ao primeiro-ministro na manhã de 12 de outubro, antes de uma “reunião de trabalho” que o chefe do Governo iria ter com Azeredo Lopes.

No texto de propostas de alteração, o CDS-PP acusa ainda o PS e Ricardo Bexiga, deputado do Partido Socialista e relator na comissão parlamentar de inquérito a Tancos, de tentarem “ocultar as responsabilidades políticas do atual Governo, em especial do ex-ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, e do próprio primeiro-ministro, António Costa, omitindo do relatório matéria que prova que a mesma existe”.
Azeredo Lopes “omitiu”
O CDS-PP sugere também, como conclusão do relatório final, que Azeredo Lopes “omitiu à Assembleia da República”, numa audição na comissão em setembro de 2018, que esteve reunido com o antigo diretor da PJM, Luís Vieira, arguido no processo judicial em fase de investigação.

Para os centristas, os documentos entregues por Luís Vieira e pelo então inspetor da PJM Vasco Brazão ao tenente-general António Martins Pereira, ex-chefe de gabinete de Azeredo Lopes, “continham informação pertinente e indícios da ação ilegal da PJM na recuperação do material militar na Chamusca, em que se descrevia com pormenor suficiente a encenação” alegadamente feita pela PJ Militar.Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições.

O relatório preliminar da comissão, da autoria do socialista Ricardo Bexiga, não aponta para qualquer responsabilização do anterior titular da pasta da Defesa, que se demitiu em 2018, nem do primeiro-ministro, António Costa.

Ricardo Bexiga propõe que a comissão de inquérito “apurou que em nenhum momento se verificou qualquer interferência política na ação do Exército ou na atividade da PJM” e que o primeiro-ministro “não teve conhecimento prévio de qualquer outra informação sobre o achamento do material furtado”.

O furto de material de guerra foi divulgado pelo Exército a 29 de junho de 2017. Quatro meses depois, a PJM revelou o aparecimento do material furtado, na região da Chamusca, a 20 quilómetros de Tancos, em colaboração com elementos do núcleo de investigação criminal da GNR de Loulé.

c/ Lusa

Tópicos:

António Costa, CDS-PP, Tancos, Azeredo, Chamusca, Exército, PJM , Polícia,

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