Política
Luís Neves na Administração Interna. Partidos oscilam entre elogios e avisos para "muito trabalho"
O novo ministro da Administração Interna, que deixa a direção da Polícia Judiciária, toma posse na próxima segunda-feira em Belém. Da direita à esquerda, as reações à escolha de Luís Neves vão dos elogios aos avisos para os desafios da pasta.
Luís Neves “é uma personalidade forte num Governo apesar de tudo frágil”. Foi assim que o secretário-geral do PS reagiu este sábado à escolha do até agora diretor da Polícia Judiciária para a pasta da Administração Interna no Governo de PSD e CDS-PP. José Luís Carneiro manifestou a expectativa de que o novo ministro leve para o Executivo “uma cultura de serviço de Estado”.
“Queria dizer que tenho a melhor das impressões do doutor Luís Neves. É um excelente profissional, a quem quero desejar as maiores felicidades. É uma personalidade forte num Governo apesar de tudo frágil”, começou por avaliar o líder socialista, que falava aos jornalistas à margem da reunião do Conselho Estratégico do PS, no Porto.
“Espero que seja bem-sucedido num Ministério que é um dos mais importantes nas funções de soberania”, acrescentou Carneiro.Questionado sobre as posições assumidas por Luís Neves, enquanto diretor da PJ, quanto à imigração e a segurança, descartando uma correlação, José Luís Carneiro lembrou que o novo ministro “teve uma posição muito clara sobre essa matéria na Assembleia da República”.
“Pode ser que o ministro da Presidência possa aprender alguma coisa com o senhor doutor Luís Neves”, estimou.
“Primeiro, não há qualquer relação entre imigração e segurança. É a primeira observação objetiva e factual que poderá ser demonstrada por parte do ministro da Administração Interna”, enumerou o secretário-geral do PS.
“Em segundo lugar, para ter uma abordagem sobre o sistema de segurança interna que salvaguarde o interesse do Estado. Diria que o doutor Luís Neves leva para o Governo uma cultura de serviço de Estado. Assim o Governo seja capaz de acolher e de integrar essa cultura de Estado”.
Sistema de Segurança Interna. “Que não se ande para trás”
José Luís Carneiro diria ainda esperar que, como Luís Neves, “não se ande para trás no esforço que foi feito no desenvolvimento do Sistema de Segurança Interna”, que o novo responsável governativo “bem conhece”. “É um percurso que vem desde os atentados terroristas e que foi depois consolidado com a lei de segurança interna de 2008”, fez notar o dirigente partidário.
“Desde então, até hoje, o Sistema de Segurança Interna tem dado provas em momentos cruciais da vida do país. O exemplo mais conhecido é a Jornada Mundial da Juventude”.
Questionado sobre a sucessão à frente da Polícia Judiciária, Carneiro enfatizou que “essa é uma escolha para a ministra da Justiça, que deve ser feita em diálogo com o primeiro-ministro”.
“Não quero pronunciar-me sobre esse assunto”, rematou.
“O Chega vai ser implacável”
Diante da escolha feita pelo primeiro-ministro, o Chega promete ser “implacável” na avaliação do trabalho a desenvolver por Luís Neves. Isso mesmo foi enfatizado por Rui Gomes da Silva, que começou por deixar uma nota negativa para a folha de serviço da anterior ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral.
“O novo ministro da Administração Interna vai ter muitos dossiers para resolver e vai ter, nesse aspeto, muito trabalho que não foi desenvolvido, anunciado, tratado pelos últimos responsáveis da pasta”, frisou. “Quais? São do conhecimento de todos: forças de segurança, o problema das carreiras das forças de segurança, o problema do comando unificado dos bombeiros, o problema da reorganização da Proteção Civil”, desfiou Rui Gomes da Silva.
“O Chega vai ser implacável no escrutínio do novo ministro da Administração Interna. E será exigente porquê? Porque nos últimos anos houve muitos erros”, propugnou, para sustentar que o desfecho da demissão de Maria Lúcia Amaral comprova que “o Chega tinha muita razão”.O partido de extrema-direita manifesta desde já a intenção de chamar o novo ministro à Assembleia da República.
“Hoje sabemos todos que não temos uma aposta do Governo na área da segurança. Nesse sentido, eu apelava para afastarmos de vez a questão das perceções”, continuou, recordando as posições de Luís Neves sobre a ausência de ligação entre a imigração e a insegurança.
“Não são perceções, são realidades. E apelamos para que o novo titular do Ministério da Administração Interna não se fique pelas perceções, não se fique pela construção de ideias que não têm qualquer correspondência com a realidade e que, atentando na realidade, tenha disponibilidade, capacidade, força, tenha empenho suficiente para resolver esses problemas”, insistiu Gomes da Silva.
