Reportagem

Presidenciais. André Ventura na Grande Entrevista da RTP

André Ventura foi o entrevistado desta noite na Grande Entrevista da RTP. O líder do Chega vai disputar a segunda volta das eleições presidenciais com António José Seguro.

Mariana Ribeiro Soares, Joana Raposo Santos, Graça Andrade Ramos - RTP /

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Foto: João Marques - RTP

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"Eu quero combater as ditaduras"

Na cena internacional, André Ventura prometeu “um mandato diferente dos meus antecessores todos”.

“Não deixarei que Portugal volte a ser humilhado na esfera internacional”, especificando que “eu quero dizer isto aos países africanos de língua portuguesa, que nos acusem de toda a corrupção que eles têm de toda a pobreza que eles têm”.

“Portugal vai passar a andar de cabeça erguida outra vez”, garantiu.

À pergunta sobre como vê a pretensão do presidente dos Estados Unidos sobre a Gronelândia, Ventura considerou-a “um disparate”. “E nós na Europa e em Portugal temos de ser firmes naquilo que é a nossa integridade”, defendeu.

Seja qual for a ameaça, “venha de onde vier”, André Ventura põe Portugal em primeiro lugar e “defender os interesses portugueses e europeus”. “Se os nossos liados não compreenderem isso, paciência, temos pena”.

Sobre o apoio a Trump, Ventura desviou. Os EUA “são nossos aliados históricos”, referiu. “Quer que nos aliemos a quem, à Venezuela?”. Vítor Gonçalves insistiu na pergunta, ao que Ventura retorquiu “o presidente Trump passará”.

“Temos de manter as alianças” com a Grã-Bretanha, os Estados Unidos, Espanha, os países de língua portuguesa, reconheceu.

“Quando o interesse nacional está em causa, eu não tenho ideologia”, afirmou. “Não me entusiamo com líderes internacionais, só me entusiasmo com Portugal”.

“Quando está em causa a corrupção de esquerda e há alguém que a põe em causa, se me perguntarem entre os ditadores cubanos, venezuelanos ou norte-coreanos, eu prefiro os americanos, os ingleses e os franceses”, disse.

“Na Europa temos exemplo de bons líderes à direita”, rematou, dando como exemplo a italiana Georgia Meloni. “Eu quero combater as ditaduras em todo o lado onde elas aconteçam”, asseverou.

Defendendo que “na situação em que Portugal está, devemos evitar enviar portugueses para situações de guerra”, André Ventura deu como exemplo a situação da Ucrânia, referindo que Portugal deve continuar a apoiar Kiev pela paz, mas “deve ser exigente com o dinheiro que manda para lá”, mas não enviar tropas enquanto houver guerra.

“Se Portugal for ameaçado, se a Europa for ameaçada, isso é toda uma outra história”, acrescentou. “Portugal deve estar equipado com Forças Armadas modernas, capazes e com condições”. “Eu quero recuperar a dignidade das Forças Armadas, o estatuto, o profissionalismo, e os meios que elas precisam”.

“Portugal vai continuar a participar na cena internacional”, garantiu.

A sua missão “neste mandato”, concluiu, é fazer com que os que emigraram regressem e que os jovens portugueses encontrem no país condições de vida dignas.
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"Isto é puro ódio contra mim"

“Isto não tem nada que ver com partidos” acrescentou, revelando um choque por ver um dirigente do CDS “que votou contra a Constituição e sempre combateu o socialismo” a afirmar “que ia votar António José Seguro”.

“Isto é puro ódio contra mim, é medo que o sistema mude”, defendeu.

Vítor Gonçalves criticou-o por se estar a “usar a estratégia da vitimização” e retorquiu que um dirigente do CDS pode votar António José Seguro “se olharem para si como um extremista”.

“Então é um extremista que teve posições muito compatíveis com ele nos últimos anos”, respondeu Ventura. “O CDS esteve de acordo connosco em quase tudo o que nós fizemos”, assim como a Iniciativa Liberal, “em matéria económica”.

Afirmando que os jovens portugueses foram obrigados a emigrar devido aos governos socialistas, “pergunte-lhes agora se faz sentido um país liderado por um socialista”.

Sobre o reforço dos poderes presidenciais, numa futura revisão constitucional, para tornar o presidente “um ator decisivo”, André Ventura explicou que “não quer que o presidente da República seja um corta-fitas e uma espécie de figura simbólica”.

