Política
Oposição questiona números do Governo para a economia
As previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a economia portuguesa engrossaram esta quarta-feira as munições da Oposição contra os cenários macroeconómicos do Governo. Adicionando aos cálculos as medidas de austeridade orçamental, a organização antecipa uma contracção de 1,4 por cento no próximo ano, uma perspectiva que leva os partidos à esquerda e à direita dos socialistas a instarem o Executivo a encarar “a realidade”.
Sem ter em consideração o novo pacote de austeridade anunciado pelo Governo de José Sócrates, o relatório World Economic Outlook, do FMI, estima que a economia portuguesa cresça 1,1 por cento em 2010 e passe à estagnação em 2011. No dia da apresentação do documento, Jörg Decressin, director-adjunto do Fundo Monetário Internacional, incluiu nos cálculos as medidas a inscrever na proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano: o Produto Interno Bruto do país deverá sofrer, assim, uma contracção de 1,4 por cento.
Há uma semana, durante o debate quinzenal na Assembleia da República, o primeiro-ministro adiantou que o Governo conta incluir na proposta de Orçamento um cenário de crescimento económico de 0,5 por cento para 2011. Para o líder do PSD, essa “não é uma perspectiva realista”.
“Infelizmente, eu julgo que só o Governo é que entende que, com este plano Sócrates que foi apresentado, é que a economia portuguesa vai continuar a crescer em 2011”, reagiu Pedro Passos Coelho.
“Excesso de impostos mata o crescimento”
Em sentido semelhante, o presidente do CDS-PP veio já dizer que as últimas estimativas conhecidas convocam o Governo a revelar, com urgência, os seus cenários macroeconómicos para o próximo ano, sob pena de continuar “a ter contactos curtos e intermitentes com a realidade, em especial com a realidade económica”.
“Estas previsões põem em causa o discurso do Governo, que continua a dizer que Portugal vai crescer 0,5 por cento, como se não houvesse sucessivos aumentos de impostos e isso não tivesse impacto na economia”, argumentou Paulo Portas, depois de lembrar que, “no espaço de uma semana”, foram três os actores internacionais a fazerem “a previsão de que Portugal vai entrar outra vez em recessão”: as agências Standard & Poor’s e Ernst & Young e o Fundo Monetário Internacional.
“Se os números do Governo estiverem errados quanto ao crescimento, isso tem uma consequência. É que a verba prevista para a receita também está errada e, se a verba prevista para a receita errada estiver, isso significa que o número do défice também não está certo. É por isso que é urgente que o Governo diga qual é o cenário macroeconómico para o próximo ano”, avisou Portas, acrescentando que a expectativa de recessão consubstancia a ideia de que “excesso de impostos mata o crescimento” e de que “sem crescimento não há emprego”.
“Sinais de alerta são gravíssimos”
Foi em resposta a uma pergunta de Francisco Louçã que José Sócrates avançou, a 30 de Setembro, com a previsão de um crescimento de 0,5 por cento. O coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda lembra as palavras do chefe do Governo: “No último debate, perguntei ao primeiro-ministro o que pensava que seria o efeito das suas políticas e ele garantiu que não aconteceria nada, que a economia ficaria na mesma aumentando os impostos ou mantendo o mesmo nível de impostos, diminuindo ou melhorando o emprego, aumentando ou diminuindo os salários”.
“O que percebemos hoje de todas as instituições internacionais é que os sinais de alerta são gravíssimos. Nós estamos à beira de uma recessão e o aumento de impostos acentua a recessão, a redução dos salários acentua a recessão e por isso é escusado fechar os olhos”, sublinhou Louçã.
Por outro lado, prosseguiu o dirigente do Bloco, a recessão “garante que o défice será maior no futuro, as agências de notação e o FMI pedem-nos que reduzamos os salários e que aumentemos os impostos, isso provoca recessão, a recessão vai provocar menos receitas fiscais porque há menos economia, portanto vamos ter mais défice num círculo vicioso do qual nunca saímos”.
