Mensagem de Ano Novo. Marcelo apela ao "sentido de coesão nacional"

Na sua última mensagem de Ano Novo, Marcelo Rebelo de Sousa preferiu não deixar recados evidentes a quem o irá substituir em Belém, apelando a "mais crescimento", mas com críticas e elogios aos portugueses, invocando Eça de Queiróz e "A Ilustre Casa de Ramires".

Graça Andrade Ramos - RTP /
Marcelo Rebelo de Sousa Halil Sagirkaya - AFP

O presidente referiu-se a 2026 como "ano singular que hoje começa", expressando desejos de paz para vários conflitos internacionais, "respeitando a lei internacional expressa na carta das Nações Unidas" e a "dignidade das pessoas".

Em direto a partir do Palácio de Belém, Marcelo Rebelo de Sousa disse esperar, em termos globais, "um ano com mais desenvolvimento, mais justiça, mais liberdade, mais igualdade, mais solidariedade".

"O mesmo desejo vale para nós, vale para Portugal. Ano novo, vida nova. Também com mais saúde, mais educação, mais habitação, mais justiça, ainda mais crescimento, ainda mais emprego e menor pobreza e desigualdade", acrescentou, pedindo também "mais tolerância, mais concordância" e "sentido de coesão nacional".

A menos de três semanas das eleições presidenciais de 18 de janeiro, o Presidente da República afirmou que "o povo escolhe livremente o que quer e quem quer para o futuro, com a esperança de que seja diferente e melhor do que o passado" em termos de "ideias, soluções e pessoas", e manifestou a certeza de que o país terá "melhor futuro do que passado".

"O povo escolhe livremente quem quer para o futuro", afirmou, referindo ainda a disposição dos nacionais para esperarem "milagres" que resolvam problemas.

Marcelo Rebelo de Sousa fez votos de um 2026 com melhorias em vários setores, "com ideias, soluções e pessoas novas", referindo que "é essa a natureza e a força da democracia".

Lembrando a caracterização dos portugueses, para o bem e para o mal, pela pena de Eça de Queiróz em "A Ilustre Casa de Ramires", o presidente sublinhou que, "com qualidade e coragem excepcionais, que de longe superam os defeitos, assim o somos há quase 900 anos, assim o seremos sempre".

Este foi o nôno e último discurso de Marcelo Rebelo de Sousa de início de ano. 
Na véspera de Natal, no Barreiro, Marcelo Rebelo de Sousa declarou aos jornalistas que hesitou entre dirigir ou não uma mensagem de Ano Novo neste contexto pré-eleitoral, referindo que "houve presidentes que fizeram e houve um Presidente que não fez".

"Achei que Ano Novo é Ano Novo, e, portanto, faço uma mensagem muito curta, obviamente, como se esperará, de uma neutralidade absoluta", prometeu.

Há um ano, nesta data, Marcelo Rebelo de Sousa realçou a importância de manter "a solidariedade institucional e até a cooperação estratégica entre órgãos de soberania, nomeadamente Presidente da República e primeiro-ministro" que levou "a aprovar os orçamentos 2024 e 2025", para assegurar "estabilidade, previsibilidade e respeito".

Eleito Presidente da República em 24 de janeiro de 2016, Marcelo Rebelo de Sousa tomou posse em 09 de março do mesmo ano, meses depois de se ter formado um Governo minoritário do PS com apoio inédito dos partidos mais à esquerda, BE, PCP e PEV.

Desde então, dirigiu-se aos portugueses nove vezes em mensagens de Ano Novo, que a RTP recorda aqui.

com Lusa
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