“Condições e meios”
Por sua vez, o PCP veio considerar que, “independentemente da personalidade indicada” para o Ministério da Administração Interna, é preciso conhecer a política que vai ser implementada por Luís Neves.
“A nomeação do novo ministro da Administração Interna, independentemente da personalidade indicada, coloca para o desempenho dessas funções como questão central as condições e meios para responder aos múltiplos problemas existentes”, reagiram os comunistas em comunicado.“A questão que efetivamente se coloca é a da política que vai ser prosseguida”, sublinha o PCP.
O partido salienta a valorização dos profissionais das forças de segurança, a garantia de condições de trabalho e o reforço dos meios da Autoridade Nacional de Emergência de Proteção Civil, desde logo a valorização dos bombeiros.
O PCP reclama “medidas e investimentos indispensáveis à prevenção e à preparação do país para enfrentar intempéries, incêndios ou outros problemas”.
“País precisa de reformas concretas”
Ouvida pela RTP, a deputada do Livre Patrícia Gonçalves considerou que o nome de Luís Neves “é uma escolha positiva”. Isto porque “tem mostrado capacidade de ação, enquanto diretor da Polícia Judiciária, e tem sido um defensor dos valores democráticos e das instituições”. “Tem também tido posicionamentos políticos independentes da linha até do Governo, muitas vezes, em matérias como a imigração, a luta contra o racismo, e para nós isso é uma boa escolha e temos algumas expectativas para o exercício das suas funções”, acentuou a deputada.
“No entanto, o Ministério da Administração Interna é um Ministério complexo, que tem sob a sua tutela diversas forças policiais e a Proteção Civil, e sabemos que é um desafio muito grande. É um desafio estrutural, não é para uma só pessoa”, ressalvou.
“Deixou boas indicações na Polícia Judiciária”
Também o Bloco de Esquerda teceu elogios à postura de Luís Neves enquanto diretor da Polícia Judiciária, designadamente no que o partido considera ser o “combate à criminalidade motivada pelo discurso de ódio de extrema-direita”.
“Será difícil compatibilizar isso com a opção política de um governo que legitima diariamente o discurso de ódio da extrema-direita. Desejo-lhe boa sorte para o seu mandato”, sinalizou o coordenador do Bloco, José Manuel Pureza, em declaração remetida à agência Lusa.
“Queria dizer que tenho a melhor das impressões do doutor Luís Neves. É um excelente profissional, a quem quero desejar as maiores felicidades. É uma personalidade forte num Governo apesar de tudo frágil”, começou por avaliar o líder socialista, que falava aos jornalistas à margem da reunião do Conselho Estratégico do PS, no Porto.
“Espero que seja bem-sucedido num Ministério que é um dos mais importantes nas funções de soberania”, acrescentou Carneiro.Questionado sobre as posições assumidas por Luís Neves, enquanto diretor da PJ, quanto à imigração e a segurança, descartando uma correlação, José Luís Carneiro lembrou que o novo ministro “teve uma posição muito clara sobre essa matéria na Assembleia da República”.
“Pode ser que o ministro da Presidência possa aprender alguma coisa com o senhor doutor Luís Neves”, estimou.
“Primeiro, não há qualquer relação entre imigração e segurança. É a primeira observação objetiva e factual que poderá ser demonstrada por parte do ministro da Administração Interna”, enumerou o secretário-geral do PS.
“Em segundo lugar, para ter uma abordagem sobre o sistema de segurança interna que salvaguarde o interesse do Estado. Diria que o doutor Luís Neves leva para o Governo uma cultura de serviço de Estado. Assim o Governo seja capaz de acolher e de integrar essa cultura de Estado”.
Sistema de Segurança Interna. “Que não se ande para trás”
José Luís Carneiro diria ainda esperar que, como Luís Neves, “não se ande para trás no esforço que foi feito no desenvolvimento do Sistema de Segurança Interna”, que o novo responsável governativo “bem conhece”. “É um percurso que vem desde os atentados terroristas e que foi depois consolidado com a lei de segurança interna de 2008”, fez notar o dirigente partidário.
“Desde então, até hoje, o Sistema de Segurança Interna tem dado provas em momentos cruciais da vida do país. O exemplo mais conhecido é a Jornada Mundial da Juventude”.
Questionado sobre a sucessão à frente da Polícia Judiciária, Carneiro enfatizou que “essa é uma escolha para a ministra da Justiça, que deve ser feita em diálogo com o primeiro-ministro”.
“Não quero pronunciar-me sobre esse assunto”, rematou.
“O Chega vai ser implacável”
Diante da escolha feita pelo primeiro-ministro, o Chega promete ser “implacável” na avaliação do trabalho a desenvolver por Luís Neves. Isso mesmo foi enfatizado por Rui Gomes da Silva, que começou por deixar uma nota negativa para a folha de serviço da anterior ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral.
