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Moção de Censura do CDS. "O ilusionismo socialista chegou ao fim" disse Cristas

Moção de Censura do CDS. "O ilusionismo socialista chegou ao fim" disse Cristas

Pela segunda vez nesta legislatura, o CDS apresenta uma moção de censura ao Governo de António Costa. A líder, Assunção Cristas, justificou esta tarde a opção. Diz que o Executivo está esgotado e incapaz de resolver os problemas na Saúde.

RTP /
Assunção Cristas, líder do CDS-PP Lusa

Hoje, o "ilusionismo socialista chegou ao fim", afirmou Cristas ao apresentar em conferência de imprensa o texto da moção de censura.

"Este é o Governo dos serviços públicos mínimos e da carga fiscal máxima", caracterizou a líder centrista.

"O Governo fez escolhas sectoriais" afirmou, para sublinhar depois o fracasso de tal estratégia, de um primeiro ministro "permanentemente preocupado sobretudo com a sobrevivência política da sua criação".

"Colocou o partido à frente do país", acusou Cristas. "Pprometeu tudo a todos, enquanto houve dinheiro".

"Cresceram os impostos indiretos, como o imposto sobre os combustíveis, a as cativações aumentaram para níveis nunca antes vistos", referiu a líder do CDS.

Também o aproveitamento dos fundos comunitários tem sido deficiente, explicou Assunção Cristas, citando o relatório mais recente da UTAO, segundo o qual o investimento público ficou 1180 milhões de euros abaixo do previsto.

"Os investimentos públicos desceram para mínimos históricos e os serviços públicos entraram em colapso", devido a "más escolhas e injcapacidade do Governo" e a "escolhas ideológicas", sobretudo no setor da Saúde, que prejudicam milhões de portugueses.

"Estamos a ficar para trás", afirmou Cristas, ao referir o fraco crescimento económico, considerando que este período foi uma "oportunidade perdida" e prevendo uma "nova crise económica".

O esgotamento dos serviços públicos, sobretudo no setor da Saúde, e a rotura na ADSE, justificam plenamente a moção de censura que o CDS apresenta, referiu o partido. E "a oportunidade de crescimento económico foi perdida", afirmou a líder centrista esta tarde.
PM "perdido" e Governo "esgotado"
Cristas pensa que a atual solução governativa "não tem soluções para oferecer" e que, "na verdade, o único futuro em que pensam é em outubro", quando se realizarem eleições legislativas.

Já o primeiro-ministro está "perdido" e o Governo "esgotado", "cria problemas mas é incapaz de encontrar soluções", e está "desorientado, desconcertado, sem ambição e sem programa".

"O futuro não pode ser adiado" nem "Portugal pode ficar à espera", o que leva o CDS a apresentar esta nova moção de censura, a segunda depois da apresentada em 2017.

Ao pretender eleições antecipadas, o CDS considera também que este será, de novo, um momento de clarificação dos apoios ao Governo, por parte do PCP, BE e Verdes. Quanto às expetativas do voto do PSD, partido que apoiou a moção centrista apresentada em 2017, pouco disse, a não ser que, "cada um fará a sua análise".

Assunção Cristas garantiu ainda que informou previamente o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, antes de anunciar a apresentação da moção de censura. "Dei nota ao Presidente da República desta iniciativa", afirmou.
Chumbo anunciado
Logo depois da conferência de imprensa de Assunção Cristas, tanto o PCP como o Bloco de Esquerda anunciaram o seu voto contra, o que praticamente garante o chumbo da moção de censura.

O texto da moção foi entregue no gabinete de Ferro Rodrigues esta tarde e o debate ficou marcado no Parlamento para a próxima quarta-feira.

Para a próxima quinta-feira está agendado o debate quinzenal com o primeiro-ministro.

Ao abrigo do artigo 222.º do Regimento da Assembleia da República, o debate de uma moção de censura "inicia-se no terceiro dia parlamentar subsequente à apresentação".

Esta será também a 30ª moção de censura em 45 anos de regime democrático.

A 24 de de outubro de 2017, uma iniciativa idêntica -  então assente nas falhas do combate aos incêndios - foi chumbada no Parlamento. PCP e Bloco de Esquerda uniram-se ao PS contra os votos a favor do PSD e CDS.
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