Ruptura entre Governo e PSD deixa Durão "claramente preocupado"

A notícia do fracasso das negociações entre o Governo e o PSD para a viabilização do Orçamento do Estado levou esta quarta-feira o presidente da Comissão Europeia a manifestar-se “claramente preocupado”. Com a reacção adversa dos mercados em pano de fundo, Durão Barroso tornou a considerar “muito importante que haja um consenso suficiente” para restaurar a “credibilidade” das contas públicas do país.

RTP /
"É óbvio que é importante para Portugal que haja um acordo sobre um Orçamento do Estado", repetiu Durão Barroso Olivier Hoslet, EPA

A 20 de Outubro, na esteira da última reunião do Conselho Nacional do PSD, quando Pedro Passos Coelho recebeu um voto de confiança para condicionar a viabilização do Orçamento aos pressupostos enunciados pelo partido, o presidente da Comissão Europeia dizia que um acordo em torno da proposta do Governo seria “importante para a vida dos portugueses”. O país, salientava então Durão Barroso, necessitava de um Orçamento do Estado que cumprisse as metas comunicadas “quer à União Europeia, quer aos parceiros internacionais, quer, em geral, aos mercados”.

O processo negocial entre as delegações do Governo e do PSD acabou esta quarta-feira sem a possibilidade de um consenso. Perante as notícias que lhe chegaram de Lisboa, o chefe do Executivo comunitário confessa-se “claramente preocupado”. Mas mantém “a esperança”.

“Estou claramente preocupado com essas notícias. É óbvio que é importante para Portugal que haja um acordo sobre um Orçamento do Estado”, reiterou Durão. “Ainda não perdi a esperança, porque, tanto quanto sei, o voto na Assembleia da República será dentro de alguns dias e, por isso, espero que o assunto seja resolvido, para bem de Portugal e para bem dos portugueses”, acrescentou.

Juros da dívida pública em ascensão
A ruptura entre o Executivo socialista e o maior partido da Oposição fez entretanto disparar os juros da dívida pública. Cerca de uma hora após a notícia do fim das negociações, os juros exigidos pelos investidores para adquirirem dívida portuguesa a dez anos ascendiam a 5,90 por cento. Às 10h16, situavam-se nos 5,67 por cento.

Quanto ao valor dos CDS (Credit Default Swaps) – mecanismos de seguro contra o risco de incumprimento da dívida soberana -, Portugal evidenciava, na tarde de quarta-feira, a maior queda à escala global, na ordem dos 6,9 por cento. Segundo os dados recolhidos pela agência Lusa, a meio da manhã a quebra atingiu os 17,8 por cento.

A 28 de Setembro, na antecâmara da apresentação do novo pacote de austeridade delineado pelo Governo, os juros a dez anos dispararam para o máximo histórico de 6,512 por cento.
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