“O novo ministro da Administração Interna vai ter muitos dossiers para resolver e vai ter, nesse aspeto, muito trabalho que não foi desenvolvido, anunciado, tratado pelos últimos responsáveis da pasta”, frisou. “Quais? São do conhecimento de todos: forças de segurança, o problema das carreiras das forças de segurança, o problema do comando unificado dos bombeiros, o problema da reorganização da Proteção Civil”, desfiou Rui Gomes da Silva.
“O Chega vai ser implacável no escrutínio do novo ministro da Administração Interna. E será exigente porquê? Porque nos últimos anos houve muitos erros”, propugnou, para sustentar que o desfecho da demissão de Maria Lúcia Amaral comprova que “o Chega tinha muita razão”.O partido de extrema-direita manifesta desde já a intenção de chamar o novo ministro à Assembleia da República.
“Hoje sabemos todos que não temos uma aposta do Governo na área da segurança. Nesse sentido, eu apelava para afastarmos de vez a questão das perceções”, continuou, recordando as posições de Luís Neves sobre a ausência de ligação entre a imigração e a insegurança.
“Não são perceções, são realidades. E apelamos para que o novo titular do Ministério da Administração Interna não se fique pelas perceções, não se fique pela construção de ideias que não têm qualquer correspondência com a realidade e que, atentando na realidade, tenha disponibilidade, capacidade, força, tenha empenho suficiente para resolver esses problemas”, insistiu Gomes da Silva.
“Condições e meios”
Por sua vez, o PCP veio considerar que, “independentemente da personalidade indicada” para o Ministério da Administração Interna, é preciso conhecer a política que vai ser implementada por Luís Neves.
“A nomeação do novo ministro da Administração Interna, independentemente da personalidade indicada, coloca para o desempenho dessas funções como questão central as condições e meios para responder aos múltiplos problemas existentes”, reagiram os comunistas em comunicado.“A questão que efetivamente se coloca é a da política que vai ser prosseguida”, sublinha o PCP.
O partido salienta a valorização dos profissionais das forças de segurança, a garantia de condições de trabalho e o reforço dos meios da Autoridade Nacional de Emergência de Proteção Civil, desde logo a valorização dos bombeiros.
O PCP reclama “medidas e investimentos indispensáveis à prevenção e à preparação do país para enfrentar intempéries, incêndios ou outros problemas”.
“País precisa de reformas concretas”
Pela Iniciativa Liberal, Mariana Leitão afirmou, nas redes sociais, que a nomeação de Luís Neves tem lugar num contexto de exigência para o país.
“A nomeação de Luís Neves para ministro da Administração Interna ocorre num momento exigente para Portugal”, assinalou a presidente dos liberais.
A nomeação de Luís Neves para Ministro da Administração Interna ocorre num momento exigente para Portugal.
— Mariana Leitão (@marianalqcl) February 21, 2026
O país precisa de reformas concretas, melhor coordenação, planeamento eficaz e capacidade real de resposta. É tempo de executar o que tem ficado por fazer, o país não…
“O país precisa de reformas concretas, melhor coordenação, planeamento eficaz e capacidade real de resposta. É tempo de executar o que tem ficado por fazer, o país não aguenta continuar a viver de anúncios sem consequência”, acrescentou.
A IL, enfatizou Mariana Leitão, “acompanhará de perto” o desempenho do novo ministro da Administração Interna. “Esperamos que esteja à altura da responsabilidade e que consiga entregar os resultados que o país exige”.
“É um desafio estrutural”Ouvida pela RTP, a deputada do Livre Patrícia Gonçalves considerou que o nome de Luís Neves “é uma escolha positiva”. Isto porque “tem mostrado capacidade de ação, enquanto diretor da Polícia Judiciária, e tem sido um defensor dos valores democráticos e das instituições”. “Tem também tido posicionamentos políticos independentes da linha até do Governo, muitas vezes, em matérias como a imigração, a luta contra o racismo, e para nós isso é uma boa escolha e temos algumas expectativas para o exercício das suas funções”, acentuou a deputada.
“No entanto, o Ministério da Administração Interna é um Ministério complexo, que tem sob a sua tutela diversas forças policiais e a Proteção Civil, e sabemos que é um desafio muito grande. É um desafio estrutural, não é para uma só pessoa”, ressalvou.
“Deixou boas indicações na Polícia Judiciária”
Também o Bloco de Esquerda teceu elogios à postura de Luís Neves enquanto diretor da Polícia Judiciária, designadamente no que o partido considera ser o “combate à criminalidade motivada pelo discurso de ódio de extrema-direita”.
“Será difícil compatibilizar isso com a opção política de um governo que legitima diariamente o discurso de ódio da extrema-direita. Desejo-lhe boa sorte para o seu mandato”, sinalizou o coordenador do Bloco, José Manuel Pureza, em declaração remetida à agência Lusa.