Carta aberta. Trinta mulheres garantem nunca ter visto "comportamentos inadequados" de Cotrim
Na segunda-feira, Cotrim Figueiredo classificou a denúncia de assédio sexual de que foi alvo, por parte de uma antiga assessora parlamentar, como "absolutamente e completamente falsa", prometendo interpor uma queixa-crime.
Trinta mulheres que trabalharam com João Cotrim Figueiredo afirmam, em carta aberta, que "nunca vivenciaram ou presenciaram comportamentos inadequados" por parte do agora candidato presidencial. O antigo dirigente da Iniciativa Liberal foi acusado de assédio sexual por Inês Bichão, ex-assessora parlamentar do partido.
"Nenhuma de nós vivenciou ou presenciou comportamentos inadequados nas interações que tivemos, incluindo em contextos de trabalho com várias mulheres na equipa nos quais o ambiente se manteve profissional e respeitador", afirmam as subscritoras da carta, citada pela agência Lusa.
As mulheres afiançam que, durante o período em que trabalharam com Cotrim Figueiredo, foram tratadas com respeito, profissionalismo e consideração: "O objetivo deste texto é apenas acrescentar ao espaço público um testemunho honesto e coletivo sobre aquilo que conhecemos em primeira mão".
"Como o silêncio de quem conhece a realidade também pode ser uma forma de injustiça, escolhemos falar", enfatizam.Entre as subscritoras do documento figuram as apresentadoras de televisão Iva Domingues e Filipa Garnel, as deputadas da Iniciativa Liberal Joana Cordeiro e Angélique Da Teresa e a ex-deputada Patrícia Gilvaz.
A denúncia
"Reconheço inteligência e competência ao João (e procuro sempre rebater alguém pelas suas ideias), não tanto quanto a propalada, por não lhe conhecer um projeto de lei que tenha redigido. Foi um desafio trabalhar consigo a vários níveis", escreveu Inês Bichão no Instagram.
"Nunca vou esquecer as várias vezes em que bloqueei quando me disse Excelente trabalho, só falta abrires as pernas comigo, De que tipo de homens gostas?, Mais grossa ou mais comprida?", prosseguiu a antiga assessora parlamentar dos liberais, atualmente técnica especialista da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.
"Não vou esquecer o que acontece às pessoas que não fazem o que ele quer ou que pensam diferente de si. E dos telefonemas que faz logo a seguir para minar propostas de trabalho", acusou ainda Inês Bichão.
"Que me acuse daquilo que quiser, se tiver ponta por onde pegar. Calada estive eu e assim vou continuar, porque não merece que a minha vida seja prejudicada por aquilo que ele fez. Não suporto a ideia de o ver em Belém, com o Octávio, com o Bernardo e com o Ricardo", rematou, referindo-se a outros nomes conotados com a IL.A RTP divulga esta terça-feira, às 20h00, uma sondagem da Universidade Católica sobre as intenções de voto nas eleições presidenciais, que deverá aclarar quem tem mais possibilidades de passar a uma segunda volta a 8 de fevereiro – cenário cada vez mais provável.
"Tive conhecimento dessa denúncia e é absolutamente e completamente falso o que essa senhora pôs a circular. Vai ser obviamente objeto de processo por difamação. Porque há política, há política suja e depois há isto. É absolutamente inadmissível. Não percebo como é que em Portugal ainda há gente que acha que consegue fazer política desta maneira", reagiu João Cotrim Figueiredo em declarações aos jornalistas, durante uma ação de campanha na Covilhã.
"Isto só acontece porque há gente com medo, com surpresa de eu estar a crescer. Não nos vão amedrontar. Vou até ao fim para apurar quem é que pôs isto a circular e porque é que mente desta forma descarada", vincou.
c/ Lusa