"Peca por tardia". As reações da oposição à demissão de Galamba

por Joana Raposo Santos - RTP
Tiago Petinga - Lusa

A oposição considera que a demissão de João Galamba do cargo de ministro das Infraestruturas, anunciada esta segunda-feira, "peca por tardia". Alguns partidos mostraram-se confusos com a decisão do responsável, que na passada semana tinha avançado que não iria abandonar as suas funções.

“Já vem tarde esta demissão. Depois de todos os casos – da CPI da TAP, do caso das secretas e das próprias suspeitas de lítio (…) – já não havia condições para continuar há pelo menos seis meses”, considerou Bernardo Blanco, da Iniciativa Liberal, em declarações aos jornalistas.

Para este deputado, a demissão “é a confirmação de uma série de casos que mostram que João Galamba não tinha condições para ocupar o cargo”.

Blanco considerou ainda “surreal” que, no comunicado que esta tarde enviou, Galamba refira que ainda tinha condições políticas para continuar no cargo. “É um nível quase de arrogância e desejo de poder que eu acho que não é nada saudável em qualquer democracia”, defendeu o membro da IL.

Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, concordou que “João Galamba já não tinha há muito tempo condições para continuar como ministro do Governo”.

“Serviu para as enormes distrações, servia até para o primeiro-ministro distrair o país das ações do Governo”, disse aos jornalistas. “Agora materializa-se o que é incontornável”

Inês Sousa Real, do PAN, disse por sua vez que a demissão de João Galamba “era mais do que inevitável e até peca por tardia”.

“João Galamba devia ter-se demitido aquando da trapalhada do episódio da TAP e da Comissão de Inquérito. Não reunia as condições políticas. Os portugueses, que são os principais protagonistas desta telenovela, são os principais prejudicados”, declarou.

“É fundamental combatermos fenómenos de corrupção e a opacidade que todo este processo trouxe ao país. Falamos de muitos milhares de milhões de euros que estão aqui a ser investidos”.

Sousa Real avançou ainda que o PAN já deu entrada de duas iniciativas que visam suspender, no âmbito do OE2024, quer os investimentos nos projetos do lítio, quer do hidrogénio.

Já André Ventura, do Chega, considerou que “João Galamba não tem nenhuma maturidade política, pessoal e de qualquer outro tipo” e que o ministro “podia ter-nos poupado a todos ao espetáculo que aqui deu na sexta-feira” ao dizer que não se iria demitir.

“João Galamba esteve à espera do fim do interrogatório judicial dos arguidos, provavelmente para perceber que eles não ficariam presos e dizer que, então, se pode ir embora”, afirmou o deputado.

Para Ventura, “não há outra explicação” para que um ministro que há poucos dias disse que não se iria demitir escolher agora fazê-lo.

O social-democrata Joaquim Miranda Sarmento também reagiu ao anúncio de Galamba. “Não sei de o doutor João Galamba teve receio de ser ele próprio demitido”, referiu perante os jornalistas.

“Porque é que o primeiro-ministro ainda precisava de falar com o presidente da República e porque é que não demitiu o doutro João Galamba logo na terça-feira, face a tudo aquilo a que o país assistiu?”, questionou o deputado.

Bruno Dias, do PCP, considerou a demissão “o desfecho que se esperava face ao contexto que vinha sendo criado”.

“A preocupação coloca-se face aos muitos e graves problemas que, desde logo no Ministério de João Galamba, estavam colocados e que exigiam respostas concretas, e que neste momento não desapareceram”, declarou o deputado aos jornalistas, na Assembleia da República.

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