“As pessoas, se quiserem um presidente para atuar, para levar o país no caminho certo, votem em mim”. “Que artigos da Constituição lhe permitem fazer isso?”, questionou Vítor Gonçalves, lembrando a separação de poderes. “Tem que ver com legitimidade democrática”, explicou o candidato. “O presidente da República é o único órgão eleito diretamente”.

“Eu vou ser do lado da exigência”, garantiu, em exemplos como falta de assistência no SNS que levou à morte de pessoas por atraso na assistência.

“Eu nunca permitirei no meu país que um doente urgente esteja 20 horas à espera”, prometeu. “Como o faria?”, perguntou Vítor Gonçalves.

Recordando o programa para a saúde prometido pelo atual executivo, em que “no fim de 2024, 65 por cento dessas medidas não estavam cumpridas e, em 2025, 50 por cento dessas medidas não estão cumpridas”, um presidente “pode ignorar ou chamar o Governo”.

E dizer “meus caros, com a carga de impostos que pagamos em Portugal, eu não aceito que os portugueses estejam sem saúde”. “Ou resolvem isto em dois meses, segundo os dados que vou ter, ou haverá consequências políticas”, que será “a saída da ministra da saúde ou de quem estiver à frente da saúde”.

Vítor Gonçalves lembrou que o presidente “não tem poderes” para fazer isso, com André Ventura a explicar que ninguém pretende um conflito institucional. Além de responsabilidade, “um presidente deve exigir uma governação por resultados”.

“Não tem nada a ver com presidencialismo”, acrescentou, negando que queira um governo presidencialista. “Temos de ter mais exigência do ponto de vista da presidência da República”, defendeu o candidato.

“Eu estou para fazer reformas e quero que o governo responda a essas reformas”, afirmou. “Eu acho que o presidente tem legitimidade para isto”.
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Vai mudar a sua estratégia parlamentar se não vencer

Ventura está confiante de que vai vencer as eleições presidenciais de dia 8, mas garante que vai respeitar o voto, garante.

Face à possibilidade de aumentar o número de votos com as presidenciais, o líder do Chega respondeu: “eu distingo muito bem as eleições”.

O país à direita “escolheu-me a mim, não escolheu outros”, frisou. “O trabalho agora é evitar que um socialista chegue à presidência da República”.

Ao elencar os males que o socialismo trouxe ao país, Ventura falou em bancarrotas indicando que também uma existiu no governo de António Guterres.

“Com Guterres houve um pântano, não uma bancarrota”, lembrou Vítor Gonçalves. “Que nos levou a seguir à bancarrota”, retorquiu Ventura. “Isso foi noutro governo. Uma coisa era o pântano, a impossibilidade de governar”.

“Em 2002, Portugal estava com um problema de dívida pública e de financiamento quando caiu o governo de António Guterres”, lembrou o candidato a Belém, referindo que “nesse governo estava António José Seguro”.

“Depois esteve José Sócrates, que António José Seguro também apoiou” acrescentou.

“O historial de António José Seguro é estar sempre do lado da bancarrota e da corrupção. Eu estive ao lado daqueles que queriam fazer reformas”, disse, referindo que o “património político de cada um também vai estar em disputa” no dia 8 de fevereiro, na segunda volta das eleições presidenciais.
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"Eu não vim guiar cordeiros, eu vim despertar leões"

“Eu sei que o povo social-democrata vai votar em mim”, até porque “agora os eleitores só têm duas escolhas”, declarou Ventura.

“A vida é o que é. A vida acontece-nos como ela se desenrola. E agora muitos têm de escolher entre socialismo e não socialismo”, insistiu.

O candidato apoiado pelo Chega disse ainda que a taxa de rejeição sobre si acontece porque diz “a verdade” e porque “o país se habituou a proteger canalhas e a não defender a verdade”.

“Neste país, quem diz que não podemos continuar a viver de subsídios (…) quando outra parte do país precisa de ajuda – sejam pensionistas, sejam pais [de filhos] com necessidades especiais – isto não cai bem nalgum eleitorado, mas isto é a verdade”, defendeu.

“Eu não vim guiar cordeiros, eu vim despertar leões”, afirmou André Ventura. “Vim despertar as pessoas para uma mudança”.
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"Houve momentos em que o Chega votou ao lado do PS"

Esta quarta-feira, no debate quinzenal no Parlamento, o primeiro-ministro lembrou que o Chega votou 82 vezes ao lado do PS. André Ventura afirmou na Grande Entrevista que esta “é uma fantasia” de Luís Montenegro.

