Sócrates não foi inquirido por falta de tempo
Os procuradores que dirigiram o caso Freeport não inquiriram o primeiro-ministro por falta de tempo. De acordo a edição de hoje do jornal Público, os procuradores do Ministério Público que estiveram à frente do inquérito consideraram que era importante ouvir José Sócrates mas que os prazos fixados pela Procuradoria-Geral da República impediram essa inquirição.
São questões como esta: "Confirma ter havido um apoio efectivo da família Carvalho Monteiro (tio e primos de José Sócrates) ao licenciamento do Freeport?".
No despacho final, citado pelo Público, os procuradores afirmam que "importaria" mas que não conseguiram ouvir José Sócrates: "Após a análise do inquérito e compulsados todos os elementos que dele constam, verifica-se que, nesta fase, importaria não obstante qualquer proposta da Policia Judiciária, proceder à inquirição do então ministro do Ambiente, actual primeiro-ministro".
Porque os nomes de José Sócrates e do então secretário de Estado Rui Nobre Gonçalves surgem como os principais decisores políticos do processo, porque os nomes dos governantes foram referidos em documentos apreendidos e em depoimentos, os procuradores tinham dúvidas que ficaram por esclarecer por falta de tempo.
Os procuradores que receberam o relatório final da Policia Judiciária a 21 de Junho explicam que a audição ficou "inviabilizada" porque a 4 de Junho o vice-Procurador Geral da República fixou o dia 25 de Julho como data limite para o encerramento do inquérito. Tendo em conta que o primeiro-ministro só pode ser ouvido com autorização do Conselho de Estado, concluem os procuradores que a audição se mostra "por ora inviabilizada".
À RTP Marinho Pinto não comenta um acto processual a que não teve acesso, mas, a confirmar-se, estranha a justificação avançada: "Mas a ser verdade a notícia, invocar a falta de tempo, ao fim de seis anos, para não ser ouvido aquele que foi sempre, desde o princípio até ao fim, o principal visado num processo que começou com uma carta anónima, é a justiça portuguesa no seu esplendor".
Também Rogério Alves queria mais do comunicado de terça-feira emitido pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal. Pareceram-lhe poucas as explicações. Particularmente quando as noticias de hoje põem em causa o ponto 11 de elogio ao trabalho da Polícia Judiciária.
"Analisada exaustiva e rigorosamente, a prova carreada para os autos, os Senhores Procuradores, num trabalho diário, intenso e persistente, coadjuvados pelo excelente trabalho e inteira disponibilidade dos Senhores Inspectores da Polícia Judiciária, Carla Gomes e Nuno Carvalho, proferiram despacho final de: No capítulo das diligências não concluídas, os procuradores referem também que há quatro cartas rogatórias dirigidas a autoridades judiciais estrangeiras que não obtiveram resposta", refere o Ministério Público.