OMS apela a reforço dos mecanismos de vigilância
A progressão da Gripe A, que poderá agudizar-se no Hemisfério Sul, "continua a ser muito preocupante" e obriga os países a "reforçar a vigilância", avisa o número dois da Organização Mundial de Saúde. O apelo de Keiji Fukuda é sublinhado pelas autoridades dos Estados Unidos, que consideram prematuras as declarações sobre uma acalmia na disseminação do vírus.
Por enquanto, explicou o responsável da OMS, as infecções confirmadas em Espanha e no Reino Unido, os países europeus mais afectados, limitam-se a "casos de viagem", ou seja, relacionados com pessoas oriundas das regiões mais afectadas (México, Estados Unidos e Canadá). Mas "é essencial manter e reforçar a vigilância".
Com o início do Inverno no Hemisfério Sul, a OMS antecipa um aumento dos casos de Gripe A nos países dessas latitudes, com a Nova Zelândia na dianteira das preocupações. Para já, admitiu Keiji Fukuda, é "muito difícil prever" quando é que a nova estirpe vai começar a espalhar-se na metade meridional do planeta, pelo que a Organização quer evitar o levantamento de "falsas expectativas".
"Não sabemos o que este vírus vai fazer"
Uma das prioridades a atender no imediato, segundo o vice-director da Organização Mundial de Saúde, é a inclusão da nova estirpe de gripe na lista de doenças de vigilância permanente. Até porque os cientistas continuam a dissecar as características do vírus, sobretudo o período de incubação e a agressividade detectada em adultos jovens.
A leitura da direcção da OMS encontra eco nos Estados Unidos, onde as autoridades alertam para a possibilidade de a Gripe A abrandar com a chegada do tempo quente ao Hemisfério Norte, voltando a agudizar-se durante o Outono. O director dos Centros para o Controlo e Prevenção de Doenças, Richard Besser, vê "sinais encorajadores" que apontam para uma estabilização do vírus, mas diz também que ainda é cedo para considerar que o problema está controlado.
"O que estamos a ver é uma doença que é muito parecida com uma gripe sazonal. Mas não estamos a ver o tipo de doença severa que nos preocupava", afirmou o responsável norte-americano. Numa sequência de entrevistas nas estações televisivas CBS e NBC, Richard Besser procurou temperar com um aviso o optimismo manifestado nos últimos dias pelas autoridades mexicanas: "Em anteriores pandemias houve vagas e não sabemos o que este vírus vai fazer".
Turistas portugueses regressam do México
Vinte e quatro horas depois de as autoridades portuguesas terem confirmado o primeiro diagnóstico de Gripe A no país, o Aeroporto da Portela recebe mais de 300 turistas que estiveram a gozar férias na estância turística mexicana de Cancún. Um primeiro voo, assegurado pela transportadora White, viaja directamente do México para Lisboa com 257 turistas portugueses a bordo. A segunda ligação pertence à companhia Orbest e traz mais 100 pessoas do México, partindo da República Dominicana - alguns dos turistas que estiveram neste país terão protestado contra a partilha do voo.
Na segunda-feira, a ministra da Saúde, Ana Jorge, garantia que as autoridades iriam "alargar" as informações sobre a Gripe A "a todos os passageiros que chegam a Portugal". Os aviões que hoje chegam a Lisboa vão ser visitados por uma equipa de profissionais de saúde, a quem caberá a eventual identificação de passageiros com sintomas compatíveis com o vírus H1N1.
Entre os turistas que agora regressam a Portugal estão 60 a 80 funcionários da empresa de seguros Mapfre. Perante os receios manifestados por vários trabalhadores, a administração da seguradora aconselhou os elementos que chegam do México a permanecerem em casa até dia 12.
A nova estirpe do vírus da gripe foi detectada numa mulher de 30 anos que, segundo a ministra Ana Jorge, já teve "alta clínica" e não representa "qualquer risco de transmissão da infecção a terceiros".
O Governo continua a recomendar o recurso à Linha Saúde 24 (808 24 24 24) para as pessoas com "sintomas sugestivos de gripe", após "deslocação a áreas afectadas" ou "contacto com doentes confirmados".