Portugal vai além do que prometeu à "troika"

O ministro das Finanças reiterou hoje que Portugal fará mais do que prometeu no programa acordado com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Vítor Gaspar especificou que se referia à "introdução de reformas estruturais profundas", nomeadamente as privatizações, e pôs prazos a algumas delas: EDP e REN, seguidas de CP Carga, TAP, ANA, CTT e da quota do banco do Estado na Galp.

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O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, hoje, em conferência de imprensa José Sena Goulão, Lusa

Falando em conferência de imprensa após encontro com a delegação da "troika", o ministro, citado pela agência Lusa, afirmou que "a introdução de reformas estruturais profundas é um eixo central da estratégia deste Governo. Nesta vertente iremos além do que está previsto no programa". Gaspar admitiu no entanto que as medidas anunciadas são um primeiro passo e que continua pela frente "um longo caminho a percorrer". As reformas estruturais, sublinhou, serão "uma prioridade dos próximos meses e um tópico central da terceira revisão regular do programa no início do próximo ano".

O ministro previu que as privatizações da EDP e da REN estejam concluídas em janeiro de 2012 e que, no resto do ano, se concretizem as da CP Carga, TAP, ANA, CTT e a da posição da Caixa Geral de Depósitos na Galp. Também em 2012, acrescentou Gaspar, dar-se-á início ao processo de privatização dos CTT.

Para além de compromissos anunciados, o ministro congratulou-se "com o facto de que todos os critérios quantitativos, isto é, os limites estabelecidos para setembro para o défice orçamental, de 6.700 milhões de euros, e para a dívida pública, 175.9000 milhões de euros, foram cumpridos". E sustentou que "foi também cumprido o compromisso da não acumulação de atrasos nos pagamentos externos".

O reverso da medalha é, segundo admitiu também Gaspar, que "continuou a verificar-se um aumento nos atrasos nos pagamentos domésticos das administrações públicas", especialmente nos sectores da Saúde e da Administração local e regional. Por isso mesmo prometeu que, segundo legislação agora na forja, a criação de novos compromissos passará a ser controlada numa base trimestral.
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