FMI “descobre a pólvora”
“O FMI faz um pouco como quem descobre a pólvora”. É desta forma que o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, avalia as declarações de Jörg Decressin. Na perspectiva do dirigente comunista, “é fácil prever que a consequência inevitável será a estagnação, a retracção da nossa economia, o aumento do desemprego e da inflação” quando o Governo lança “em dose reforçada” a “mesma receita” do Programa de Estabilidade e Crescimento.
“Insistem sempre em ir buscar a quem trabalha e a quem vive da sua reforma e da sua pensão, aos apoios sociais, aumentando as injustiças”, criticou Jerónimo de Sousa, condenando ainda os “cortes no investimento e o abandono” daquilo que para os comunistas é “uma questão chave”: o aparelho produtivo e a produção nacional.
“A realidade económica está a demonstrar que não é este o caminho, porque vai de agravamento em agravamento. Se pensam em aplicar novas medidas gravosas, o resultado vai ser uma situação mais grave”, insistiu o secretário-geral do PCP.
“Estimativas são estimativas”
Confrontado com os dados do FMI, o ministro da Economia optou por desvalorizar o cenário de contracção, afirmando que “estimativas são estimativas”. “Como vimos, as de 2010 falharam significativamente, de todas as organizações, e o crescimento da economia portuguesa foi maior”, contrapôs Vieira da Silva.
O relatório do Fundo, enfatizou o governante, prevê “um crescimento de zero por cento para o ano de 2011”. “Há depois afirmações de algum responsável do Fundo Monetário Internacional em que admite que exista uma evolução mais negativa em 2011”, continuou Vieira da Silva.
Sem indicar se o Governo aceita rever a estimativa de crescimento aventada por José Sócrates, o ministro da Economia considera que “todos os portugueses” esperam agora que a Oposição clarifique se está disposta a apoiar as traves mestras da proposta de Orçamento do Estado.
“Todos se devem pronunciar. Eu compreendo que todos, os analistas, os comentadores, as forças políticas, se pronunciem sobre as previsões das várias organizações para 2011, que se pronunciem especialmente, estou a falar dos partidos da Oposição, quando esses indicadores são menos positivos, ou mesmo negativos, mas não esqueçamos que agora há uma prioridade, que essas mesmas forças se pronunciem sobre o que temos a fazer. O que temos a fazer é dar uma resposta rápida aos riscos que a economia portuguesa sofre”, declarou Vieira da Silva.
Há uma semana, durante o debate quinzenal na Assembleia da República, o primeiro-ministro adiantou que o Governo conta incluir na proposta de Orçamento um cenário de crescimento económico de 0,5 por cento para 2011. Para o líder do PSD, essa “não é uma perspectiva realista”.
“Infelizmente, eu julgo que só o Governo é que entende que, com este plano Sócrates que foi apresentado, é que a economia portuguesa vai continuar a crescer em 2011”, reagiu Pedro Passos Coelho.
“Excesso de impostos mata o crescimento”
Em sentido semelhante, o presidente do CDS-PP veio já dizer que as últimas estimativas conhecidas convocam o Governo a revelar, com urgência, os seus cenários macroeconómicos para o próximo ano, sob pena de continuar “a ter contactos curtos e intermitentes com a realidade, em especial com a realidade económica”.
“Estas previsões põem em causa o discurso do Governo, que continua a dizer que Portugal vai crescer 0,5 por cento, como se não houvesse sucessivos aumentos de impostos e isso não tivesse impacto na economia”, argumentou Paulo Portas, depois de lembrar que, “no espaço de uma semana”, foram três os actores internacionais a fazerem “a previsão de que Portugal vai entrar outra vez em recessão”: as agências Standard & Poor’s e Ernst & Young e o Fundo Monetário Internacional.
