Brexit. Donald Tusk admite que um acordo pode estar em vista

Depois de o primeiro-ministro britânico Boris Johnson se ter reunido com o seu homólogo irlandês, Leo Varadkar, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, diz ter recebido "sinais promissores" para que seja "possível" um acordo que enquadre a saída do Reino Unido da União Europeia. Faltam menos de três semanas para a data definida.

RTP /
Numa altura em que faltam apenas três semanas para a data definida para a saída do Reino Unido da UE, surgem os primeiros sinais de possível alcance de um acordo Costas Baltas - Reuters

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, admitiu esta sexta-feira que “é possível” existir um acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia.

Num tweet, Tusk afirma que “o Reino Unido ainda não apresentou uma proposta realista e viável”, mas diz ter recebido “sinais promissores” por parte do primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar.


“Devemos tirar partido mesmo da menor hipótese. Um Brexit sem acordo nunca será a escolha da UE”, sublinha o presidente do Conselho Europeu.

Esta é a primeira vez que Donald Tusk admite existir uma luz ao fundo do túnel para um divórcio entre Reino Unido e UE com acordo.

Na passada terça-feira, o presidente do Conselho Europeu deixou um recado amargo a Boris Johnson, dando a entender que a UE está a perder a paciência e que o tempo está a esgotar-se.

“Boris Johnson, o que está em causa não é ganhar um estúpido jogo de culpas. O que está em causa é o futuro da Europa e do Reino Unido, assim como a segurança e os interesses dos nossos cidadãos. Não quer um acordo, não quer um adiamento, não quer uma revogação [do artigo 50.º], quo vadis [para onde vais]?”, questionou Tusk numa publicação na sua conta do Twitter.
Qual o ponto de situação?
Numa altura em que faltam menos de três semanas para a data definida para a saída do Reino Unido da UE, surgem os primeiros sinais de possível alcance de um acordo.

A questão da fronteira na ilha da Irlanda continua a ser um travão para um entendimento entre Londres e Bruxelas.

O Governo britânico propôs na semana passada a criação de uma zona regulatória comum entre a Irlanda do Norte e a vizinha Irlanda para facilitar a circulação de bens agroalimentares e industriais.

Porém, o plano pressupõe que a Irlanda do Norte saia da união aduaneira europeia e fique a fazer parte de uma união aduaneira britânica quando o Reino Unido deixar a UE, após o período de transição, no final de 2020.

Na quinta-feira, no entanto, o primeiro-ministro irlandês diz que foram feitos avanços na questão do Brexit.Na passada terça-feira, Merkel avisava Johnson de que era “altamente improvável” e “praticamente impossível” conseguir um acordo sem a garantia de que a Irlanda do Norte se mantém no mercado único europeu.

Leo Varadkar esteve reunido com o seu homólogo britânico, Boris Johnson, um encontro que diz ter sido “promissor” e que permitiu abrir “um caminho para um possível acordo”.

"Espero que o que aconteceu seja suficiente para permitir a retoma das negociações em Bruxelas", disse Varadkar, em declarações aos jornalistas no aeroporto de Liverpool.

"Agora estou absolutamente convencido de que tanto a Irlanda como o Reino Unido querem que haja um acordo que seja do interesse da Irlanda ou do Reino Unido e da União Europeia como um todo. E vejo um caminho para um acordo nas próximas semanas", asseverou o primeiro-ministro da Irlanda.

Apesar de Boris Johnson sempre ter defendido que o Reino Unido irá sair da UE a 31 de outubro, com ou sem acordo, a legislação em vigor estipula que o primeiro-ministro é obrigado a pedir uma extensão do processo do Brexit por mais três meses, até 31 de janeiro, caso não seja alcançado um acordo até 19 de outubro, nem autorizada uma saída sem acordo.

Esta sexta-feira o negociador da UE, Michel Barnier, e o ministro britânico para o Brexit, Stephen Barclay, reúnem-se em Bruxelas.
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