Chega desafia Montenegro. "Vai estar ao lado do socialismo ou de quem combate o socialismo?"

Luís Montenegro afirmou na noite eleitoral que o PSD não iria dar indicação de voto nem em António José Seguro nem em André Ventura.

RTP /
Foto: António Cotrim - Lusa

O primeiro-ministro recusou-se, no debate quinzenal desta quarta-feira, a responder à questão do da bancada do Chega sobre se “vai estar ao lado do socialismo ou ao lado de quem combate o socialismo” na segunda volta das eleições presidenciais.

“A pergunta é fácil: vai estar ao lado do socialismo ou ao lado de quem combate o socialismo?”, questionou o deputado Pedro Pinto, do Chega.

Perante a questão, Luís Montenegro lembrou que a Aliança Democrática venceu em 2024 as eleições legislativas e que a coligação colocou “a governação nos eixos”, valorizando “a vida das pessoas”.

“Mas o Chega e o Partido Socialista coligaram-se em consórcio, derrubaram o Governo e quiseram uma segunda volta das eleições legislativas”, acusou o primeiro-ministro, dizendo que o resultado foi “o reforço da posição política da AD e das condições de governabilidade do país”.

“Não confundimos, portanto, as duas voltas das eleições legislativas com as duas voltas das eleições presidenciais”, explicou.

“Em todo o caso, acaba por haver também alguma semelhança no resultado das eleições presidenciais com as eleições legislativas”, argumentou Montenegro, dizendo que à sua frente no Parlamento estão “três grandes espaços políticos”, referindo-se ao PSD, Chega e PS.

A diferença que viu nas presidenciais foi que nos “dois espaços políticos médios, os votos estiveram concentrados num candidato”, António José Seguro.

“Os candidatos que passaram à segunda volta são os candidatos que representam (…) o espaço da direita e o espaço da esquerda”, realçou, dizendo que cabe ao Governo e ao primeiro-ministro “respeitar a pronúncia e a decisão soberana do povo português”. Luís Montenegro afirmou na noite eleitoral que o PSD não iria dar indicação de voto nem em António José Seguro nem em André Ventura, que arrecadaram o primeiro e o segundo lugar, respetivamente.

Aos partidos “cabe também acatar e, de alguma maneira, conviver com as consequências de não ter evitado a dispersão de votos no seu espaço político”, acrescentou.

“Temos todos de assumir as nossas responsabilidades. Nós assumimos as nossas. Eu não estou aqui como presidente do PSD, mas não tenho nenhum problema em assumir as responsabilidades inerentes a essa função em toda a sua expressão”.

Luís Montenegro insistiu que os portugueses escolheram a AD para governar o país. “E é isso que eu estou aqui a fazer: a responder pela governação do país, a responder pelas políticas do Governo, a responder pela melhoria das condições de vida dos portugueses”, assegurou.

Pedro Pinto voltou a intervir para dizer que o primeiro-ministro não lhe respondeu e lembrou que, além das pontes feitas no Parlamento, será necessário também fazê-las com o presidente da República.

“A única coisa que posso acrescentar àquilo que já disse é que, em matéria de pontes, só no último Orçamento do Estado o Chega fez 82 pontes com o Partido Socialista”, respondeu Montenegro.

O deputado do Chega reagiu dizendo que, para melhorar a vida dos portugueses, “até com o diabo” fariam pontes. “Essa é que é a nossa grande diferença”, acrescentou.PSD acusa Chega de contradição
O líder parlamentar do PSD acusou o Chega de contradição por querer o apoio do primeiro-ministro ao candidato presidencial André Ventura, depois de ter criticado a sua presença na campanha de Marques Mendes.

Em tom irónico, Hugo Soares citou frases ditas pelo candidato apoiado pelo Chega na primeira volta, quando acusou Montenegro de querer ser "o salva-boias" de Luís Marques Mendes, candidato apoiado por PSD e CDS-PP, afirmando que chegou a criticar a entrada na campanha do líder do PSD e a dizer "que se lixe Montenegro".

"É isso que André Ventura disse ao país sobre o primeiro-ministro e agora vêm pedir ao primeiro-ministro para apoiar a candidatura do dr. André Ventura?", questionou, recebendo palmas da sua bancada.

Para Hugo Soares, ou Pedro Pinto não concertou posições com André Ventura ou o Chega "fez um ‘flic flac’ à retaguarda".

"Já não há medo que Montenegro entre na campanha, afinal até dava jeito apoio do primeiro-ministro", criticou.
Mariana Leitão e Montenegro discutem quem pôs partido à frente do interesse nacional
A presidente da IL acusou, por sua vez, o primeiro-ministro de ter posto o PSD à frente do interesse nacional nas presidenciais, mas Luís Montenegro lembrou que Mariana Leitão abdicou da sua candidatura presidencial para ser líder partidária.