“Se os números do Governo estiverem errados quanto ao crescimento, isso tem uma consequência. É que a verba prevista para a receita também está errada e, se a verba prevista para a receita errada estiver, isso significa que o número do défice também não está certo. É por isso que é urgente que o Governo diga qual é o cenário macroeconómico para o próximo ano”, avisou Portas, acrescentando que a expectativa de recessão consubstancia a ideia de que “excesso de impostos mata o crescimento” e de que “sem crescimento não há emprego”.
“Sinais de alerta são gravíssimos”
Foi em resposta a uma pergunta de Francisco Louçã que José Sócrates avançou, a 30 de Setembro, com a previsão de um crescimento de 0,5 por cento. O coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda lembra as palavras do chefe do Governo: “No último debate, perguntei ao primeiro-ministro o que pensava que seria o efeito das suas políticas e ele garantiu que não aconteceria nada, que a economia ficaria na mesma aumentando os impostos ou mantendo o mesmo nível de impostos, diminuindo ou melhorando o emprego, aumentando ou diminuindo os salários”.
“O que percebemos hoje de todas as instituições internacionais é que os sinais de alerta são gravíssimos. Nós estamos à beira de uma recessão e o aumento de impostos acentua a recessão, a redução dos salários acentua a recessão e por isso é escusado fechar os olhos”, sublinhou Louçã.
Por outro lado, prosseguiu o dirigente do Bloco, a recessão “garante que o défice será maior no futuro, as agências de notação e o FMI pedem-nos que reduzamos os salários e que aumentemos os impostos, isso provoca recessão, a recessão vai provocar menos receitas fiscais porque há menos economia, portanto vamos ter mais défice num círculo vicioso do qual nunca saímos”.
FMI “descobre a pólvora”
“O FMI faz um pouco como quem descobre a pólvora”. É desta forma que o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, avalia as declarações de Jörg Decressin. Na perspectiva do dirigente comunista, “é fácil prever que a consequência inevitável será a estagnação, a retracção da nossa economia, o aumento do desemprego e da inflação” quando o Governo lança “em dose reforçada” a “mesma receita” do Programa de Estabilidade e Crescimento.
“Insistem sempre em ir buscar a quem trabalha e a quem vive da sua reforma e da sua pensão, aos apoios sociais, aumentando as injustiças”, criticou Jerónimo de Sousa, condenando ainda os “cortes no investimento e o abandono” daquilo que para os comunistas é “uma questão chave”: o aparelho produtivo e a produção nacional.
“A realidade económica está a demonstrar que não é este o caminho, porque vai de agravamento em agravamento. Se pensam em aplicar novas medidas gravosas, o resultado vai ser uma situação mais grave”, insistiu o secretário-geral do PCP.
“Estimativas são estimativas”
Confrontado com os dados do FMI, o ministro da Economia optou por desvalorizar o cenário de contracção, afirmando que “estimativas são estimativas”. “Como vimos, as de 2010 falharam significativamente, de todas as organizações, e o crescimento da economia portuguesa foi maior”, contrapôs Vieira da Silva.
O relatório do Fundo, enfatizou o governante, prevê “um crescimento de zero por cento para o ano de 2011”. “Há depois afirmações de algum responsável do Fundo Monetário Internacional em que admite que exista uma evolução mais negativa em 2011”, continuou Vieira da Silva.
Sem indicar se o Governo aceita rever a estimativa de crescimento aventada por José Sócrates, o ministro da Economia considera que “todos os portugueses” esperam agora que a Oposição clarifique se está disposta a apoiar as traves mestras da proposta de Orçamento do Estado.
“Todos se devem pronunciar. Eu compreendo que todos, os analistas, os comentadores, as forças políticas, se pronunciem sobre as previsões das várias organizações para 2011, que se pronunciem especialmente, estou a falar dos partidos da Oposição, quando esses indicadores são menos positivos, ou mesmo negativos, mas não esqueçamos que agora há uma prioridade, que essas mesmas forças se pronunciem sobre o que temos a fazer. O que temos a fazer é dar uma resposta rápida aos riscos que a economia portuguesa sofre”, declarou Vieira da Silva.