Cardeal patriarca espera que a realidade acabe por se impor

por Lusa

Fátima, Ourém, 10 nov (Lusa) - O cardeal patriarca de Lisboa afirmou hoje, em Fátima, que espera que a realidade acabe por se impor, demovendo Donald Trump de algumas das suas promessas eleitorais, nomeadamente na questão das migrações.

"Uma coisa é alinhar com receios de parte ou grande parte da população norte-americana, outra coisa é tomar posições políticas a esse nível", salientou o cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, que falava aos jornalistas, na conferência de imprensa após a 190.ª assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).

Evitando tecer comentários diretos sobre as promessas de Trump, o cardeal julga "que a realidade acabará por se impor a quem tiver de decidir", nomeadamente na política de migrações.

"Se é verdade que o órgão faz a função, a função também faz o órgão", frisou o também presidente da CEP, referindo que "aquilo que se disse antes terá de ser corrigido pela prática".

Manuel Clemente disse esperar que "corra tudo bem" nos Estados Unidos, sendo necessário assistir ao desenrolar dos acontecimentos "com a serenidade possível".

O cardeal patriarca de Lisboa sublinhou também que uma "sociedade de espetadores não é uma sociedade de democracia ativa", alertando para a preponderância do entretenimento nas eleições.

Recordando um comentário de um jornalista que leu "há dias", Manuel Clemente sublinhou que "o aspeto quase de entretenimento sobrelevou muito", com as pessoas a acharem "graça a um determinado candidato pela sua capacidade de prestação televisiva, independentemente do que pudesse dizer".

Uma sociedade de espetadores, referiu, "pode deixar não só o palco, mas também o protagonismo e a decisão a quem aparece", distanciando o cidadão "concreto do global".

"Hoje, nesta sociedade de tecnologias avançadas e que nos podem separar um pouco mais uns dos outros", e em que os indivíduos são "muito mediados por uma comunicação quase estandardizada", os cidadãos tornam-se cada vez mais em espetadores, notou.

Para Manuel Clemente, a democracia "precisa de ser alimentada por mediações cívicas e concretas de empenhamento", num sistema "muito exigente", em que os cidadãos não se podem pôr de "fora da resposta e do compromisso".

Tópicos