"No primeiro dia da campanha eleitoral, [Luís Montenegro] fez um apelo ao voto útil e, depois, quando a realidade o ultrapassou, ignorou-a", sustentou a presidente da Iniciativa Liberal, numa alusão ao facto de o presidente do PSD ter insistido no apoio à candidatura de Marques Mendes, que ficou em quinto lugar, bem atrás do liberal Cotrim Figueiredo, que ficou em terceiro lugar.

Depois, Mariana Leitão deixou a seguinte pergunta ao primeiro-ministro e presidente do PSD: "Já consegue explicar aos portugueses a razão que o motivou a colocar os seus interesses partidários à frente dos interesses do país, levando a que não exista um candidato de centro-direita na segunda volta destas presidenciais?".

O primeiro-ministro devolveu: "Se há alguém que encarou as eleições presidenciais sob o ponto de vista do interesse partidário, com todo o respeito, foi a senhora deputada [Mariana Leitão], porque deixou de ser candidata presidencial para assumir um cargo partidário".

Já com muitos deputados da bancada do PSD a rirem-se, Mariana Leitão alegou, a seguir, que deixou de ser candidata presidencial para ser líder da IL "por opção estratégica".

Uma opção para defender "o interesse do meu partido, que é também o interesse do país", argumentou Mariana Leitão.
PCP acusa Montenegro de não se posicionar para garantir apoio alternado de Chega e PS
Já o secretário-geral do PCP acusou o primeiro-ministro de não se posicionar sobre a segunda volta das presidenciais para garantir, alternadamente, o apoio de Chega e PS.

"Nós percebemos a tática. Quer manter no PS uma reserva para quando for necessário acenar a chantagem o PS dar-lhe a mão em questões estruturais, como fez no Orçamento de Estado deste ano. Ao mesmo tempo, quer manter a continuidade do apoio do Chega naquilo que é decisivo para a sua própria governação. Porque sabe que o Chega e o candidato André Ventura nunca lhe faltarão", argumentou.

Raimundo disse que o Chega "nunca faltará" ao Governo se for para descer o IRC, rever o fim da derrama estadual, aprovar o pacote laboral ou contribuir para o "desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde", e questionou o primeiro-ministro sobre se o seu verdadeiro objetivo é "salvar a sua desastrosa política".

O primeiro-ministro respondeu que, ao contrário do que disse Raimundo, as políticas do Executivo "são virtuosas" e assegurou que a opção que tomou em relação às presidenciais não foi feita por "nenhum elemento de natureza tática face às demais forças políticas".

"Participámos, enquanto estruturas partidárias, numa campanha eleitoral, tínhamos a convicção de que o candidato que apoiávamos era o candidato mais bem preparado para esta função e correspondia à representação do nosso espaço político (...) Cada um de nós faz agora a avaliação daquelas que são as opções e exercerá o seu direito de voto. Os espaços políticos que estão em confrontação neste momento não são o nosso", acrescentou.
CDS-PP rejeita que Ventura seja "candidato antidemocrata"
O líder parlamentar do CDS-PP rejeitou que se qualifique o presidente do Chega, André Ventura, de "candidato antidemocrata" a presidente da República, e que o PS reclame como vitória sua o resultado obtido por António José Seguro.

Por outro lado, o líder parlamentar do CDS-PP contestou também que o Chega reclame vitória nas eleições de domingo por André Ventura ter sido o segundo mais votado - à frente de Marques Mendes, apoiado por PSD e CDS-PP - e ir disputar a segunda volta.

Paulo Núncio manifestou-se certo de que o Chega ficará atrás da AD (PSD/CDS-PP) quando houver novas eleições legislativas: "Bastará que o símbolo da AD volte novamente aos boletins de voto para o Chega regressar ao seu devido lugar na direita portuguesa".

"Ouço para aí dizer que a segunda volta das eleições presidenciais vai ser disputada entre um candidato democrata e um candidato antidemocrata. Senhores deputados, qualquer candidato que receba o voto popular e que ganhe eleições tem legitimidade democrática, quer seja de esquerda, quer seja de direita", declarou.

Sobre o candidato mais votado no domingo, António José Seguro, Paulo Núncio apelidou-o de "candidato socialista" e alegou que "foi humilhado durante anos pelo PS e, em particular, por muitos deputados socialistas que ainda hoje estão nesta bancada".

"Não obstante, o PS tenta convencer o país que teve uma vitória estrondosa na primeira volta. Não teve, senhores deputados. O PS não esteve no boletim de voto e o PS não ganhou rigorosamente nada. Tudo o resto é pura hipocrisia e puro oportunismo político do PS", sustentou. 

c/ Lusa
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