“Todas as grandes reformas que este Governo fez ou quis fazer não foi com o Partido Socialista, foi connosco”, disse.

O candidato presidencial reconheceu que “houve momentos em que o Chega votou ao lado do PS”.

“Mas sabe em quê? Nós queríamos aumentar pensões, porque são miseráveis em Portugal, e o PSD não queria. Portanto sim, aí tentámos procurar noutros partidos – não só o PS – que garantissem que tínhamos um aumento de pensões”, explicou.

Deu ainda o exemplo das propinas, em que se juntou a outros partidos “para impedir que, em Portugal, jovens que já não conseguem pagar o quarto, a casa ou as despesas de transporte tivessem as propinas aumentadas como o Governo queria”.
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Seguro "representa a tralha socrática"

O país assiste neste momento “à luta entre o espaço socialista e o espaço não socialista”, considerou André Ventura.

O candidato apoiado pelo Chega afirmou que António José Seguro nunca criticou “o estado em que António Costa deixou o país” e que nunca disse uma palavra “contra a corrupção”, não apresentando ainda medidas para as pensões baixas ou para a saúde.

“Quero apelar a todos”, nomeadamente empresários e pensionistas, “se querem voltar para esse passado do Partido Socialista”, afirmou Ventura.

Segundo o candidato a Belém, Seguro “pode fingir que passou ao lado e que não tem nada a ver com os últimos governos do PS, mas ele esteve num Governo socialista de António Guterres” e disse “num congresso que estava ao lado do José Sócrates e que iam caminhar juntos para a transformação do país”.

“É isto que o dr. António José Seguro representa: é a tralha socrática, a tralha de António Costa”, atirou.
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"Uma fragmentação que nunca houve no passado"

Questionado sobre o facto de se ter afirmado líder da direita na noite das eleições, André Ventura respondeu que “houve uma fragmentação da direita” nunca antes vista.

“Nós tivemos 23,5 por cento. Eu tive mais 900 mil votos do que nas últimas presidenciais”, frisou.

“O Chega, nas legislativas, venceu pela primeira vez em concelhos que não tinha vencido. Eu agora venci em concelhos onde nunca tínhamos vencido”.

O candidato presidencial insistiu que “houve uma fragmentação que nunca houve no passado”.

“O Partido Socialista disputou, sozinho, o eleitorado da esquerda. Claro que ninguém disse que a Catarina Martins foi derrotada, que o Jorge Pinto foi derrotado”, declarou.
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Ventura acusa jornalistas e partidos de esquerda de incitarem à violência

Questionado sobre se as políticas do Chega sobre imigração incitam comportamentos de violência contra imigrantes, Ventura respondeu: “O que pode levar a comportamentos de violência, contra mulheres e cidadãos comuns, é o comportamento que o jornalismo e partidos de esquerda têm tido nos últimos anos”.
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"Eu sou intolerável à violência"

“Eu sou intolerável à violência”, disse. “Não quer que Portugal continue a receber imigrantes islâmicos como tem recebido mas quero fazê-lo sem violência, com debate e democracia”, garantiu.

“Esta candidatura é a melhor forma de garantir que o país será firme no controlo de fronteiras”, declarou.

Questionado sobre se aceita o apoio do grupo neonazi 1143, André Ventura disse que não era justo fazer essa pergunta e que teriam de ir ver quem são os apoiantes dos outros candidatos.

“E quando Ferro Rodrigues apelou ao voto a António José Seguro?”, questionou, afirmando que compara Ferro Rodrigues ao grupo neonazi porque “fez coisas muito piores”.

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Ventura agradece ao eleitorado

André Ventura começa a entrevista por agradecer ao eleitorado pelo voto de confiança que o fez chegar à segunda volta das eleições presidenciais.

Questionado sobre os militantes do Chega com ligações ao grupo neonazi 1143, Ventura disse que não tinha conhecimento e que não sabe quem são os militantes. “Nem sei se estes elementos ainda são do Chega”, disse, garantindo que procurou afastar os elementos “que tinha de afastar”.

"Acho que Seguro não vai ser questionado sobre isto", criticou, afirmando que veio para a entrevista enquanto candidato à Presidência e não líder do Chega.
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Segunda volta a 8 de fevereiro

A RTP vai entrevistar os dois candidatos que passaram à segunda volta das Presidenciais, marcadas para 8 de fevereiro. André Ventura é o primeiro a ser entrevistado por Vítor Gonçalves, na Grande Entrevista.
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