Política
Crise da habitação. Presidente ouve partidos em Belém sobre coesão social
O primeiro partido a ser recebido em Belém é o JPP e o último é o PSD. Cada reunião deverá ter aproximadamente 30 minutos.
O presidente da República recebe esta quinta-feira os partidos para discutir a coesão social. As audiências, convocadas depois de António José Seguro ter apelado a um entendimento entre o Governo e a oposição sobre a habitação, arrancaram às 8h30 e prevê-se que terminem pelas 13h30.
A primeira audiência é com o JPP, seguindo-se o PAN, CDS-PP, BE, PCP, Livre, IL, PS, Chega e PSD.
Na quarta-feira, o chefe de Estado esteve reunido com especialistas e entidades ligadas à habitação, nomeadamente associações de inquilinos e proprietários, do setor da construção civil, autarcas e associações de habitação pública.
Um dia antes, António José Seguro quebrou o silêncio sobre a ação policial nas manifestações pela habitação, dizendo que não gostou do que viu e reiterando o apelo a soluções para esta crise através do diálogo e sem recurso à violência.
Nessa declaração, o presidente assegurou que tem estado ativo e vigilante e destacou a convocação de uma reunião do Conselho de Estado para 2 de novembro sobre a coesão social e habitação.
"A coesão social não é um slogan. A coesão social é a garantia de que nós somos capazes de olhar uns para os outros e de tratarmos todos em conjunto. Para isso, é preciso que as pessoas acedam a tempo e horas à saúde, é preciso que as pessoas tenham acesso à habitação, é preciso que as pessoas tenham salários condignos", vincou.
No que respeita à habitação, António José Seguro tem salientado, em particular, a situação dos jovens portugueses, que descreveu como "uma geração bloqueada", e defendeu que é urgente assegurar o arrendamento ou a compra de casas para "todas as bolsas".
O presidente recordou também que, na semana passada, apelou ao entendimento entre os partidos e o Governo, mas voltou a questionar a falta de resultados: "Porque é que não há diálogo? Se há propostas para resolver o problema, porque é que as partes não se entendem?".
JPP e PAN defendem consensos
No final do encontro, o deputado único do JPP, Filipe Sousa, disse que o presidente se mostrou "amplamente preocupado com as assimetrias sociais em que o país vive" e vincou a necessidade de “consensos alargados”, colocando de parte “o confronto e o teatro político que se vive no Parlamento”.
"Transmiti ao senhor presidente que há uma desconfiança total das pessoas nos partidos e nas instituições, e isso é fruto de uma bolha que é transversal a todos os partidos, incluindo aquele a que eu pertenço. Isto é um facto", referiu.
Também a porta-voz do PAN já foi ouvida, dizendo no final que "não é preciso convocar uma acampada" entre todos os partidos para chegar a consensos na habitação e pediu disponibilidade ao Governo para alterar a nova lei das rendas.
Questionada sobre em que soluções para a habitação é possível chegar a acordo, Inês Sousa Real identificou a colocação no mercado das "10 mil casas identificadas por parte do Estado prontas a habitar", o aumento das deduções no IRS com as rendas ou a possibilidade de deduzir as despesas da habitação, como o crédito a habitação.
c/ Lusa